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Estado de Minas

Pacientes com câncer são mais vulneráveis ao coronavírus

Especialistas alertam sobre os cuidados necessários com pessoas que estão em tratamento de câncer, uma vez que elas têm o sistema imunológico suprimido


postado em 23/03/2020 06:00 / atualizado em 23/03/2020 09:46

(foto: Arte/Paulinho Miranda)
(foto: Arte/Paulinho Miranda)


Pessoas com o câncer ativo passam a ser consideradas com maior risco de infecção pelo COVID-19. Portanto, a atenção precisa ser redobrada. Segundo o oncologista da Oncomed Leandro Ramos, é preciso diferenciar pessoas que já tiveram o câncer, fizeram o tratamento e estão curadas, daquelas que têm a doença ativa no organismo. “Pacientes que estão clinicamente estáveis não têm riscos superiores ao da população geral. O perigo maior é para as pessoas que tem o câncer em atividade, seja no pulmão, no fígado, nos ossos e que, por isso, estão em tratamento. Isso tudo debilita o organismo.”

Um estudo publicado pela revista científica The Lancet, a fim de analisar a relação do novo coronavírus com o câncer, avaliou 1.590 casos da doença até o fim de janeiro deste ano. Desses, 18 foram constatados com algum histórico oncológico, sendo em sua maioria, 75%, pacientes em tratamentos de interação curativa.

André Murad, oncologista e pós-doutor em genética, explica que a predisposição de pessoas em tratamento oncológico à contração do novo coronavírus se dá, principalmente, pelo comprometimento da funcionalidade do sistema imunológico. “A quimioterapia ou radioterapia atua diminuindo a função e, muitas vezes, a quantidade das células de defesa no organismo. Células essas que são de extrema importância ao combate de doenças.”

Além disso, Murad ressalta que, em alguns casos, o próprio câncer pode debilitar e comprometer o organismo. “O câncer hematológico, como leucemia e linfomas, também altera as células. Assim, tanto a doença em si quanto os tratamentos destinados à sua cura podem influenciar negativamente e colocar essas pessoas em risco frente à epidemia.”



Cuidados


Diante desse quadro, Ramos explica que, devido ao risco, as pessoas em tratamento de câncer precisam ficar ainda mais atentas às medidas protetivas, a fim de evitar a infecção e outras doenças de alto índice de gravidade. “Com o retardo do sistema imunológico, é possível que o organismo não combata adequadamente a doença, aumentando o risco de morte. Portanto, o grande cuidado deve ser evitar o contato físico”, completa.

Além dos cuidados habituais, como lavar as mãos frequentemente, ingestão de líquidos, uso de álcool em gel e máscaras, evitar aglomerações e lugares fechados, o contato médico-paciente e o atendimento em prontos-socorros devem ser feitos mediante muita atenção pelas pessoas em tratamento oncológico. “É importante evitar o pronto atendimentos das instituições, a não ser que o paciente apresente sintomatologia condizente ao COVID-19, como febre alta, tosse seca e falta de ar. Em casos de sintomas leves, é preferível contatar o oncologista que trate daquele pessoa, para se informar sobre a necessidade de um atendimento imediato ou de alguma medida especial”, alerta Ramos.

"A quimioterapia ou radioterapia atua diminuindo a função e, muitas vezes, a quantidade das células de defesa no organismo. Células essas que são de extrema importância ao combate de doenças."

Mário Murad, oncologista e pós-doutor em genética



No entanto, nesses casos, Mozar de Castro Neto, médico infectologista do Hospital Felício Rocho, afirma que a forma de manejo dos pacientes segue as recomendações emitidas pelos órgãos reguladores. “É feita uma abordagem segregada para que esses pacientes, nos prontos atendimentos, tenham o mínimo de contato com outros pacientes em sala de espera, protegendo-os e colocando-os em salas privativas para que a parte clínica seja avaliada.”

