Publicidade

Estado de Minas

''Por mim ele já está perdoado'', diz namorado de mulher que morreu atropelada na Raja

Namorado de Jerusa Viana, João Marcos Bandeira diz ter perdoado homem que a atropelou e fugiu sem prestar socorro


postado em 14/01/2020 16:10 / atualizado em 14/01/2020 16:21

Suspeito se apresentou a polícia na manhã desta terça-feira(foto: Aissa Mac/ ESP//EM/D.A. Press )
Suspeito se apresentou a polícia na manhã desta terça-feira (foto: Aissa Mac/ ESP//EM/D.A. Press )
“Ele fugiu depois de literalmente ter assassinado ela”. O desabafo é de João Marcos Bandeira, namorado de Jerusa de Alencar Viana, de 47 anos, que presenciou nesse fim de semana o atropelamento e a morte da companheira. João Marcos estava no carro com Jerusa, que estacionou o veículo na avenida Raja Gabaglia, no Bairro São Bento, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, para ir a um supermercado do outro lado da via. Foi quando uma BMW desgovernada, conduzida por um fotógrafo de 39 anos, atingiu a vítima, que morreu na hora.

João Marcos agora espera por justiça. Ele afirma que tudo aconteceu tão rápido que nem sequer conseguiu ver o momento exato do acidente. “Ele bateu e seguiu, uma pessoa normal não anda naquela velocidade ou ao menos teria parado para prestar socorro”. Abalado, Marcos reforçou que acredita que o motorista não estava em condições de pilotar o veículo. “Não tenho como provar mas tenho certeza de que ele estava embriagado, a 120 km/h”.  O suspeito, que prestou depoimento nesta manhã, negou que estava acima da velocidade permitida ou que dirigia sob efeito de álcool.

De acordo com o delegado Rodrigo Fagundes, responsável pelo caso, o suspeito alegou em depoimento que fugiu por medo de linchamento, mas esse argumento foi questionado já que mesmo distante do local do acidente o fotógrafo não procurou a polícia. “Ele não fez, mesmo em momento de segurança, o acionamento das autoridades”. 

O suspeito, que está há três meses com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) vencida e que em 2019 foi autuado por embriaguez ao volante, chegou a parar a BMW  — com sinais de colisão — em frente a uma lanternagem que fica no Bairro Buritis, na Região Oeste da capital. “Isso provavelmente porque ele queria arrumar o seu veículo no dia útil posterior visando mais uma vez furtar às suas responsabilidades”, sustentou o delegado. 

Após prestar depoimento, o motorista, que é do Rio de Janeiro, conversou com a imprensa e declarou que “não estava bem” no momento do acidente. Ele afirmou que faz uso de medicamento controlado e pediu desculpas à família. “Eu estou muito consternado por eles, eu sei exatamente o que eles estão sentindo. Minha esposa faleceu na minha mão”. O carro estava no nome da esposa do fotógrafo, que morreu em fevereiro do ano passado durante um procedimento estético. 

Para João Marcos nada justifica o ocorrido. Ele agora aguarda os trâmites do processo que pode resultar na prisão do atropelador. “Por mim ele já está perdoado. Agora é com Deus e com a consciência dele”.

*Estagiária sob supervisão do subeditor Frederico Teixeira


Publicidade