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Estado de Minas SAÚDE

Sarampo avança e espera na fila da vacina chega a duas horas em BH

Minas confirma quinto caso da doença. No Brasil, já são 2.753 confirmações e quatro mortes. Suspeita da enfermidade leva hospital particular a interdição temporária


postado em 05/09/2019 06:00 / atualizado em 05/09/2019 07:57

Fila para tomar a vacina no Centro de Saúde Oswaldo Cruz, em Belo Horizonte. Cadastramento obrigatório estica o tempo de espera(foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press )
Fila para tomar a vacina no Centro de Saúde Oswaldo Cruz, em Belo Horizonte. Cadastramento obrigatório estica o tempo de espera (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press )


Com o diagnóstico de um caso de sarampo em Juiz de Fora, chegam a cinco as ocorrências da doença confirmadas em Minas Gerais. Quatro pessoas já morreram em decorrência da enfermidade no Brasil, sendo três em São Paulo e uma em Pernambuco. O avanço da sarampo levou centenas de belo-horizontinos aos centros de saúde em Belo Horizonte ontem. Com filas enormes, a espera durava até duas horas ontem, como verificado nos Centro de Saúde Oswaldo Cruz, no Barro Preto, e no Centro de Saúde Carlos Chagas, no Bairro Santa Efigênia, ambos na Região Centro-Sul da cidade. Pela manhã, o Ministério da Saúde divulgou levantamento que confirma 2.753 casos no país, aumento de 18% em relação ao boletim anterior. A vacina contra a doença pode ser encontrada, gratuitamente, em todas as unidades do Sistema Único de Saúde (SUS).

A agente de viagens Juliana Oliveira, de 48 anos, aguardou por duas horas no Centro de Saúde Carlos Chagas para conseguir se vacinar. Ela chegou às 9h30 e, próximo das 11h30 ainda não havia sido atendida, embora tivesse de posse da senha de número 22. Juliana atribuiu a espera ao fato de haver muitas pessoas com prioridade, crianças e maiores de 60 anos.

Outro fator apontado para a demora é a obrigatoriedade de as pessoas fazerem cadastro antes de receberem a imunização. Mesmo considerando o tempo longo, ela disse que não voltaria para casa sem a vacina em função de outro problema de saúde. Juliana trata de artrite reumatoide, o que faz com que tenha que usar medicamentos imunossupressores. “O medicamento para artrite faz cair minha imunidade. Então, para tomar a vacina contra o sarampo, tive que suspendê-lo”, informou. O medo de Juliana era que a espera se prolongasse ainda mais e ela tivesse uma crise de artrite. A dona de casa Wanderlânia Monteiro, de 49, não teve a mesma paciência para aguardar. Com a senha de número 49, ela resolveu ir em casa e voltar mais tarde. “Fui vacinada quando era criança, mas achei melhor me vacinar novamente. Não custa prevenir”, afirmou.

A procura também foi grande no Centro de Saúde Oswaldo Cruz, no Barro Preto. O auxiliar de produção Milton Brito Álves, de 32, separou um tempo na manhã de ontem para se vacinar. "Vimos nos jornais que algumas pessoas morreram devido às complicações do sarampo. E como soube que havia uma campanha, vim receber a vacina", disse.

Os irmãos Fernando Augusto Carvalho, de 19, e Bárbara Carvalho, de 15, foram juntos para serem imunizados. Eles não acreditam que o vírus esteja próximo de onde vivem. Segundo eles, não há notificação na vizinhança, mas, ainda assim, consideram fundamental se vacinar. A imunização coletiva é fundamental para que a doença seja erradicada – é a chamada imunização de rebanho.

O motorista Cléver Tadeu de Lima Rocha, de 60, resolveu se vacinar pela obrigação profissional de viajar para outras cidades brasileiras, inclusive São Paulo, onde há um surto. "Minha mãe tinha pouca instrução, então não tenho certeza se fui vacinado na infância. Viajo muito para São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Brasília", afirmou. Cléver também teve que esperar quase uma hora para se vacinar. “O que demora é o cadastro, que tem que ser feito”, disse.

Interdição


Além da demora na vacinação, o dia de ontem ficou marcado pela interdição temporária de mais um equipamento de saúde na Grande BH por conta da suspeita de sarampo. Depois do Hospital Infantil São Camilo, o Hospital Vila da Serra, em Nova Lima, passou pelo protocolo de bloqueio e desinfecção. Os serviços ficaram interrompidos por aproximadamente quatro horas no pronto-atendimento infantil, segundo uma funcionária que não quis se identificar. Em 15 dias, 33 unidades de saúde tiveram seus expedientes suspensos por algumas horas só em Belo Horizonte.

No início da semana, casos suspeitos da doença levaram a interdições no Sistema Único de Saúde e na Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) do Bairro Mantiqueira, na Região de Venda Nova. Na terça-feira, também tiveram as atividades suspensas por duas horas o Hospital do Ipsemg, duas unidades de pronto-atendimento (UPAs) e quatro postos de saúde. O protocolo prevê, em casos de suspeita da doença, o fechamento do local, a desinfecção e a vacinação de todas as pessoas presentes.

Zona da Mata


Minas Gerais pode estar prestes a passar o número de contaminações registrado em 1999, último ano com casos autóctones (transmitidos dentro do próprio território), quando houve nove diagnósticos. O novo caso da doença foi registrado em Juiz de Fora, na Região da Zona da Mata. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, o paciente com a doença é um adolescente de 16 anos que tinha somente uma dose da vacina tríplice viral, morador do Bairro Novo Horizonte. “Durante a investigação, foi constatado que o adolescente esteve em outra cidade e em contato com parentes que residem em São Paulo, região onde há surto da doença”, informou a pasta.

Juiz de Fora ainda investiga um outro caso, em uma garota de 1 ano e 9 meses, do Bairro Morro da Glória. A paciente também tomou apenas uma dose da vacina tríplice viral – que protege, ainda, contra a caxumba e a rubéola. “O caso está em investigação. Uma amostra de sangue foi colhida e enviada para a Funed, a fim de descartar ou comprovar o caso por meio de exames mais complexos, como o de sorologia”, afirmou a prefeitura. O caso confirmado ainda não entrou para o balanço da Secretaria Estadual de Saúde (SES/MG). A pasta informou, ontem, que a situação do paciente ainda será investigada. Só depois o registro poderá ser incluído no levantamento.

Últimos dados divulgados pela pasta mostram que são quatro casos confirmados e outros cinco pacientes com exames preliminares positivos. O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Kleber, apresentou o balanço dos casos de sarampo no país e novas estratégias de bloqueio da doença a serem adotadas pelos estados. A incidência da doença está maior entre pessoas de 20 a 29 anos. Foram confirmados 2.753 casos. Os estados de São Paulo e Pernambuco registram óbitos de sarampo neste ano. De acordo com o novo boletim epidemiológico da doença, entre 9 de junho a 31 de agosto, o Brasil notificou 20.292 suspeitas de sarampo.

Escassez


O Estado Minas entrou em contato ontem com cinco laboratórios privados diferentes e todos estão com vacinas contra o sarampo esgotadas. Segundo eles, no momento, não há previsão de disponibilidade da tetraviral, que também protege contra caxumba, rubéola e catapora. O imunizante custa em média de R$ 50 a R$ 60 na rede privada.


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