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Estado de Minas SAÚDE

Coronavírus e o SUS: como a desigualdade na oferta de leitos pode expor 'buracos' na rede pública

De acordo com o professor Pedro Amaral, em duas semanas, o SUS começará a sentir o impacto do aumento de casos do Covid-19 no Brasil


postado em 12/03/2020 15:28 / atualizado em 12/03/2020 18:12

(foto: Reprodução/Twitter)
(foto: Reprodução/Twitter)
O Sistema Único de Saúde (SUS) pode, de acordo com projeções, sofrer aumento de demanda em duas semanas por causa da propagação do coronavírus no Brasil. A partir desse alerta, o professor da UFMG Pedro Amaral chama a atenção para o déficit em grande parte do país por causa da falta de leitos para atender a população. "A concentração regional segue em linhas gerais a concentração da população, mas infelizmente há muitos 'buracos' na rede", publicou o professor no Twitter.

O agravamento da dependência de atendimento do SUS tem duas causas, conforme destacou o professor do Cedeplar (Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Faculdade de Ciências Econômicas). O fato de muitos brasileiros viverem em municípios que não têm oferta de serviços privados é uma delas. A outra é que, de acordo com uma pesquisa do SPC, 69,7% dos brasileiros não têm plano de saúde particular.

O maior número de hospitais está localizado nas regiões Sudeste e Sul, seguindo a concentração populacional. De acordo com levantamento realizado por Pedro Amaral, 30 milhões de pessoas não tinham, em 2010, acesso a leito hospitalar em até 100 quilômetros de casa. O acesso a UTI é mais restrito ainda: 14 milhões de pessoas estavam a mais de 120 quilômetros de um leito desse tipo, de acordo com dados de 2014. 

Após o repentino aumento de casos na Itália, o secretário-executivo do Ministério da Sáude, João Gabbardo anunciou a destinação de duas mil vagas de UTI no SUS para atender casos de Covid-19. O Ministério da Saúde anunciou, ainda nesta quinta-feira, a contratação de cinco mil médicos do programa Mais Médicos em um período de um ano. 

O Ministério da Saúde afirmou que vem preparado o SUS para a chegada do vírus desde janeiro e tem reforçado frente à população a necessidade de seguir as recomendações publicadas pela Anvisa para evitar o contágio. As orientações mais eficazes são: lavar bem as mãos e utilizar álcool gel 70%.  

O Norte de Minas é um dos locais que já está sofrendo com a falta de preparo das unidades médicas para o recebimento de pessoas infectadas. Regiões como o Nordeste e o Centro-Oeste e o estado do Tocantins podem sofrer do mesmo problema, conforme a publicação do professor. 


* Estagiária sob supervisão do subeditora Ellen Cristie. 

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