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Estado de Minas

Projeto Cariúnas busca recursos para continuar atendendo jovens vulneráveis em BH

Após fim de contrato de parceria, programa social faz campanha na internet para manter espaço que oferece aulas de música e dança a crianças e adolescentes na Região Norte da capital mineira


postado em 24/06/2019 06:00 / atualizado em 24/06/2019 08:39

Crianças ensaiam no Cariúnas, projeto social que deu vida ao sonho de professora da UFMG de ensinar música a jovens que não teriam outra forma de acesso ao aprendizado(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A PRESS)
Crianças ensaiam no Cariúnas, projeto social que deu vida ao sonho de professora da UFMG de ensinar música a jovens que não teriam outra forma de acesso ao aprendizado (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A PRESS)

A arte como veículo transformador. Essa é a missão do projeto Cariúnas, um programa sociocultural voltado para crianças e adolescentes, que oferece oportunidades para o desenvolvimento de suas habilidades artísticas. Nas segundas, quartas e sextas-feiras, cerca de 300 jovens, de 7 a 18 anos, participam de uma programação intensiva de aulas de música, canto, dança e instrumentos, desfrutando de um espaço estimulante e humanizado.

Entretanto, o Parque Escola Cariúnas, no Bairro Planalto, na Região Norte da capital mineira, corre risco de fechar as portas até agosto devido ao fim do contrato de parceria com a Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), encerrado em abril. Coordenadores, professores e alunos se juntam para arrecadar fundos por meio de eventos e vaquinha virtual para continuar mudando a vida de jovens em situação de vulnerabilidade.

O projeto Cariúnas foi criado em 1997 pela professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Tânia Mara Lopes Cançado e já ajudou mais de 2 mil crianças e adolescentes. “Tânia era idealizadora de um projeto da Escola de Música da UFMG, o Centro de Musicalização Infantil. Quando ela se aposentou, decidiu dar vida ao sonho de ajudar pessoas que jamais teriam a oportunidade de estudar música. O Cariúnas nasceu em um espaço emprestado no Bairro Primeiro de Maio, na Região Norte de Belo Horizonte”, contou a coordenadora pedagógica da instituição filantrópica, Adriana Alves. Porém, o espaço ficou pequeno para tantas crianças interessadas em tocar uma flauta – muitas vezes, sem conhecer nem mesmo uma nota musical – ou colocar uma sapatilha para deslizar os pés pelos palcos. Em 2007, a sede se transferiu para o Parque Escola Cariúnas, no Bairro Planalto, onde conta com teatro para 150 lugares, bem como com uma quadra de futebol society.

Uma das principais características do projeto é a produção de musicais, que levam aos palcos de grandes espaços culturais a difícil arte de dançar e cantar simultaneamente. Desde sua criação, o Cariúnas já produziu 14 espetáculos, entre eles uma releitura do musical Da bossa ao tango – Jobim e Piazzolla. O projeto é coordenado por uma equipe de professores que conta com profissionais graduados em música e em dança, acompanhados por uma direção pedagógica e administrativa. Os alunos entram com 7 anos no Cariúnas e lá permanecem até os 18. A coordenadora conta que 90% deles concluem os estudos e saem prontos para o mercado de trabalho. Muitos retornam ao projeto para multiplicar seus conhecimentos. “Temos professores que começaram como alunos, aprenderam, cresceram e hoje escolheram a música como a área de atuação”, explicou Adriana.

É o caso da Tyara de Paulo, de 31 anos, que faz parte do grupo de docentes da instituição. “Sempre gostei muito de música. Conheci o projeto aos 9 anos e aqui fiquei até os 18. Foi então que decidi entrar na faculdade de música. O projeto me ajudou a encontrar minha profissão. Assim como ajudou muitas outras crianças da comunidade, tirou muitos jovens da rua. Na época, não tinha outro projeto acessível para participar”, contou. O caminho de Tyara atrai os atuais alunos. Sofia Carvalho, de 13, é uma das participantes do projeto que já pensa em seu futuro na instituição filantrópica. “Entrei aos 7 anos e conheci o violino. Foi o meu primeiro instrumento de corda e eu me apaixonei. Escolhi levá-lo para minha vida”, contou. Ela acredita que nas escolas em geral a música é muito desvalorizada, enquanto no projeto ela pode aprender: “Transformou minha vida. Cariúnas não pode acabar.”

Com produção de musicais, a difícil arte de cantar e dançar simultaneamente é ponto forte do programa(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A PRESS)
Com produção de musicais, a difícil arte de cantar e dançar simultaneamente é ponto forte do programa (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A PRESS)


PARA MANTER O SONHO Cariúnas enfrenta grave problema financeiro depois do encerramento da principal parceria. De acordo com a coordenadora, o custo mensal para manter o espaço é de R$ 50 mil, sendo que 30% eram repassados pela Fiemg. “Em abril, venceu o contrato e eles não renovaram devido à crise financeira. Foi um baque muito grande. Contávamos com aquele valor. Agora, estamos nos empenhando em fazer eventos, como festa junina e vaquinha nas redes sociais para nos manter. A gente está sob risco seriíssimo de fechar as portas até agosto”, lamentou.

Quem quiser ajudar pode acessar a vaquinha on-line (https://www.vakinha.com.br/vaquinha/593292) com o objetivo de arrecadar fundos para ajudar a cobrir parte das despesas financeiras. O objetivo é alcançar pelo menos R$ 20 mil. Até o fechamento desta edição, haviam sido arrecadados R$ 3.065, o equivalente a 15,33% do valor esperado. A vaquinha termina em 31 de julho. O Cariúnas busca também novas parcerias. “A situação é triste. O projeto é a transformação vista claramente. Os alunos chegam tímidos, muitos com questões emocionais, em situação de vulnerabilidade. Eles saem daqui passando em primeiro lugar na UFMG”, disse.

Adolescentes durante aula na escola, que oferece formação para meninos e meninas dos 7 aos 18 anos(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A PRESS)
Adolescentes durante aula na escola, que oferece formação para meninos e meninas dos 7 aos 18 anos (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A PRESS)

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