Publicidade

Estado de Minas SAIBA COMO SE PROTEGER

Onda de frio eleva risco de doenças como a gripe, que já matou nove pessoas em BH

Depois de a cidade registrar o dia mais gelado em 40 anos, temperaturas tendem a seguir baixas na capital e no estado. Umidade relativa do ar em torno de 30% agrava mais os riscos


postado em 08/07/2019 06:00 / atualizado em 08/07/2019 07:50

Belo-horizontinos tiraram os agasalhos do armário logo cedo para se proteger no dia mais frio desde 1979. Temperaturas caíram a 5,7°C (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
Belo-horizontinos tiraram os agasalhos do armário logo cedo para se proteger no dia mais frio desde 1979. Temperaturas caíram a 5,7°C (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
  
Em 40 anos, Belo Horizonte não tinha registrado uma temperatura tão baixa quanto no início da manhã de ontem. Os termômetros posicionados na estação do Cercadinho, na Região Oeste de BH, marcaram 5,7°C, patamar nunca alcançado desde 1979 na capital mineira. Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mostram que a sensação térmica alcançou -9°C no Cercadinho, dando a dimensão real do inverno em BH. Em Minas, novo recorde. A temperatura abaixo de zero em Monte Verde, distrito de Camanducaia, no Sul do estado, alcançou -2,1°C, a mais baixa de 2019. Em BH, quem precisou sair de casa no domingo teve que usar um bom casaco para encarar o inverno que, enfim, deu demonstrações de ter chegado. O clima gelado e possibilidade de umidade abaixo de 30% no estado à tarde agravam o risco para as doenças respiratórias. Na capital, nove pessoas já perderam a vida depois de contrair o vírus Influenza, sendo que oito pelo tipo H1N1, que provocou uma pandemia em 2009.

A mistura de tempo frio e seco é um dos principais motivos para o aumento dos casos de doenças respiratórias. Dados da Secretaria Municipal de Belo Horizonte (SMSA) mostram que o número de doentes vem aumentando. Já são 61 casos confirmados de gripe provocados pelo vírus Influenza. Destes, 86,8% foram provocados pelo H1N1. Também foram registrados um caso por H3N2, seis por vírus não subtipáveis e um por Influenza B. Já em relação às mortes, foram oito por H1N1, e uma pelo tipo A não subtipável. Apesar de a cidade ter batido  a meta de vacinação do público-alvo, os moradores ainda correm o risco de serem infectados e/ou terem outros tipos de doenças típicas da época, como alergias, resfriados ou enfermidades respiratórias provocadas por bactérias.

Hábitos simples de higiene são a chave da prevenção, dado que a concentração de pessoas em ambientes fechados favorece a circulação de diversos tipos de vírus respiratórios, inclusive o da influenza. De acordo com o Ministério da Saúde, o vírus permanece vivo no ambiente por até 72 horas e, em superfícies como corrimões, maçanetas e torneiras, por até 10 horas. Por isso, é importante evitar tocar olhos, nariz e boca depois de contato com essas superfícies. É recomendado ainda higienizar as mãos com água e sabão, ou com álcool gel, principalmente depois de tossir ou espirrar; depois de usar o banheiro; antes de comer; antes e depois de tocar os olhos, a boca e o nariz. As medidas valem para outras doenças contagiosas.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que o simples ato de lavar as mãos reduz em até 40% o risco de contrair doenças como gripe, diarreia, infecção estomacal, conjuntivite e dor de garganta. A Secretaria de Estado de Saúde (SES) lembra que é recomendado usar água limpa e sabonete, lavar integralmente toda a superfície da mão, iniciando pelas palmas, com atenção também às pontas dos dedos, com o espaço entre eles, com as unhas, o dorso da mão e lavando até a região do punho. Esse processo pode ser complementado pelo uso de álcool em gel.

(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
 
(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)


CRIANÇAS E IDOSOS Outra ação que faz diferença é evitar proteger a tosse e o espirro com as mãos, usando para isso, preferencialmente, lenço de papel descartável. Também se deve evitar contato com pessoas que apresentem a síndrome gripal. Os cuidados de higiene devem ser redobrados com crianças e idosos. O Ministério da Saúde chama a atenção que, no caso das crianças, é recomendável – especialmente no ambiente escolar – que além das mãos, os brinquedos e objetos de uso comum sejam lavados com água e sabão ou higienizados com álcool gel a 70%. Nas creches, também é importante evitar que as crianças durmam muito próximas. A distância ideal entre elas é de um metro.

