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Estado de Minas

Confirmação de sarampo em criança de BH reforça alerta para déficit na vacinação

Caso é o primeiro em 20 anos contraído dentro do estado, onde a cobertura vacinal está 74,14% para a primeira dose e em 41,43% para a segunda. Investigação epidemiológica aponta a capital como provável local de contaminação


postado em 07/06/2019 06:00 / atualizado em 07/06/2019 07:54

 De acordo com o calendário de vacinação de rotina, as crianças devem tomar a primeira dose aos 12 meses de idade e a segunda, aos 15(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press - 01/09/2018)
De acordo com o calendário de vacinação de rotina, as crianças devem tomar a primeira dose aos 12 meses de idade e a segunda, aos 15 (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press - 01/09/2018)


A circulação do vírus do sarampo em Minas Gerais preocupa as autoridades de saúde. A doença, que é altamente contagiosa e tem sintomas parecidos com os da dengue, o que pode gerar subnotificação, já infectou quatro pessoas no estado. O último caso confirmado é de uma criança de 1 ano, moradora de Belo Horizonte. É o primeiro caso autóctone – com transmissão dentro do estado – desde 1999. E, de acordo com a prefeitura da capital, as investigações epidemiológicas apontam a cidade, onde nenhum caso autóctone ocorria desde 1997, como o local mais provável de contágio. Outras 38 notificações estão sendo investigadas, sendo oito na capital mineira. Os casos alertam para a cobertura vacinal, que está em 74,14%, na primeira dose, e 41,43% na segunda, bem abaixo do preconizado. A forma mais eficaz se de evitar a moléstia é por meio da vacina tríplice viral, que protege ainda contra a rubéola e a caxumba. As doses estão à disposição da população, gratuitamente, durante todo o ano nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS). São necessárias duas doses da vacina para pessoas de até 29 anos. Quem passou dessa idade precisa ter tomado uma única dose do imunizante.

O sarampo preocupa por causa do seu alto grau de contágio. A transmissão pode ocorrer de uma pessoa a outra por meio de secreções expelidas ao tossir, falar, espirrar ou até na respiração. Sua disseminação pode se dar ainda por dispersão de gotículas no ar, em ambientes fechados. O último caso confirmado em Minas Gerais, foi o da criança moradora de Belo Horizonte. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES/MG), o paciente tinha recebido a primeira dose da vacina em novembro de 2018, mas não chegou a tomar a segunda, que deveria ser aplicada três meses depois. De acordo com o calendário de vacinação de rotina, as crianças devem tomar a primeira dose aos 12 meses de idade e a segunda, aos 15. A criança começou a apresentar os sintomas em 12 de fevereiro e foi atendida em uma Unidade Básica de Saúde (USB) de BH. Depois, transferida para a Unidade de Pronto-Atendimento. No período de incubação do sarampo, a criança viajou com a família para Carmópolis de Minas, na Região Centro-Oeste, e esteve na casa de parentes em Contagem, na Grande BH. “Durante o período de transmissibilidade, a criança estudava em Umei e foi à UBS local para primeiro atendimento, mas nesse período não foi evidenciada situação de risco nem contato com outros suspeitos. Foram realizados a investigação e exames, confirmando laboratorialmente a doença como sarampo em uma das duas coletas testadas pela Funed e pelo exame de pesquisa de Biologia Molecular pela Técnica de PCR, no Laboratório de Referência Nacional (Fiocruz/RJ)”, explicou a pasta.

BLOQUEIO A Secretaria Municipal de Saúde afirmou que, assim que recebeu notificação do caso, avaliou o cartão de vacina e fez bloqueio vacinal das pessoas que tiveram contato com o paciente. “Além disso, a Secretaria  divulgou informes aos profissionais dos estabelecimentos da rede pública e privada, orientado sobre sintomas e tratamento da doença”, informou a pasta. Essa ação de bloqueio evitou transmissão secundária, avalia a Saúde municipal.Desde o início do ano, foram notificados 137 casos suspeitos de sarampo em 53 municípios mineiros. Na Grande BH, foram mais três casos: um italiano, que vivia em Betim, mas que tinha histórico de viagem recente à Croácia e à Itália nos meses de dezembro de 2018 e janeiro de 2019; um jovem de 25 anos, morador de Contagem, que não tinha comprovação vacinal; e uma adolescente de 13 anos, portadora de lúpus, que mora em BH. A paciente esteve em Porto Seguro, na Bahia, em janeiro. No cartão de vacinação, havia a marcação de uma dose de tríplice viral em 2011.

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