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Estado de Minas SUBNOTIFICAÇÃO

COVID-19: Amostras de esgoto indicam que BH tem 75 vezes mais infectados

Estudos foram feitos com base em pesquisas no Rio Arrudas e no Córrego do Onça


17/07/2020 17:47 - atualizado 17/07/2020 18:29

Pesquisadores já haviam detectado coronavírus no Rio Arrudas em abril(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Pesquisadores já haviam detectado coronavírus no Rio Arrudas em abril (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Estudos feitos em amostras do esgoto de Belo Horizonte indicam que a cidade pode ter número de infectados pelo novo coronavírus 75 vezes maior que os casos confirmados desde março. De acordo com o último boletim divulgado pelo projeto-piloto Monitoramento COVId Esgotos, pelo menos 500 mil pessoas contraíram COVID-19 na capital mineira, o que equivale a 20% de toda a população. 
 
As amostras foram coletadas entre 29 de junho e 7 de julho. O último boletim, divulgado no fim de junho, já sinalizava que BH tinha quantidade de infectados 20 vezes maior que o total de casos divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde. Em abril, o projeto-piloto já havia detectado presença de coronavírus nas bacias do Rio Arrudas e do Córrego do Onça.
 
No último boletim divulgado pela prefeitura de Belo Horizonte, BH tem 13.700 casos confirmados de COVID-19. Outros 3.063 estão em acompanhamento e 10.308 pessoas se recuperaram da doença. Até o momento, foram 328 óbitos. 

O projeto Monitoramento COVID Esgotos é uma iniciativa conjunta da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Estações Sustentáveis de Tratamento de Esgoto (INCT ETEs Sustentáveis/UFMG), em parceria com a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM) e a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG).
 
Segundo os pesquisadores, o objetivo do projeto é mapear os esgotos para indicar áreas com maior incidência da doença e usar os dados obtidos a partir do esgoto como uma ferramenta de aviso precoce para novos surtos, por exemplo. O trabalho terá duração de 10 meses.
 
"O estudo aponta que 100% das amostras de esgoto testaram positivo nas últimas cinco semanas de monitoramento na bacia do Arrudas e nas últimas 7 semanas de monitoramento na bacia do Onça. Esses resultados indicam a resença e persistência do vírus no esgoto de todas as regiões/bairros que compreendem as 15 subbacias de esgotamento monitoradas", diz o projeto.
 
As primeiras pesquisas foram feitas de 13 a 24 de abril e indicavam que 29% das amostras do Arrudas e 64% do Córrego do Onça continham coronavírus. Depois disso, essa porcentagem aumentou de forma assustadora. A partir do levantamento feito de 8 a 12 de junho, 100% das amostras do Arrudas tinham foco de COVID-19 - as últimas cinco amostras dectaram a mesma taxa.
 
No Onça, esse índice já havia sido verificado nos trabalhos feitos de 25 a 29 - as sete amostras seguintes também constataram 100% de presença do vírus no esgoto. 
 
O estudo indica também que não há evidências da transmissão do vírus através das fezes (transmissão feco-oral). 
 

Isolamento social  

 
O aumento do número de infectados é explicado também pelo relaxamento nas medidas de isolamento social em Belo Horizonte. Ainda que tenha voltado atrás em sua decisão e determinado o fechamento do comércio, o prefeito Alexandre Kalil (PSD) flexibilizou o funcionamento das atividades entre 25 de maio e 26 de junho. 
 
Os estudiosos prometem, no futuro, divulgar um mapa dinâmico com a evolução espacial e temporal da transmissão do vírus. 


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