Já para os idosos, o perigo está nas complicações advindas da gripe, como a pneumonia e agravamento de doenças crônicas, entre elas a hipertensão e diabetes. Uma, entre as várias formas de prevenção, é a vacina contra a gripe, que foi ofertada durante a campanha de imunização ocorrida entre abril e maio.

Beber bastante líquido (água, chá e sucos naturais) é também fundamental para ajudar o organismo a combater a infecção causada pela gripe ou resfriado. A ingestão de líquido facilita ainda a eliminação da secreção que entope o nariz e deixa o pulmão carregado.

Massa polar mantém termômetros em baixa


O recorde de frio ontem chegou acompanhado de muito vento em diferentes pontos da capital mineira, o que reforçou a sensação térmica baixa, como normalmente é esperado para os períodos de inverno mais intenso. Na Avenida Afonso Pena e na Feira Hippie, centenas de pessoas só saíram à rua encapotadas. Tudo isso por causa de uma massa de ar polar que atuava no Sul do Brasil e chegou a Minas Gerais no sábado, com perspectiva de ainda mais frio na madrugada e manhã de hoje. A expectativa dos meteorologistas é que a passagem dessa massa de ar polar mantenha as temperaturas baixas por mais três dias em todo o estado, com mínima de 6°C hoje em BH e -1°C no Sul do estado. Na Grande BH pode chegar a 4°C.

Belo Horizonte não registrava uma temperatura tão baixa desde 1979, quando os termômetros marcaram 3,1°C em 1º de junho daquele ano, de acordo com os registros do Inmet. Considerando apenas os meses de julho, não fazia tanto frio desde 7 de julho de 1975, quando os termômetros marcaram a mínima de 5,4°C na capital.O frio também bateu recorde na região serrana do Sul de Minas, trazendo a temperatura mais baixa de 2019 em Monte Verde, distrito de Camanducaia. Os termômetros no famoso destino turístico marcaram -2,1°C às 3h da madrugada, provocando muito frio no lugarejo. Antes dessa marca, o recorde em 2019 tinha sido obtido em 5 de junho, quando a temperatura chegou a 1,6°C em Maria da Fé.

No Sul de Minas, a mínima foi de -2,1°C em Monte Verde, distrito de Camanducaia, a menor marca deste ano. A geada cobriu a vegetação(foto: Associação de Hotéis e Pousadas de Monte Verde/Divulgação)
No Sul de Minas, a mínima foi de -2,1°C em Monte Verde, distrito de Camanducaia, a menor marca deste ano. A geada cobriu a vegetação (foto: Associação de Hotéis e Pousadas de Monte Verde/Divulgação)


Outras cidades do estado também sentiram o frio na manhã e madrugada de ontem. Em Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, cidade conhecida pelo calor intenso, os termômetros marcaram -0,1°C. Outras temperaturas negativas foram registradas em São Sebastião do Paraíso, no Sul de Minas, com -0,5°C, e Maria da Fé, na mesma região, com -2,0°C. O frio em Maria da Fé também produziu belas imagens na cidade do Sul do estado.Em Uberaba, no Triângulo Mineiro, fez 3,5°C. Juiz de Fora, na Zona da Mata, marcou 7,3°C e Barbacena, no Campo das Vertentes, registrou 5,7°C. Em Poços de Caldas, no Sul do estado, agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) encontraram o terreno do posto da corporação coberto por geada.

E os moradores devem se preparar. A presença de massa de ar frio polar vai continuar deixando as temperaturas baixas no território mineiro. “A onda de frio ainda segue presente neste início de semana sobre Minas Gerais. A umidade relativa do ar tende a atingir valores inferiores a 30% à tarde em grande parte do estado”, explicou o Inmet em seu boletim diário. “Há previsão de formação de geada em pontos isolados da região sul do estado”, alertou.

O frio vai atingir todas as regiões do estado. De acordo com o Inmet, no Sul do Estado, os termômetros devem marcar temperaturas negativas, de até -1°C. Em BH, pode chegar a 6°C, no Noroeste do Estado, 9°C, Norte, 10°C, Jequitinhonha, 8°C, no Rio Doce e Mucuri, 11°C, Zona da Mata, 6°C, Oeste, 5°C, Triângulo e Alto Paranaíba, 4°C, e na Região Central, 9°C. (GP)

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade