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Estado de Minas MEIO AMBIENTE

Ar de BH fica 45% mais limpo com o isolamento social

Pesquisa aponta que menor circulação de veículos na capital e desaceleração do setor secundário em Betim influenciou positivamente a qualidade do ar


postado em 05/05/2020 15:42 / atualizado em 05/05/2020 22:07

Qualidade do ar foi medida em BH, Betim e Ibirité (foto: Divulgação/Feam)
Qualidade do ar foi medida em BH, Betim e Ibirité (foto: Divulgação/Feam)

Em meio a medidas de isolamento social, o ar de Belo Horizonte ficou 45% mais limpo. Isso é o que mostram as pesquisas da Fundação Estadual do Meio Ambiente, a Feam. Segundo os pesquisadores, a melhora na qualidade do ar da capital mineira foi influenciada pela diminuição de veículos em grandes vias e pela desaceleramento da produção industrial de Betim, cidade da Grande BH que possui forte impacto no setor secundário.

O órgão estadual analisou dados de cinco estações de monitoramento em três cidades da Região Metropolitana - incluindo Ibirité.  Para se chegar ao resultado, o estudo levou em consideração a quantidade de poluentes dióxido de enxofre e material particulado entre os dias 20 de março e 20 de abril, dos anos de 2019 e 2020.

Essas partículas são conjuntos de poluentes constituídos de poeira, fumaça e todo tipo de material sólido e líquido que se mantém em suspensão por conta do pequeno tamanho. Além disso, essas frações são oriundas do dióxido de enxofre, que resulta da queima de combustíveis que contém enxofre, como óleo diesel, óleo combustível industrial e gasolina.

Partículas respiráveis

Em Belo Horizonte, os pesquisadores detectaram uma redução de 45% no número de partículas com 2,5 micrômetros de tamanho. Essas frações são caracterizadas como respiráveis e penetram nos pulmões, podendo chegar  aos alvéolos pulmonares e contribuir para o agravamento de doenças respiratórias.



Em números absolutos, a concentração das emissões nesses 30 dias foi de 6,86 microgramas por metro cúbico. Em comparação, no mesmo período do ano passado, foram registradas 12,44 microgramas por metro cúbico.

Já para o PM10, material particulado de maior diâmetro e considerado pela ciência como inalável, a redução foi de 31% na média mensal na estação da PUC São Gabriel. 

Essa redução foi observada na estação instalada no campus do Bairro São Gabriel da  PUC Minas, na Região Nordeste da cidade. A estação está localizada próxima a vias de grande circulação de veículos, como a MG-020 e o Anel Rodoviário.

Os pesquisadores também verificaram a qualidade do ar na estação localizada na Avenida do Contorno, no Centro da capital, próximo ao Complexo da Lagoinha. Os dados dessa localização apontam redução de concentração média mensal de 26% nas partículas menores e de 10% no caso do PM10.

De acordo com a equipe da Gerência de Monitoramento da Qualidade do Ar e Emissões (Gesar), da Feam, esses resultados de amostras coletadas na capital mineira refletem o menor fluxo de carros circulando nas vias de BH.

Atividade Industrial

Conforme estudo da Feam publicado em 2018 e que levou em conta as cidades de BH, Contagem e Betim, 65,46% das emissões de partículas inaláveis (PM10) tem origem nas atividades industriais. Esse número chega a 96,69% quando se considera as emissões dos óxidos de enxofre.

Nesse caso,  a redução da produção industrial no mês passado influenciou bastante a qualidade do ar na Grande BH.  
Os pesquisadores avaliaram os dados das estações Petrovale e Centro Administrativo, em Betim. Na primeira delas, observou-se redução da concentração média diária de PM10 em todos os dias analisados.

Enquanto a concentração média mensal em 2019 foi de 22,4 microgramas por metro cúbico, no período analisado em 2020, foram registradas 12,58 microgramas por metro cúbico. Essa diferença, significa em um ar 43% mais limpo. 

Com relação ao dióxido de enxofre (SO2), também foi possível observar menores valores de concentração na média mensal em 2020, com redução de 58%. Em 2019, a concentração média mensal foi de 6,02 µg/m3 e em 2020 diminuiu para 3,82 µg/m3.

Análise

A diretora de Gestão e Monitoramento da Qualidade Ambiental da Feam, Alice Libânia Santana Dias, explica que essa constatação revela a importância de se pensar em políticas públicas que se preocupem com a matriz de transportes da capital. “Essa situação nos aponta para a importância de se estudar medidas de mitigação, como o uso de meios de transporte mais sustentáveis e também o incentivo ao transporte público de massa”, pontua a diretora.

*Estagiário sob supervisão da editora Liliane Corrêa

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