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Estado de Minas LIVROS

Em BH, livrarias da Savassi reabrem entre o alívio e a apreensão

Tradicionais pontos de encontro dos amantes dos livros em Belo Horizonte, elas tentam recompensar as perdas causadas pela pandemia do novo coronavírus


postado em 25/05/2020 19:33 / atualizado em 25/05/2020 20:48

Dono da Scriptum, Welbert Belfort diz que deve encerrar o expediente às 16h, pois prevê pouco movimento neste reinício(foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)
Dono da Scriptum, Welbert Belfort diz que deve encerrar o expediente às 16h, pois prevê pouco movimento neste reinício (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)
A queda nas vendas foi abissal. Sessenta por cento na Scriptum, 85% na Ouvidor, 90% na Quixote. Pouco mais de 60 dias fechadas, as três livrarias da Rua Fernandes Tourinho, que formam o tradicional reduto livreiro da Savassi, em Belo Horizonte, reabriram suas portas nesta segunda-feira. Um misto de alívio e apreensão cerca os proprietários.

“Enquanto não soubermos que há uma estabilidade (no controle da pandemia do coronavírus) não sei direito como se dará o período de reabertura. Mas é bom voltar a poder atender as pessoas”, comenta Welbert Belfort, da Scriptum, que chegou aos 23 anos de existência neste mês sem muitos motivos para comemorar.

Belfort não pretende manter a livraria aberta até as 19h – o horário permitido neste momento vai das 11h às 19h. “Como não terei o público da redondeza que trabalha na Savassi e vem na livraria no fim da tarde, devo permanecer aberto até as 16h”, ele diz.

Mesmo com o fechamento imposto pelo período de quarentena, as três livrarias continuaram atendendo aos clientes. Todas de portas fechadas, trabalharam vendendo livros via redes sociais e telefone. As entregas foram feitas via Correios ou motoboy.

Belfort comenta que foi a venda on-line que o salvou. Durante o período ele fez algumas promoções, muitas com títulos próprios, já que a Scriptum é também editora.

Tradição que recomeça na Ouvidor

Bernardo Ferreira estava trabalhando somente com um livreiro e, nesta semana, receberá os demais funcionários da Ouvidor(foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)
Bernardo Ferreira estava trabalhando somente com um livreiro e, nesta semana, receberá os demais funcionários da Ouvidor (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)
Bernardo Ferreira, da terceira geração de proprietários da Ouvidor, trabalhou sozinho durante o primeiro mês do isolamento social. Já no segundo passou a contar com um livreiro e, a partir desta semana, os demais funcionários voltarão para a livraria, que completou 50 anos neste 2020. “Continuamos atendendo realmente para não parar, pois a venda foi de 15% dos que costumamos vender”, ele comenta.

Como houve poucos lançamentos literários no período e as livrarias estavam de portas fechadas, não houve reposição de estoque. “As novidades virão a partir de agora”, conta Ferreira.

Para os títulos que a Ouvidor não tem no local, os pedidos são feitos para distribuidora. Em boa parte dos casos, são entregues no próprio dia.

Cafezinho adiado na Quixote

Cláudia Masini diz que, nos primeiros dias, apenas ela e seu sócio, Alencar Perdigão, farão o atendimento na Quixote (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)
Cláudia Masini diz que, nos primeiros dias, apenas ela e seu sócio, Alencar Perdigão, farão o atendimento na Quixote (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)
Livraria também muito conhecida por seu café e por seus lançamentos, a Quixote reabriu nesta segunda-feira. Mas só para vender livros. Não há mesinhas na portas, nem movimento na cafeteria.

“Não me sinto ainda completamente segura”, comenta a sócia Cláudia Masini, que fará o atendimento presencial, pelo menos neste momento, sem funcionários. Somente ela e seu sócio, Alencar Perdigão.

Mesmo com as dificuldades do período, ela diz, houve boas surpresas. “Não tinha, até então, essa experiência de atender sem ser pessoalmente. E vi muito carinho. Muita gente que era cliente indicou outras pessoas que viraram clientes. E me pediam muita indicação”, comenta Cláudia.

Um dos títulos que ela mais vendeu no período foi A vida pela frente, clássico da literatura francesa, de Romain Gary.

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