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Estado de Minas

Veja detalhes da cerimônia do adeus a dom Serafim

O arcebispo metropolitano de Belo Horizonte e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidiu a missa de exéquias do cardeal dom Serafim Fernandes de Araújo


postado em 10/10/2019 17:08 / atualizado em 10/10/2019 19:03

(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A.Press)
(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A.Press)

Cerimônia do adeus. A missa de exéquias do arcebispo emérito de Belo Horizonte, cardeal dom Serafim Fernandes de Araújo, que morreu na terça-feira (8) aos 95 anos, vítima de complicações decorrentes de pneumonia, aconteceu nesta quinta-feira no Santuário Arquidiocesano de Adoração Perpétua/Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem, na Região Centro-Sul da capital. A celebração foi presidida pelo arcebispo metropolitano de Belo Horizonte e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo. O sepultamento logo após a missa foi na cripta do tempo que fica na Rua Sergipe, nº 175, Bairro da Boa Viagem, na Região Centro-Sul.



Antes da missa, dom Walmor disse que dom Serafim será eternamente lembrado. "Dom Serafim é uma referência da Igreja no Brasil, como cardeal, vice -presidente da CNBB e nos trabalhos de evangelização. Faz parte da nossa história. Temos que destacar também seu trabalho na educação, pois foi reitor da PUC Minas", afirmou. Dom Walmor disse, ainda, que Dom Serafim Fernandes de Araújo foi uma "figura extraordinária" e vai ficar como referência de nosso tempo.


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(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A.Press )


A missa de exéquias do arcebispo emérito de Belo Horizonte, conta com a presença dos bispos auxiliares e de 150 padres da Arquidiocese de BH, que inclui 28 municípios. Por volta das 17h05, foi realizada a procissão de entrada dos bispos e padres. A cripta, onde o corpo de dom Serafim será sepultado, fica do lado direito de quem entra na Igreja.

Por volta das 18h30, a guarda de congado da Comunidade dos Arturos , de Contagem, na Grande BH, prestou sua homenagem a dom Serafim. Eles cantaram: "Com minha mãe estarei lá no céu, na Santa Glória um dia...vai, irmão...tua mãe está te chamando". Logo em seguida, o caixão foi fechado, sob muitos aplausos.



Dom Walmor chegou nessa quarta-feira de Roma, onde participa do Sínodo da Amazônia, presidido pelo papa Francisco, especialmente para as cerimônias de despedida de dom Serafim, mineiro de Minas Novas, no Vale do Jequitinhonha, e arcebispo de BH de 1986 a 2004. O papa Francisco enviou mensagem de pesar, no qual recorda a “paixão missionária” do cardeal “que fez crescer no coração dos fiéis o amor a Jesus Cristo e à sua Igreja”. Na terça-feira, quando o cardeal morreu aos 95 anos em decorrência de pneumonia, Francisco havia dedicado uma oração a ele.



Conforme a arquidiocese, cerca de 7 mil pessoas já passaram pelo santuário, onde dezenas de coroas de flores dão o tom da saudade. Ao lado dos familiares, o irmão caçula de dom Serafim, Eustáquio Afonso Araújo, conhecido como Tacão e ex-reitor da PUC Minas, destacou a vida e o trabalho pastoral do homem que viveu a vida “pregando a Palavra de Deus e exercitando o amor”. Tacão disse que dom Serafim gostava de dizer que “minha catedral é o povo”. Para ele, o irmão mais velho era mais do que dom Serafim. “Tinha o dom do amor, da generosidade, da amizade, da doação, do perdão”.

Dedicação


Dom Serafim Fernandes de Araújo nasceu em 13 de agosto de 1924. Foi o terceiro arcebispo metropolitano de BH, sucedendo dom João Resende Costa no governo da arquidiocese, em 5 de fevereiro de 1986. Viveu sua infância em Itamarandiba e, aos 12 anos de idade, foi estudar no Seminário de Diamantina, onde se formou em Humanidades em 1942 e em Filosofia em 1944.

Foi escolhido para ir estudar em Roma, onde fez mestrado em teologia e direito canônico na Pontifícia Universidade Gregoriana. Ordenado padre em 12 de março de 1949, na Catedral de São João Latrão, em Roma, retornou ao Brasil em 1951. Foi pároco em Gouveia, onde ficou de 1951 a 1957 e, nesse mesmo período, exerceu ministério de capelão da Companhia Industrial de São Roberto. De 1956 a 1957, assumiu o posto de capelão militar do 3º Batalhão Militar da Polícia Militar de Minas Gerais. Também foi diretor de Ensino Religioso da Arquidiocese de Diamantina e professor de direito canônico no Seminário Provincial.

Em Curvelo, na Região Central, onde foi pároco em 1957 e cônego de 1958 a 1959, dom Serafim também atuou como professor em várias escolas. Sagrado bispo em 7 de maio de 1959, com apenas 34 anos (foi o mais novo bispo do Brasil), se transferiu para BH para ser auxiliar de dom João Resende Costa. Assumiu também os cargos de vigário-geral, administrador e diretor de Ensino Religioso da Arquidiocese, além de se tornar professor de Cultura Religiosa da PUC Minas. A partir de 1960, dom Serafim toma posse como reitor da PUC Minas.

Foram muitas as atividades do religioso. Dom Serafim participou do Concílio Vaticano II, de 1962 a 1965, viajou para vários países, em visita a universidades para participar de seminários e congressos sobre educação e, entre 1978 e 1981, foi membro do Conselho Federal de Educação.

A posse como arcebispo coadjuntor – com direito à sucessão do arcebispo de BH – ocorreu em dia 31 de março de 1983, no Ginásio do Mineirinho, na Pampulha – três anos depois, tomou posse como arcebispo metropolitano. A nomeação como cardeal veio em 18 de janeiro de 1998. A cerimônia de início da trajetória como cardeal foi celebrada em 21 e 22 de fevereiro de 1998 pelo papa João Paulo II, hoje São João Paulo II. O título de arcebispo emérito de BH foi conferido em 2004, quando dom Walmor assumiu o governo da Arquidiocese de BH.


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