Ramos ressalta que, mesmo com a imunodeficiência provocada pela quimioterapia ou, até mesmo, pela radioterapia, o tratamento, seja de interação curativa ou preventiva, deve ser mantido, visto que, ao ser interrompido, a eficácia se perde e a doença pode voltar a se desenvolver ou reaparecer. “As pessoas podem entrar em pânico devido à fragilidade do sistema imunológico provocada pelos tratamentos e tentar paralisar o tratamento para diminuir essa interferência. No entanto, isso não deve ser feito. É o médico, o oncologista, que vai definir pela suspensão ou não.”

Câncer de mama

A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) alertou sobre os riscos a pacientes em tratamentos oncológicos mamários e reforçou a necessidade de aumentar os cuidados, a fim de evitar a infecção pelo COVID-19, como usar papéis para tocar objetos públicos, evitar visitas a idosos e, também, contatos físicos e cumprimentos. Além disso, o site informa que mulheres já curadas e em tratamento de hormonioterapia são consideradas com saúde normal e devem seguir a prevenção da população em geral.

Aos pacientes com câncer

(foto: Arte/Paulinho Miranda)
(foto: Arte/Paulinho Miranda)
>> Não interromper seus tratamentos oncológicos

>> Evitar contato físico, como cumprimentar com beijos e abraços

>> Evitar contato com qualquer pessoa que tenha sintomas gripais, que esteja em investigação para possível infecção pela COVID-19 ou que estejam chegando do exterior, com ou sem sintomas gripais

>>Caso apresente sintomas como, febre, coriza, tosse seca, falta de ar, contate seu médico

>> Permaneça somente o tempo necessário em ambiente hospitalar e evite contato físico direto, mesmo com o seu médico e a equipe de saúde

>> Pacientes que vão a um centro de tratamento oncológico devem ir acompanhados de apenas uma pessoa, e este acompanhante não pode apresentar nenhum sintoma de gripe

>> Visitas hospitalares devem se restringir àquelas estritamente necessárias.

>> A familiares e população de forma geral

>> Manter a higiene das mãos, lavando-as com sabonete por pelo menos 40-60 segundos ou higienizando-as com álcool em gel 70% por 20-30 segundos, diversas vezes ao dia

>> Cobrir com o antebraço o nariz e boca ao tossir ou espirrar

>> Evitar ambientes fechados, como academias e shopping centers, e principalmente aglomerações. Eventos com grande público estão sendo cancelados e desencorajados em todo o mundo

>> Só tem indicação de realizar o exame para diagnóstico de COVID-19, neste momento, quem apresentar sintomas suspeitos, tiver entrado em contato com caso suspeito ou confirmado e tiver sintomas e histórico de viagem ao exterior nos últimos 14 dias

>> Parentes ou pessoas próximas de pacientes com câncer devem evitar contato com eles caso apresentem qualquer sintoma suspeito de gripe ou contato com terceiros que tenham sintomas ou infecção confirmada

>> Medidas adotadas sem orientação médica, como uso indiscriminado de vitaminas C e D, e outras modalidades não comprovadas, além de ineficazes, podem trazer risco severo à saúde. 

* Estagiária sob a supervisão da editora Teresa Caram

O que é o Coronavírus?

Coronavírus são uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (Covid-19) foi descoberto em dezembro de 2019, na China. A doença pode causar infecções com sintomas semelhantes aos resfriados ou gripes leves. 

Como o Covid-19 é transmitido?

A transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão, contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

 

Como se prevenir?

 

A recomendação é evitar aglomerações, ficar longe de quem apresenta sintomas de infecção respiratória, lavar as mãos com frequência, tossir com o antebraço em frente à boca e frequentemente fazer o uso de álcool em gel após ter contato com superfícies e pessoas. Em casa, tome cuidados extras contra o Covid-19.
 

Quais os sintomas do Coronavírus?

 

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pelo Covid-19: 

 

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarréia
 
Em casos graves, as vítimas apresentam: 
 
  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal

Mitos e verdades sobre o vírus

 
Nas redes sociais, a propagação do Covid-19 espalhou também boatos sobre como o coronavírus é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: 
  • O álcool em gel é capaz de matar o vírus? 
  • O coronavírus é letal em um nível preocupante? 
  • Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? 
  • A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? 

 

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