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Estado de Minas ARTE NA PRAÇA

Duelo de MCs define oito finalistas para decisão na Praça da Estação

Na disputa pelo título nacional, MCs improvisadores de diferentes estados batalharam para a grande final que será amanhã, a partir das 13h, no Centro de BH


postado em 14/12/2019 20:11 / atualizado em 14/12/2019 21:32

Semifinal do duelo de MCs. Depois de 12 anos, evento ocupa a Praça da Estação(foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)
Semifinal do duelo de MCs. Depois de 12 anos, evento ocupa a Praça da Estação (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)


"O que acontece aqui? Duelo de MCs". "O que acontece aqui? Duelo de MCs".
Exatamente às 16h20, no palco armado na Praça da Estação, Centro de Belo Horizonte, estava dada a senha para começar a semifinal da maior batalha de rimas de MCs do Brasil. Evento da cultura hip hop que começou na capital mineira há 12 anos e, pela primeira vez, por direito, ocupa espaço importante da cidade e passa a fazer parte do caledário de eventos dos mineiros. Um salve para todos os envolvidos.

"Vai matar ou vai morrer?" "Vai matar o vai morrer?" Assim foi dada a largada para o duelo entre os 16 semifinalistas saudarem o público com sua linguagem verborrágica, de recados certeiros e precisão que levam fãs e curiosos ao delírio tamanha criatividade e habiliade para ganhar, na palavra, o respeito de todos.

 

Na disputa pelo título nacional, 16 MCs improvisadores de diferentes estados: W MC (AM), Bispo (RR), Pedrão Pesadão (AP), Lemes (TO), MCharles (CE), Tonhão (CE), Vinicius ZN (PE), LV (RN), Kenshin (AL), Skinny (AL), Neo (RJ), Noventa (ES), Lauro (PR), Ornaghi (PR), Jhon (DF) e Hate (DF).

 

Divididos em duplas, com 90 segundos para cada dueto, oito MCs foram os escolhidos por dois jurados e o público para disputarem hoje a grande final das batalhas. Os finalistas são: Noventa (ES), Tonhão (CE), Jhon (DF), MCharles (CE), Neo (RJ), Hate (DF), Lauro (PR), Vinicius ZN (PE).


Eles enfrentaram um processo seletivo intenso, realizado em todo o país, entre maio e novembro deste ano, que reuniu mais de 3 mil MCs, de pelo menos 300 cidades dos 27 estados da federação. Nesta edição, o campeão nacional vai receber uma premiação de R$ 15 mil, além de produções musicais e audiovisuais.


Público vai ao delírio com a batalha de rimas(foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)
Público vai ao delírio com a batalha de rimas (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)


Léo Cezário, um dos idealizadores da batalha, destaca que "as questões sociais nos são muito caras. Sempre estivemos na rua e vir para a Praça da Estação é um avanço". Ele lembra quando, em 2007, um grupo de 20 pessoas ocupavam a Praça da Estação e foram retirados pela Guarda Municipal: "É curioso. Fomos para debaixo do viaduto e, 12 anos depois, estamos de volta onde tudo começou e com esta relevância, estrutura e um lugar de direito".


Léo Cezário destaque que ocupar a Praça da Estação é um avanço(foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)
Léo Cezário destaque que ocupar a Praça da Estação é um avanço (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)

 

Claro, como toda novidade, Léo Cezário reconhece que o evento precisará de ajustes: "Como temos apoio dos órgãos públicos, esbarramos nas normas e, desta forma, nos deparamos com algumas dificuldades, como o acesso. Nosso público é o da periferias, as classes C e D e muitos têm dificuldade de acesso, o espaço cercado as inibem. Elas estão acostumadas com o acesso livre e algumas recuam. Nosso papel e minimizar e todos precisamosn os adaptar".

Pedro Valetim, um dos organizadores do Duelo, disse que a semifinal deste sábado reuniu 11 mil pessoas na praça. A expectativa é e que o público do domingo chegue a 20 mil. 


OS AMBULANTES


Léo Cezário também chama a atenção para a questão dos trabalhadores ambulantes: "Brigamos pelo comércio informal. Estes trabalhadores nos acompanham desde o início, lado a lado e não poderiam ser excluídos. Então, o que fizemos foi eliminar os bares e distribuir caixas, colocando-os para dentro do evento e fazendo uma parceria inédita. Assim, eles ganharão mais e vão estar seguros", destaca a iniciativa.


