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Estado de Minas QUEIMADAS

Seca e fogo na estação das flores: Minas tem 62% mais incêndios que em 2018

Estação que marca o início da temporada de chuvas segue castigada pela estiagem, baixa umidade do ar e proliferação de incêndios


postado em 15/10/2019 06:00 / atualizado em 15/10/2019 09:19

Na Serra do Cipó, chamas consumiram 13,6% da área do parque nacional(foto: ICMBio/Divulgação)
Na Serra do Cipó, chamas consumiram 13,6% da área do parque nacional (foto: ICMBio/Divulgação)
Castigada pela estiagem, primavera tem baixa umidade do ar e proliferação de queimadas. Ano já soma 7.512 focos de calor em Minas Gerais, que atravessa um início de primavera em chamas, com índices de umidade relativa do ar comparáveis aos de um deserto, mais que o dobro de focos de incêndio em relação ao ano passado e a fuligem dando lugar à biodiversidade em um de seus paraísos naturais do estado, a Serra do Cipó. De acordo com Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), os focos ativos de incêndio no estado até o domingo já superaram em 62% os registrados nos 12 meses do ano passado. Os satélites detectaram 7.512 pontos de queimada até 13 de outubro, contra 4.627 em 2018. Ontem, a capital mineira registrou o dia mais seco do ano, com 12% de umidade relativa do ar, que colocou a cidade em estado de emergência segundo os parâmetros da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Em um dos principais santuários de vida silvestre do estado, em questão de três dias, o fogo consumiu 13,6% do Parque Nacional da Serra do Cipó (Parna Serra do Cipó), o que equivale a 4.500 hectares. Isso corresponde a cerca de 4,2 mil campos de futebol. Mas a destruição, medida por imagens de aeronave, atingiu aquilo que não pode ser medido em números: a riqueza da biodiversidade. O incêndio, extinto no domingo, devastou espécies da flora e da fauna, em especial anfíbios e aves.

Segundo o gestor do parque, Leandro Chagas, a queimada atingiu principalmente os campos rupestres, vegetação rasteira que motivou a criação da reserva ecológica. “São os ambientes mais sensíveis do parque, e com alto índice de endemismo, espécies que só ocorrem na região. O dano ambiental foi significativo”, afirma Chagas. A mancha cinza se concentra na área alta do parque, em local conhecido como Alto Palácio, alastrando-se pelo rumo da travessia até a Serra dos Alves, abrangendo as áreas do Travessão e da Cachoeira Congonhas.

A equipe de brigadistas da unidade suspeita que a causa tenha sido queimada para renovação de pastagens. “Sabemos a causa, mas não a autoria. O fogo começou fora do parque. É importante dizer que o uso de queimada em pastagens é ilegal neste período do ano. Em razão disso, os produtores rurais acabam fazendo queimadas de forma ilegal, sem medidas de prevenção e ao entardecer ou à noite, o que dificulta o combate”, ressalta o gestor.

Mão do homem


Seja qual for a circunstância, a ação humana é a principal causa dos incêndios, de acordo com o coordenador do Laboratório de Gestão de Serviços Ambientais da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Raoni Rajão. “Praticamente todo fogo começa com a ação humana, acidental ou intencional. O que a natureza pode influenciar é facilitar a instalação do fogo. O estado de Minas Gerais está muito seco este ano. No ano passado choveu mais”, explica.

(foto: Arte EM)
(foto: Arte EM)


Ele aponta ainda que levantamento feito pelo laboratório indicou que 75% dos focos de calor no estado ficam em áreas de cadastro ambiental rural. “O que está queimando não são só os parques, mas principalmente as áreas privadas. O proprietário tem que impedir que o fogo se alastre. Sabemos que a prática de formação de pastagem pelo fogo é muito comum”, diz.

Clima desértico


Enquanto nas áreas verdes a secura do tempo favorece a proliferação de queimadas, na cidade ela faz mal à saúde. Belo Horizonte teve um dia semelhante ao de desertos ontem. A temperatura alta, acima de 32°C, e a baixa umidade do ar provocaram uma sensação de intenso calor durante a tarde. Os índices de umidade atingiram níveis preocupantes: 12%, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Esse valor, considerado estado de emergência pela OMS, foi o menor registrado no ano. Nos desertos, os valores ficam em torno de 10%. A Defesa Civil Municipal emitiu alerta válido até as 18h de segunda-feira.

O índice baixo de umidade foi registrado na estação meteorológica localizada no Bairro Santo Agostinho, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. O menor valor no mesmo local havia sido marcado em 13 e 18 de setembro, com 18%. Na Pampulha, a umidade mais baixa também ocorreu ontem, com taxa de 14%. O mesmo percentual já havia sido registrado em 13 e 18 de setembro.

A OMS considera índices entre 21% e 30% como estado de atenção; entre 12% e 20%, de alerta, e abaixo de 12%, de emergência. O índice considerado ideal é de 60%. “Estamos com a atuação de uma massa de ar seco e quente. O céu está praticamente aberto. Na primavera também temos uma alta incidência de radiação solar na superfície, levando à evaporação de umidade. E, como não chove há muito tempo, temos esses baixos índices”, explicou a meteorologista Anete Fernandes, do Inmet.

A baixa umidade relativa do ar também atingiu outras cidades mineiras. Em São Romão e Pirapora, na Região Norte de Minas, o índice ficou em 12%. O tempo seco deve continuar em Belo Horizonte e grande parte de Minas Gerais até a próxima sexta-feira. No sul do Estado, pode haver chuva isolada hoje. Em BH, a tendência é de precipitações somente no domingo.

Fogo e alerta em Confins


O incêndio em uma mata próxima ao Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, na região metropolitana, trouxe divergência entre Corpo de Bombeiros e a BH Airport, concessionária do terminal, sobre a segurança aeroviária. Segundo a corporação, o fogo trazia riscos à rede de energia elétrica e a fumaça poderia dificultar pousos e decolagens de aviões. Já a administradora informou que não havia risco à operação do aeroporto.


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