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Estado de Minas COVID-19

Diretor de hospital de campanha de BH sugere que medo da COVID-19 é exagerado e culpa internet e até OMS

Médico e professor José Carlos Serufo criticou a Organização Mundial de Saúde por tratar pacientes do coronavírus como 'infectados'


postado em 23/04/2020 22:45 / atualizado em 24/04/2020 00:46

Serufo disse que um dos principais problemas enfrentados durante a pandemia da COVID-19 é o medo excessivo entre as pessoas(foto: Reprodução)
Serufo disse que um dos principais problemas enfrentados durante a pandemia da COVID-19 é o medo excessivo entre as pessoas (foto: Reprodução)
O diretor técnico do hospital de campanha de Belo Horizonte, José Carlos Serufo, criticou a forma com que informações relacionadas à pandemia do novo coronavírus têm sido levadas à população. De acordo com o médico e professor, o medo entre as pessoas está exagerado. Ele atribuiu o pânico a sites que mostram números da doença em tempo real e à forma como a Organização Mundial da Saúde (OMS) aborda o assunto.

Durante uma transmissão ao vivo, exibida pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Serufo disse que um dos principais problemas enfrentados durante a pandemia da COVID-19 é o medo excessivo entre as pessoas. O médico também criticou sites que transmitem números do coronavírus em tempo real, afirmando que as páginas não exibem o número de sobreviventes. Um dos endereços mais conhecidos para a consulta de estatísticas é a da Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos. No entanto, o portal divulga o número de pessoas curadas. Até a noite desta quinta-feira (23), 738.032 pessoas já tinham se livrado da COVID.

“Nessa epidemia, com a contagem seletiva em tempo real dos mortos, e não com a contagem dos sobreviventes, vejam que 99,5% das pessoas sobrevivem. Isso quase não é falado. Se toma como ponto, o tempo inteiro, os 0,5% que infelizmente morrem em decorrência da doença. Isso vem intoxicando as pessoas. Elas estão intoxicadas pela morte”, disse Serufo.

O diretor técnico do hospital de campanha também disse que as pessoas não aceitam a morte pelo coronavírus. "Elas olham para as mães e pensam que as mães vão morrer, que os pais vão morrer, que os filhos vão morrer. Vemos a morte em todos os momentos, em todas as coisas. Isso gera um pânico. Parece que é aceitável morrer de qualquer coisa, menos de COVID. Você pode morrer de malária, atropelado, com fome, mas não de COVID", declarou.

Serufo chegou a criticar até mesmo a Organização Mundial da Saúde (OMS). De acordo com o médico, a entidade utiliza de forma errada a palavra “infectado” para se referir a pacientes com casos confirmados de coronavírus. A forma com que as notícias são transmitidas pela OMS também foram alvo de questionamentos.

Foram criadas palavras de pânico. Chegaram e se sedimentaram. Uma delas, por exemplo, é “infectado”. A própria OMS diz isso: chegando a dois milhões de infectados. Infectado é uma palavra pesada. Por que que não dizem que dois milhões sobreviveram? É a mesma coisa. É uma outra forma de entender. Quando se diz dois milhões de infectados, dá a impressão de que é uma doença crônica, de que quem pegou está condenado”, diz Serufo.

Ministro do Turismo critica isolamento horizontal

Participaram da transmissão o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, além do governador do Rio Grande do Sul (RS), Eduardo Leite, e o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio. Este último criticou duramente o isolamento durante a live, dizendo que alguns prefeitos e governadores adotaram “medidas descabidas e autoritárias”. A declaração veio durante a parabenização a Eduardo Leite, que estabeleceu medidas para a retomada da economia no Rio Grande do Sul.

