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Estado de Minas DESAFIO BIKE BH

Bicicletas compartilhadas: conheça a aposta para consolidar o sistema em BH

Depois de refluxo da oferta de aluguel mediada pelo poder público, BHTrans prepara novo chamamento para aplicativos, com ou sem terminais fixos, mostra a última reportagem da série Desafio bike BH


postado em 19/09/2019 06:00 / atualizado em 30/09/2019 11:18

Enquanto estações eram desativadas, bikes compartilhadas fora de docas chegavam a Belo Horizonte no início do ano(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press - 21/1/19)
Enquanto estações eram desativadas, bikes compartilhadas fora de docas chegavam a Belo Horizonte no início do ano (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press - 21/1/19)


A discussão sobre mais espaço para as bicicletas em Belo Horizonte ganha força a partir do momento em que a cidade vive a realidade das bikes compartilhadas, seja em estações fixas ou soltas de forma individual. Nessa questão, a capital mineira ainda tenta consolidar um serviço de bicicletas alugadas por aplicativo a partir de uma mediação do poder público. Por um lado, a cidade andou para trás na oferta das bikes retiradas em terminais fixos, já que as 40 estações que vigoraram durante cinco anos de contrato com a Serttel e patrocínio do Itaú viraram um novo convênio com apenas 14 estações e todas restritas à orla da Lagoa da Pampulha. Em outra ponta, a cidade assistiu em 2019 à chegada das bikes que ficam fora de terminais, fornecidas pela empresa Yellow, que ainda estão restritas às regiões Centro-Sul, Pampulha e também podem ser retiradas no Bairro Vila da Serra, em Nova Lima, na Região Metropolitana de BH. A BHTrans aposta na republicação, ainda em 2019, de dois chamamentos públicos, um para cada tipo de bike, como forma de incentivar as empresas a oferecerem o serviço em todas as regiões da cidade.



Antes de encerrado o contrato com a Serttel que vigorou de 2014 a 2019, as 40 estações de bicicleta do programa Bike BH ficavam na área central da cidade e também na Pampulha. Mas com o fim do contrato, apenas a própria Serttel se interessou por continuar mantendo o serviço, porém apenas em 14 estações, todas na orla da Pampulha. BH então perdeu 24 estações e toda a cobertura da área central, o que foi um prejuízo muito grande na avaliação do integrante da Associação dos Ciclistas Urbanos de Belo Horizonte, Marcos Gomes. “Bem ou mal o sistema funcionava e a gente atribui o fim dele à falta de fiscalização e de promoção do uso da bicicleta compartilhada pela BHTrans e pela prefeitura”, afirma o ciclista. Segundo Marcos, como o espaço das bicicletas era explorado com publicidade, as pessoas entendiam que aquele era um serviço 100% particular, mas havia um contrato de prestação do serviço com a PBH. “Ele era um sistema com custo relativamente baixo, então a gente tinha viagens durante o dia de pessoas fazendo a conexão com meios de transporte como metrô e ônibus. Você saia da Savassi e chegava até a região da Estação Central, e fazia conexão com metrô e até com ônibus. Com a mudança para a Lagoa da Pampulha vai virar um sistema só de lazer mesmo”, acrescenta.

A ideia da BHTrans foi renovar esse serviço a partir de um chamamento público, em que abriu a possibilidade para a operação de 140 estações de bicicletas em todas as nove regiões da cidade, divididas por lote. Não houve nenhum interessado para as estações fora da orla da lagoa, o que levou a BHTrans a estudar mudanças no chamamento, porém sem nenhum prejuízo ao serviço na lagoa. A expectativa é que a minuta seja republicada ainda este ano. Segundo a coordenadora de Sustentabilidade e Mobilidade da BHTrans, Eveline Trevisan, uma das questões estudadas é a relação bicicletas por vaga nas estações, o que foi um problema no contrato anterior. Ainda não era tão claro, segundo ela, como deveria ser essa relação. Uma das exigências da PBH no convênio anterior era o fornecimento de 400 bicicletas. Mas a empresa alegava que dessa forma o sistema ficaria travado, pois não seria possível retirar uma bicicleta em uma estação e devolver em outra. Mas Eveline Trevisan também acrescenta que foi um contrato difícil de ser gerido por outros problemas. “Ao longo do contrato a gente teve muito problema de gestão por parte deles. Eles tiveram problema de financiamento. Enfim, não foi um contrato fácil de ser gerido. A gente tinha em BH um número muito baixo de viagem/dia por bicicleta”, afirma.

Neste momento, a BHTrans trabalha para republicar não só o chamamento das bikes em terminais fixos, mas também das bicicletas sem o sistema de docas, que hoje é fornecido apenas pela Yellow. A própria Yellow chegou a participar desse chamamento, mas foi inabilitada pela prefeitura por problemas em documentos, o que mostra que a empresa tem interesse de participar do processo capitaneado pela BHTrans. “Nosso objetivo é que a gente tenha bicicletas compartilhadas na cidade toda ou pelo menos em grande parte dela, porque é o sistema é responsável pelo aumento da cultura da bike sem dúvida nenhuma. Você não precisa ter sua própria bicicleta para experimentar pedalar, não precisa fazer esse investimento. Você pode fazer integração modal de forma mais eficiente”, acrescenta Eveline Trevisan.

A avaliação da prefeitura neste momento é que vale mais a pena trazer mais empresas para fornecer os serviços do que manter contrato de exclusividade com uma única companhia. “Estamos tratando no chamamento de corrigir aquilo que achamos que foi equívoco na última licitação, como garantir a relação bicicleta por vaga de forma mais ideal”, completa a coordenadora de Sustentabilidade e Mobilidade da BHTrans.

Mobilidade no pedal


A série Desafio Bike BH é publicada desde domingo pelo Estado de Minas, cujos repórteres mapearam os 90 quilômetros de ciclovias já implantados da capital, além de problemas e atraso nos projetos para a área. A primeira reportagem mostrou que parte das pistas exclusivas se encontra em situação precária. Na segunda-feira, o EM indicou como a insegurança em bicicletários ou a ausência deles em estações de ônibus e metrô encarecem os deslocamentos. A edição de terça revelou que os adeptos das pedaladas são vítimas de 2,6 acidentes a cada dia, causados sobretudo pela disputa de espaço com veículos. Conflito semelhante ao enfrentado na maior ciclovia de BH, na Pampulha, onde a BHTrans pretende elevar um trecho de 7,5km para tirar os ciclistas do mesmo nível dos carros, como revelou ontem a penúltima reportagem da sequência.

Compartilhamento restrito


» Belo Horizonte tem hoje um único serviço de bicicletas compartilhadas funcionando. Ele é fornecido pela empresa Yellow. As bikes ficam estacionadas fora de estações fixas. Elas estão disponíveis nas regiões Centro-Sul, Pampulha e também no Bairro Vila da Serra, em Nova Lima

» O valor é R$ 1 a cada 10 minutos de uso

» Em 8 de setembro, a empresa Serttel inaugurou serviço de bikes compartilhadas em 14 estações da orla da Pampulha, por meio de patrocínio da Unimed

» O serviço custa R$ 2 pelo passe de 30 minutos ou R$ 15 por 30 dias de uso

» A BHTrans quer ampliar os dois serviços na cidade e está concluindo estudos para republicar dois chamamentos públicos, um para cada tipo de serviço


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