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Estado de Minas

Casal perdido no Pico da Pedra da Mina é procurado por Bombeiros no Sul de MG

Os aventureiros queriam subir e descer o quarto mais alto pico do Brasil neste domingo, mas devido à neblina e chuva se perderam. Bombeiros fazem buscas para localizá-los


postado em 04/08/2019 14:30 / atualizado em 04/08/2019 14:50

Pico da Pedra da Mina encoberto por neblina. Local é sujeito a chuvas imprevisíveis(foto: Ramon Lisboa/EM/D.A.Press)
Pico da Pedra da Mina encoberto por neblina. Local é sujeito a chuvas imprevisíveis (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A.Press)

Um casal que percorreu as trilhas da Serra Fina até o Pico da Pedra da Mina se perdeu e é procurado pelo pelotão do Corpo de Bombeiros Militar de São lourenço, no Sul de Minas. De acordo com a corporação, na manhã deste domingo (04) eles se perderam no retorno a Passa Quatro e a mulher fez contato via telefone, por volta das 9h30, pedindo socorro.

Por volta das 10h30, os socorristas chegaram a Passa Quatro e iniciaram as buscas pelos caminhos que se interseccionam com a chamada Trilha do Paiolinho, a via que leva à Pedra da Mina. O casal teria iniciado a trilha por volta das 6h e pretendia regressar no mesmo dia. Enfrentaram neblina e baixas temperaturas, o que além de ter contribuído para que se perdessem, ainda dificulta o trabalho de regate. A cadeia montanhosa também enfrenta instabilidade, com chuvas imprevisíveis. Na região há, inclusive, expectativa de neve nos cumes, como na vizinha Serra de Itatiaia, entre o Rio de Janeiro e Minas Gerais.

A Pedra da Mina, com seus 2.798 metros, é a segunda mais alta montanha de Minas Gerais, na divisa entre São Paulo e Minas Gerais, atrás do Pico da Bandeira, que se eleva a 2.892 metros e fica entre Minas Gerais e Espírito Santo. É o quarto mais alto pico do Brasil.

Nos últimos anos, o número de pessoas que desafia as formações rochosas da Mantiqueira tem aumentado consideravelmente. Isso tem trazido também mais trabalho para os Bombeiros, já que a quantidade de pessoas perdidas ou acidentadas também aumentou.

O casal entra para uma estatística que conta até com atletas experientes em montanhas internacionais, como foi o caso da morte do corredor de montanhas francês Eric Gilbert Welterlín, de 53 anos, cujo corpo foi encontrado em 5 de maio de 2018, depois de se aventurar no Pico dos Marins, na mesma cadeia montanhosa do Sul mineiro.

Corredor francês Eric Gilbert Welterlín morreu na Mantiqueira treinando corrida de montanha(foto: Divulgação)
Corredor francês Eric Gilbert Welterlín morreu na Mantiqueira treinando corrida de montanha (foto: Divulgação)
Eric morreu de hipotermia a menos de mil metros de uma das fazendas da região, depois de se perder e percorrer mais de 10 quilômetros na tentativa de retomar a trilha correta (veja na página ao lado a reconstituição dos últimos passos do atleta). Já estava morto havia pelo menos 12 horas quando as primeiras equipes de bombeiros, policiais, militares e voluntários iniciaram as buscas pelo seu paradeiro, como mostram laudos do inquérito sobre o incidente, encerrado pela Polícia Civil de Itajubá, no Sul de Minas.

Na manhã de 16 de abril, o francês iniciou a corrida para atingir o Pico dos Marins, de 2.420 metros de altitude, numa trilha dividida entre Minas Gerais e São Paulo, também na Serra da Mantiqueira e a 20 quilômetros da Pedra da Mina. Ao todo, somando-se os esforços de equipes mineiras e paulistas, mais de 100 pessoas se envolveram nas operações de buscas, que contaram também com cinco helicópteros, além de drones.

As investigações reconstituíram os momentos finais do atleta francês. Ele conseguiu sobreviver por cerca de 26 horas, mas não tinha abrigo nem material para se proteger. Em seu pulso foi encontrado um relógio com sistema de posicionamento global, o único meio de navegação de que Eric dispunha, mas que já o tinha levado a se perder em 2014, segundo informações dos bombeiros.

Em 5 de julho de 2018, o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais e a Polícia Militar de São Paulo resgataram o paulista de Campinas Luís Cássio Bezerra de Santana, de 27 anos, que ficou perdido por oito dias depois de ter entrado na Serra Fina, em Minas Gerais, com o objetivo de chegar até a Pedra da Mina. Até o desfecho dos trabalhos foram três dias de buscas, que envolveram meia centena de militares, guias experientes, nove viaturas e duas aeronaves de corporações dos dois estados.

Ao escutar a passagem do helicóptero Águia, da PM paulista, o jovem fez acenos e foi localizados. Porém, devido às dificuldades de pouso, uma equipe de solo fez o trabalho de resgate.  

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