“Temos um doente com duas patologias graves, sendo a primeira que impacta a saúde, enquanto a segunda impacta o emprego e a renda. Quero te parabenizar porque, infelizmente, temos visto por parte de alguns prefeitos, medidas descabidas e autoritárias, e isso não tem contribuído em nada a essa pandemia. Parabéns por ter essa consciência de saber que temos duas linhas a serem trabalhadas. Isso precisa ter uma sincronia, uma flexibilidade com consciência, mas entendendo que temos 40 milhões de brasileiros em casa, com as latas vazias. É muito fácil o prefeito, o governador, o artista da Globo, dizer para as pessoas ficarem em casa. Mas todos eles abriram vinho importado e comeram camarão. Não podemos esquecer que temos 40 milhões de brasileiros que são autônomos”, disse.


Argumentação de Serufo começa no minuto 20:27

Confira, na íntegra, a fala de José Carlos Serufo:

"Nós estamos vivendo um momento difícil. Imagino que na área científica, técnica, no mês de fevereiro, que surgiram 1.300 trabalhos publicados sobre o coronavírus. Em março, quase o mesmo tanto. Mais da metade dos trabalhos seriam rejeitados se passassem por revistas científicas. O clima de pandemia chegou para nós como informações científicas. Separar essas informações para quem já é especialista, tem sido muito difícil. Como elas chegam à população? Chegam mediadas pela imprensa, pelos meios de comunicação. Se na origem nós já temos informações díspares, imagino como ela é interpretada por pessoas que tiveram que especializar de última hora. Então acho que o que temos que divulgar é o conhecimento saudável. Ele nos faz voltar a razão e tomar as melhores atitudes. Eu falo isso porque, vejam: esse coronavírus, chamado de COVID-19, encontrou condições favoráveis na humanidade atual: sistema de saúde operando no limite e grupos disputando poder nos extremos da democracia. Aliado a isso, tivemos ferramentas na internet ofertando informações em tempo real, pela primeira vez na história da humanidade. Inicio esse momento falando que considero um dos principais problemas que estamos vivendo, que é o medo. O medo é um dos instintos primitivos que fizeram a raça humana sobreviver. Precisamos do medo para a sobrevivência. Mas quando ele é excessivo e ultrapassa limites, ele nos imobiliza, ofusca as lentes da razão, a ponto de não percebermos mais a racionalidade. A informação nova, sob o indivíduo dominado pelo medo, ela não se sedimenta. Não há raciocínio. Então a morte que, embora certa, temos mecanismos para mantê-las distantes de nós. Quando ela se aproxima, ela se torna o fermento desse pânico. E nessa epidemia, com a contagem seletiva em tempo real dos mortos, e não com a contagem dos sobreviventes, vejam que 99,5% das pessoas sobrevivem. Isso quase não é falado. Se toma como ponto, o tempo inteiro, os 0,5% que infelizmente morrem em decorrência da doença. Isso vem intoxicando as pessoas. Elas estão intoxicadas pela morte. Elas olham para as mães e pensam que as mães vão morrer, que os pais vão morrer, que os filhos vão morrer. Só conseguem enxergar a morte. Vemos a morte em todos os momentos, em todas as coisas. Isso gera um pânico que nos imobiliza. Parece que é aceitável morrer de qualquer coisa, menos de COVID. Você pode morrer de tuberculose, malária, atropelado, com fome, mas não pode morrer de COVID. Então isso eu vejo que nós temos, além disso, foram criadas palavras de pânico. vieram para nós. Chegaram e se sedimentaram. São faladas o tempo inteiro. Uma delas, por exemplo, é “infectado”. A própria OMS diz isso: está chegando a dois milhões de infectados. Infectado é uma palavra pesada. Por que que ela não diz que dois milhões sobreviveram? É a mesma coisa. É uma outra forma de entender. Quando se diz dois milhões de infectados, dá a impressão de que é uma doença crônica, uma vez que pegou, está condenado. Eu vejo que nós temos que afrontar e desvestir esse medo para nós voltarmos com a razão. O conhecimento, não as mentiras, e a transparência, são fundamentais. Esse é o principal ponto."


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