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Estado de Minas INCLUSÃO

Superar põe esporte e inclusão ao alcance de alunos da UFMG; veja regras

Programa da Prefeitura de BH que já atende a mais de 900 pessoas com deficiência chega à maior federal de Minas


postado em 11/08/2019 04:00 / atualizado em 11/08/2019 08:48

Deanne Silva de Almeida (D): 'Por meio do judô fiz amizades e modifiquei minha vida'(foto: leandro couri/em/d.a press)
Deanne Silva de Almeida (D): 'Por meio do judô fiz amizades e modifiquei minha vida' (foto: leandro couri/em/d.a press)
O judô se tornou os olhos pelos quais Deanne Silva de Almeida, de 37 anos, vê o mundo. A prática do esporte olímpico permitiu a ela voltar a enxergar, depois de ter perdido parcialmente a visão aos 8 anos de idade e de a deficiência ter, por uma década, gerado a sensação de que a vida se restringiria ao percurso entre a casa e a escola. Aos 19 anos, tudo mudou quando ela foi apresentada ao tatame.

 

A prática virou a vida dela de ponta a cabeça e ela deu um golpe definitivo na limitação. Como ocorreu com Deanne, outras 936 pessoas com algum tipo deficiência também têm a chance de buscar a superação por meio da prática esportiva: o programa Superar, da Prefeitura de Belo Horizonte, atende alunos com restrições físicas, visuais, intelectuais, auditivas, múltiplas e com autismo em 16 modalidades esportivas. Agora, o projeto fica também ao alcance de estudantes da Universidade federal de Minas Gerais (UFMG).

 

O novo núcleo do Superar já está funcionando, graças a parceria do programa com o Departamento de Esportes da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da UFMG, do Centro Esportivo Universitário (CEU) e do Núcleo de Acessibilidade e Inclusão da federal. Na primeira fase de implantação do programa universitário, 20 alunos participarão no CEU de aulas ministradas pelos alunos de educação física da instituição de ensino superior. São oferecidas 16 modalidades: atletismo, basquetebol, bocha regular, bocha paralímpica, dança, futsal, goalball, judô, natação, patinação, rúgbi em cadeira de rodas, tênis de mesa, voleibol sentado, parataekwondo, funcional e percussão.

 

Uma chance para que outros sigam o exemplo de Deanne. Ela foi apresentada em 2001 ao judô como prática esportiva em que poderia expandir suas limitações. Dois anos depois, integrou o Superar a convite de Marcelo Mendes, técnico da equipe de esportistas da Associação dos Deficientes Visuais de Belo Horizonte (Adevibel). Em 2003, Marcelo foi integrar o projeto Superar e a convidou. Atualmente, ele é o gerente de Paradesporto da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer e um dos responsáveis pelo programa que foi criado em 1994.

 

Em 2003 foi inaugurado o primeiro Centro de Referência Esportiva para a Pessoa Portadora de Deficiência, no Bairro Carlos Prates, na Região Noroeste da capital. Com o espaço disponível para treinamentos, a equipe, composta por 10 deficientes visuais, passou a ter local e horário para treinar com regularidade. “Adquiri a deficiência com 8 anos. Até os 19 anos, minha vida era escola e casa. Não tinha vida social ativa. Hoje o judô representa muito para mim. Fiz amizades e modifiquei minha vida. Por meio dele consegui a inclusão”, relata.

 

O esporte encantou Deanne a ponto de ela se dedicar de tal forma aos treinos que a fez alcançar performances de alto rendimento. Foi convocada para a Seleção Brasileira de Judô. E o caminho da escola para casa, de casa para a escola ficou para trás. Ela ganhou asas e viajou o mundo para disputar competições nacionais e internacionais. Competiu nas paraolimpíadas de Pequim, em 2008, e Londres, em 2012. Nos jogos pan-americanos do Canadá, em 2015, e México, em 2011. Representou o Brasil em três mundiais de judô: Turquia, em 2010, EUA, em 2014, e Coreia do Sul, em 2015. Disputou torneios abertos na Alemanha, em 2014 e 2016.

 

A deficiência pede algumas adaptações para a prática dos esportes, mas, os atletas mais que qualquer outro busca superar as limitações. “O atleta com deficiência tem o mesmo compromisso do atleta de visão normal”, diz Deanne. O programa Superar, como destaca, foi fundamental em todas as etapas da carreira da jovem: “Desde quando comecei, ao integrar a seleção e em toda etapa em que fui atleta de alto rendimento”.

 

Com trajetória exemplar, Deanne defende que o programa pode revelar atletas, mas a importância vai além, pois se torna espaço de socialização de pessoas com deficiência, que muitas vezes, estavam excluídas de alguma maneira. “Ali é nosso lugar. O programa contribui para melhorarmos nossas habilidades. É fundamental para deficientes que estão vindo aí. Além de ter a possibilidade de serem atletas de alto rendimento. Mas o objetivo principal do programa é a qualidade de vida para essas pessoas”, pontua.

 

Para se inscrever no Superar, o participante tem que ter idade superior a 6 anos e apresentar laudo de deficiência. “O programa tem objetivo de demonstrar a potencialidade da pessoa com deficiência, trabalhar a autoestima e a relação social. Como política pública, tem o propósito, de para além do atendimento, promover a formação e capacitação”, diz o gerente de Paradesporto Marcelo Mendes.

 

O programa tem duas unidades de referência (Centro de Referência Esportiva para a Pessoa Portadora de Deficiência e Escola Municipal de Ensino Especial Frei Leopoldo) e sete núcleos regionalizados: Colégio Marconi, Clube Palmeiras, escolas estaduais de ensino especial Amaro Neves e João Moreira Salles, Associação de Deficientes Visuais de Belo Horizonte e Associação de Surdos. (MMC)

 

O programa em números

  • 2 centros de referência

  • 7 núcleos personalizados

  • 16 modalidades esportivas

  • 936 alunos inscritos

  • 10 profissionais de educação física

  • 29 estagiários

  • 1 médico

Para participar

  • Ter acima de 6 anos de idade
  • Apresentar laudo de deficiência. 
      
  • Informações: 
  • superar@pbh.gov.br e pelos 
  • telefones 3277-4546 e 3277-7681

 

Fonte: Secretaria Municipal de Esporte e Lazer 

 Enquanto isso... UFMG fora do Future-se 

O Conselho Universitário da UFMG decidiu recomendar a não adesão da universidade ao Programa Future-se, lançado pelo governo federal no mês passado. Foram apresentados como argumentos para a posição a complexidade do tema, o pouco tempo para esclarecimentos, a falta de clareza, a insegurança jurídica e a ameaça à autonomia universitária.

 

“Os eixos centrais da proposta, cujas ações seriam delegadas a uma organização social, não levam em consideração os princípios que caracterizam as universidades públicas brasileiras: a articulação entre ensino, pesquisa e extensão, que busca a formação acadêmico-científica de excelência aliada a uma formação cidadã”, pontuou, em nota, o órgão máximo de deliberação da federal, presidido pela reitora Sandra Regina Goulart Almeida.

 

O texto lembra que o governo federal não anunciou ainda medidas para reverter o bloqueio de cerca de 30% imposto aos orçamentos das federais – no caso da UFMG, os cortes em custeio chegam a R$ 64,5 milhões. 


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