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Estado de Minas

PBH contabiliza 31 casos notificados de febre maculosa

Pacientes apresentam os sintomas da doença, mas ainda não há confirmação do diagnóstico, que depende de conclusão da análise laboratorial


postado em 04/06/2019 21:57 / atualizado em 04/06/2019 22:07

Imagem meramente ilustrativa(foto: Secretaria Municipal de Contagem/Reprodução)
Imagem meramente ilustrativa (foto: Secretaria Municipal de Contagem/Reprodução)

 

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), investiga 31 casos de febre maculosa na capital mineira. Os pacientes apresentam sintomas da enfermidade. A doença tem como principais indícios dores localizadas, vômito e manchas vermelhas.


A pasta de saúde ressaltou que menos de 5% dos casos notificados são confirmados, com base no levantamento histórico da doença na cidade. Nos últimos 12 anos, segundo a secretaria, foram notificados 494 casos de febre maculosa em moradores da capital.


Destes, apenas 20 foram confirmados. Ainda assim, nove evoluíram para óbito. Ou seja, 45% dos infectados perderam a vida na cidade no período.


Dos 20 casos confirmados, em só quatro a infecção ocorreu em Belo Horizonte, ainda de acordo com a saúde municipal. Nos demais, a contaminação foi em outro município ou não foi possível detectar o local de infecção.


O órgão acompanha e monitora os casos. A pasta, inclusive, já emitiu alerta aos profissionais do setor para que fiquem de sobreaviso para atender pacientes com sintomas da doença.


O início do tratamento para a febre maculosa é determinante para a cura da doença. Se há suspeita, o combate deve ser iniciado imediatamente, com uso de antibióticos, coleta de sangue para exame e notificação do caso para investigação.


No ano passado, em todo o estado foram 58 casos de maculosa, com 22 mortes. Em Belo Horizonte não há casos de transmissão desde 2017, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.


Naquele ano, foram quatro casos confirmados em moradores da capital e três óbitos. Em todos os casos, a transmissão ocorreu fora da capital. Em 2018, foram 11 casos confirmados da doença, com quatro óbitos, todos também com contágio externo.


Contagem

 

Animais capturados em área em que foi identificado foco receberam aplicação de carrapaticida em Contagem. Região tem capivaras e córrego que é afluente da Pampulha, em BH(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Animais capturados em área em que foi identificado foco receberam aplicação de carrapaticida em Contagem. Região tem capivaras e córrego que é afluente da Pampulha, em BH (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
 

 

O quadro é mais crítico em Contagem, na Grande BH, onde 21 casos prováveis (entre confirmados e suspeitos) já foram notificados. O surto da doença foi registrado no Bairro Nacional entre moradores de uma área próxima a um córrego. Até ontem, 15 pessoas apresentavam sintomas da doença.


Conforme o balanço da Secretaria Municipal de Saúde do município, divulgado nesta terça-feira (4), entre esses 21 casos, quatro são de óbitos. Dois já foram confirmados como resultado da doença. Há 19 exames em análise na Fundação Ezequiel Dias (Funed).


No bairro, 128 pessoas tiveram contato com a área considerada foco da doença. De acordo com a prefeitura, o grupo invadiu, há cerca de 30 dias, um terreno particular que estava murado na Rua 1º de Maio.


O local tem hoje 35 casas e nos fundos passa o Córrego Água Funda, um afluente do Córrego Gangorra, que por sua vez é ligado ao Sarandi, que deságua na Pampulha. Além dos animais domésticos, como porcos, bois, cavalos e aves, a mata onde está o curso d’água concentra ainda uma grande quantidade de capivaras, um dos hospedeiros do carrapato-estrela. A prefeitura não sabe quantos animais há no lugar.


Nessa segunda-feira (3), uma unidade de saúde foi aberta para atender todas as pessoas que tiveram contato com os carrapatos ao cercar o terreno ocupado. Esses moradores foram examinados por dois infectologistas.


A prefeitura também recolheu cavalos sem dono na região. Até esta manhã, nove animais haviam sido localizados. Eles receberam banho de carrapaticida.


O veneno contra carrapatos também é aplicado na região e casas próximas. O terreno vai ser arado. Máquinas vão percorrer a área revirando a terra e despejando oito toneladas de cal.


A doença

 

As capivaras são hospedeiras do carrapato-estrela, que transmite a febre maculosa(foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)
As capivaras são hospedeiras do carrapato-estrela, que transmite a febre maculosa (foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)
 


A febre maculosa é transmitida pelo aracnídeo carrapato-estrela (Amblyomma cajennense) infectado por uma bactéria. A doença é repassada quando o animal fica pelo menos quatro horas fixado na pele humana.


Outros animais de grande porte, como cavalos, capivaras, bois, cães, aves e roedores também podem ser infectados. A enfermidade tem cura, desde que o tratamento, via antibióticos, seja feito nos primeiros três dias da contaminação.


A demora no diagnóstico pode causar complicações. São elas: lesões vasculares graves e comprometimento do sistema nervoso central, dos rins e pulmões. Se não for tratada corretamente, o índice de mortes chega a faixa de quatro e cada cinco pessoas.


Não existe vacina contra a febre maculosa. Por isso, a prevenção passa por evitar o contato com o carrapato-estrela. O ideal é usar roupas clara, usar botas de cano mais alto e sempre verificar se há algum carrapato preso ao corpo. Evitar andar em locais com grama alta também contribui para evitar a doença.


A febre maculosa foi descoberta em 1899, nos Estados Unidos. O primeiro caso registrado no Brasil aconteceu em 1929. Há dois tipos no país: um mais comum em estados da Região Sudeste e no norte do Paraná, que geralmente resulta em quadros mais graves. A outra tem sido registrada em ambientes de Mata Atlântica, produzindo quadros clínicos menos graves.

 

Com informações de Júnia Oliveira e Cristiane Silva 

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