As amigas Larissa, Iza e Luará destacam a importância do papel da cultura hip hop contra o preconceito(foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)
As amigas Larissa, Iza e Luará destacam a importância do papel da cultura hip hop contra o preconceito (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)


As amigas e estudantes Larissa Batista, de 19 anos, Iza Batista, de 16, e Luará, de 19, estavam eufóricas com a batalha e resumiram muito bem o signiciado do evento para milhares de fãs: "Rap é cultura. Meu tio é o DJ Roger Dee e, desde pequena, eu e minha prima, Iza, fomos influenciadas e formadas dentro desta visão. O Rap, a rima, a dança, o duelo, enfim, tudo que envolver o hip hop, ajuda na luta contra o preconceito e uma grande parcela da população se sente representada. Tudo isso, na verdade, é um abrio para nós", explicou Larissa.


Ja Luará mandou seu recado na real: "È a cultura da favela que está aparecendo para o mundo".


Bruno Vieira, de 23 anos, fiz que o rap é sua vida(foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)
Bruno Vieira, de 23 anos, fiz que o rap é sua vida (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)


O auxiliar de armazén Bruno Vieira, de 23 anos, uma dos primeiros a chegar na Praça da Estação, para garantir o melhor lugar da grade, bem em frente ao palco, falou com orgulho e um sorriso no rosto: "Rap é minha vida. É o que me dá a sensação de estar vivo. E ele passa tanto pelas rimas de zoeira, que gosto bastante, quanto também pelas mensagens de ideologia, de boas ideias."


O que importa é o coração. E o segredo é a verdade. Na dúvida, fale sempre a verdade

Flávio Renegado, rapper

O MC Kauan, de São Paulo, que foi jurado nas etapas de Goiânia, Brasília e Curitiba, ao mesmo tempo que lamentou não ter representantes de Minas Gerais e São Paulo na grande final, destacou que "o bacana é que abrange o Brasil, dá chance para todos seja na rima com foco na piada, seja na ideologia. E é importante destacar a chegada de um público jobem, molecada que nos abraça e o das antigas vai criando uma comunhão".

 

O SOM EMPRESTADO 

Flávio Renegado destaca que é a vitória da cultura de rua ocupando o espaço de direito(foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)
Flávio Renegado destaca que é a vitória da cultura de rua ocupando o espaço de direito (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)

 

Nascido e criado na comunidade do Alto Vera Cruz, em BH, Flávio Renegado enxergou na música um caminho que o faria voar alto. Ainda adolescente, fez as primeiras rimas influenciado por Racionais MCs e outros nomes do rap. Aos poucos, desenvolveu uma carreira com personalidade, na qual mistura as rimas a outras referências musicais. Ontem, ídolo de muitos na Praça da Estação, bem assediado, o rapper lembrava com orgulho dos primeiros passos duelo de MCs: "Estou desde a primeira edição e sou feliz por ter ajudado e ter contribuído com o duelo, quando emprestei um som, isso lá em 2007. A proporcação que ganhou é fantática. O Rap só ganha. É a vitória da cultura de rua. Enfim conseguimos ocupar um palco grandioso da cidade. É música de preto para o povo preto", enfatizou.

Renegado disse estar feliz com a chegada dos jovens: "Aqui hoje tem uma molecada de 16, 18 anos. Mostra a força da continuidade. E só vamos crescer. Novas gerações chegando, se unindo ao movimento e não como parar", sentenciou.

 

Aliás, Renegado não poderia deixar de mandar um recado para toda a família do hip hop: "O que importa é o coração. E o segredo é a verdade. Na dúvida, fale sempre a verdade".

 

Entre uma batalha e outra, é importante registrar os shows de Samora N’zinga (BH), DJ Roger Dee, DJ LB, DJ Junin Bumbep. Cesar MC, ClaraLima.


SERVIÇO


Evento: Duelo de MCs Nacional 2019 – A Grande Final

Data: 15/12/2019 

Horário: a partir das 13h 

Local: Praça da Estação, na Avenida dos Andradas, Centro de Belo Horizonte
Ingresso: Entrada Franca 
Atenção: O evento é setorizado e são duas entradas, sendo uma no cruzamento da Andradas com a Rua dos Tupinambás e a outra na esquina da avenida com a Rua dos Guaicurus, em frente ao Centro de Referência da Juventude (CRJ)

 

 

 

 


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