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Estado de Minas

Família desabrigada denuncia que criança foi assediada sexualmente dentro de pousada em BH

Moradores do Jardim Alvorada estão em uma hospedagem da capital. Na noite passada, menino de 10 anos pediu ajuda após ser abordado por um homem seminu que queria levá-lo para um quarto. PM foi chamada, mas ele fugiu


postado em 28/01/2020 12:16 / atualizado em 28/01/2020 16:37

Muitos moradores do Jardim Alvorada deixaram suas casas após o desabamento de um imóvel. No local, morreram mãe e três filhos pequenos(foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press - 26/01/2020)
Muitos moradores do Jardim Alvorada deixaram suas casas após o desabamento de um imóvel. No local, morreram mãe e três filhos pequenos (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press - 26/01/2020)


Além de conviver com a incerteza de quando voltar para casa em função do risco de desabamento provocado pelas chuvas em áreas de risco na capital, uma família ainda passou por um grande susto na noite dessa segunda-feira em um abrigo. Segundo uma mulher, o filho dela, de apenas 10 anos, foi vítima de assédio sexual de um homem que estava no local e fugiu. 

O caso foi relatado ao Estado de Minas nesta manhã pela mãe da vítima, que mora no Bairro Jardim Alvorada, Região da Pampulha. Ela pediu para não ser identificada para proteger a criança. A comunidade foi uma das mais atingidas pela chuva intensa na cidade no último fim de semana. Lá, quatro pessoas morreram em um deslizamento de terra. 

A família da mulher ouvida pela reportagem foi levada para uma hospedagem na Região Leste de Belo Horizonte pouco depois das mortes no bairro. Segundo ela, o local teria sido alugado pela prefeitura para abrigar pessoas que tiveram que sair de casa por segurança, mas também recebe pessoas que vêm do interior em busca de atendimento médico, entre outras. 

“Ontem fui pegar umas doações lá embaixo. Meu filho estava brincando no corredor e o cara o chamou, 'vem cá'. Quando ele entrou, ele estava pelado e o cara falou 'você vai ficar comigo'. Meu filho saiu correndo, gritando. Os meninos tentaram bater nele (suspeito). A moça da pousada o segurou, mas ele fugiu. Os portões ficam abertos. Deixou a cueca na escada”, contou a mulher ao EM nesta terça-feira. 

A família registrou um boletim de ocorrência na noite passada. Segundo a Polícia Militar (PM), consta no documento que a mãe soube do caso por meio da irmã e do cunhado. O menino procurou a tia dizendo que o homem o chamou para entrar em um quarto. Ele confirmou aos policiais que disse isso, e que o homem estava de cueca. A tia da criança disse aos policiais que foi até ele tirar satisfações, mas ele não conseguia se explicar. Então, ela chamou o companheiro. Foi quando o suspeito saiu correndo. 

Segundo a PM, uma outra pessoa que está abrigada na hospedagem disse que o homem estava no local desde a semana passada, usou drogas lá e seria morador de rua. A representante do local confirmou que tomou conhecimento do caso, mas não sabem quem é o homem. Ela disse que as pessoas que entram na unidade são cadastradas na portaria e que o imóvel possui câmeras, mas só o gerente tem acesso às imagens. 

A mãe teme que o homem volte à hospedagem. “Ele saiu, mas a gente não sabe se ele pode voltar... Pode entrar qualquer pessoa... Eu creio que ele está inscrito. E se ele está inscrito lá, ele pode voltar”, disse a mulher. “Fizemos boletim de ocorrência estamos esperando a foto para levar para a Polícia Militar. Só que até para ir levar para a polícia a gente não tem dinheiro. Estamos totalmente isolados”, lamentou. 

A Polícia Civil informou que a Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente será a responsável pelas investigações e realiza as primeiras diligências.

A Prefeitura se pronunciou sobre o caso por meio de nota, informando que a hospedagem foi a medida mais segura encontrada no momento para retirar as famílias das áreas de risco e que, no caso da família que fez a denúncia, foi ofertada a opção de transferência para outra pousada, além de atendimento psicossocial. No entanto, a reportagem voltou a entrar em contato com os denunciantes pouco depois do meio-dia e, tanto a tia quanto a mãe da criança negaram ter sido procuradas pela prefeitura desde ontem. Leia na íntegra a nota da PBH: 

"A hospedagem é uma medida provisória e excepcional para salvar as vidas das pessoas que precisaram deixar emergencialmente as suas casas que estão em risco devido às chuvas.  A Prefeitura de Belo Horizonte fez essa opção por considerar que é a medida mais protetiva possível para o momento, evitando a instalação de abrigos em locais que não estão preparados para essa finalidade, como ginásios ou escolas. Apenas as famílias atingidas e que optaram pelo acolhimento foram levadas para as pousadas.

Imediatamente após a suposta tentativa de violação, técnicos sociais presentes no local realizaram uma rápida intervenção para garantir a apuração dos fatos, na orientação à  família e acionamento dos agentes de segurança. Buscando garantir a segurança da família, foi ofertada a transferência para outra pousada, além de atendimento psicossocial e orientação jurídica. A Guarda Municipal irá intensificar a presença no local e o controle de entrada de pessoas também será reforçado (uso de pulseiras). Estão sendo planejadas ações de convivência e socioeducação para as famílias que permanecem acolhidas e também a criação de assembleias diárias para informações, e mediação de conflitos." 

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