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Estado de Minas Riscos em coletivos

Viagens nos ônibus de BH diminuem por causa do isolamento e do medo da COVID-19

Sindicato das empresas (Setra BH) verificou maior queda em abril, logo após a chegada da pandemia, de 70,2% do número de passageiros transportados (8,9 milhões) em relação ao mesmo mês de 2019


25/07/2020 06:00 - atualizado 25/07/2020 10:09

(foto: Adão de Souza/ PBH)
(foto: Adão de Souza/ PBH)
Como serviço essencial, o transporte de ônibus foi mantido durante o isolamento social, mas o fechamento do comércio lojista, de bares e restaurantes e a suspensão das aulas, aliados ao home office, trouxeram redução drástica de movimento nas catracas dos veículos. De acordo com o Setra BH, em abril, logo após a chegada da pandemia no Brasil, os coletivos da capital transportaram 8,997 milhões de passageiros, queda de 70,2% em relação ao mesmo mês de 2019, quando circularam pelos ônibus 30,198 milhões de pessoas.
 
No período acumulado de abril a junho, a redução foi de 64,98% na média mensal de transporte em BH, 10,485 milhões de passageiros, enquanto no mesmo período do ano passado foram atendidos 29,942 milhões de usuários por mês, em média. A quantidade de pessoas atendidas, que era de 1,2 milhão por dia antes da pandemia  caiu, agora, para 476,89 mil passageiros por dia.
 
Ainda segundo a entidade, o baque no transporte coletivo urbano se repete em outras cidades. Em Varginha (135, 4 mil habitantes), no Sul de Minas Gerais, por exemplo, houve queda de 70% na demanda de passageiros. De 30 mil pessoas transportadas por dia, o sistema passou a atender 9 mil pessoas, operando com 50% da frota.
 
No transporte coletivo urbano de BH, segundo o Setra BH, a frota de 1.853 veículos ocupa cerca de 15 mil trabalhadores, dos quais em torno de 7,5 mil são motoristas. Atuam na capital quatro consórcios de empresas, com 35 organizações, que respondem por 297 linhas de ônibus.

INTERMUNICIPAL


A pandemia do coronavírus trouxe uma série de consequências negativas para o transporte intermunicipal de passageiros. Ônibus passaram a rodar com menor quantidade de passageiros não somente por causa do isolamento social, mas também porque, mesmo com os protocolos de segurança e medidas de higienização, muita gente ficou com medo de contrair o vírus ao permanecer muito tempo dentro dos veículos junto de outras pessoas.
 
Além disso, as empresas das linhas regulamentadas tiveram que mudar muita coisa, como a limitação de ocupação das poltronas à metade e higienização dos veículos antes e depois de cada viagem. Mas continuou sofrendo com um velho concorrente, que é um problema para as empresas e que colocam em risco a segurança dos passageiros: o transporte clandestino.
 
De acordo com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros no Estado de Minas Gerais (Sindipas), atualmente, existem cerca de 800 ônibus das empresas regulamentadas em circulação no estado. A assessora jurídica da entidade, Zaira Carvalho observa que as empresas regularizadas cumprem todos os protocolos sanitários definidos pelos órgãos competentes, como a higienização de ar-condicionado, “limpeza minuciosa” dos veículos, feita diariamente e manutenção das janelas destravadas e abertas, quando possível. Não há garantia de que isso esteja sendo feito no transporte que não se submete à regulamentação. 


RAIO X DO TRANSPORTE 


Os impactos e riscos que a pandemia trouxe ao setor de transportes são tema de reportagens que o Estado de Minas publica desde a segunda-feira. A série revelou em sua estreia o cotidiano de caminhoneiros que, para manter a roda da economia girando, frequentam áreas em que são mais altos os índices de contágio pelo novo coronavírus. O crescimento dos roubos de cargas que coincide com a disseminação da COVID-19 foi o segundo tema das reportagens, que na sequência abordaram a apreensão dos condutores de ambulâncias e a condição precária dos mototaxistas, trabalhadores informais. Ontem, foram enfocados os efeitos no metrô e nos trens, mostrando o medo e os cuidados nas estações.
 
 


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