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Estado de Minas

Agentes penitenciários e detentos denunciam entrega de comida estragada nos presídios

Segundo os funcionários, problemas são decorrentes da terceirização das cozinhas, implantada no governo passado. Feitas por meio de vídeos postados nas redes sociais, as denúncias serão investigadas, diz a Seap


postado em 28/05/2019 06:00 / atualizado em 28/05/2019 08:29

A entrega de alimentos impróprios para o consumo teria ocorrido em ao menos duas penitenciárias, entre elas a Nelson Hungria, em Contagem (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press - 25/04/2018)
A entrega de alimentos impróprios para o consumo teria ocorrido em ao menos duas penitenciárias, entre elas a Nelson Hungria, em Contagem (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press - 25/04/2018)


Agentes penitenciários que atuam nas unidades prisionais de Minas Gerais e detentos estão insatisfeitos com a alimentação que é entregue diariamente a eles. Denúncias de comida estragada e até com insetos foram feitas ao Sindicato dos Agentes Penitenciários de Minas Gerais (Sindasp-MG) e ao Estado de Minas.

A entrega de alimentos impróprios para o consumo teria ocorrido em ao menos duas penitenciárias: a de Segurança Máxima Nelson Hungria, em Contagem, e a Professor Jason Soares Albergaria, em Betim, ambas na Grande BH. A Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap) afirmou que vai apurar as denúncias.

A entrega de marmitas com alimentos impróprios para o consumo teria aumentado nos últimos meses. Segundo Adeilton Souza Rocha, presidente do Sindasp-MG, as denúncias por parte dos agentes penitenciários vêm crescendo. “De quatro meses para cá (o problema) está ocorrendo de forma assustadora. Na gestão passada, o estado começou a terceirizar as cozinhas para diminuir gasto e otimizar recursos. Então, elas saíram de dentro das unidades prisionais”, explicou Rocha. Para ele, a decisão foi “muito irresponsável”.

De acordo com o presidente, a alimentação é feita fora das unidades e em locais distantes das prisões. “Quando a cozinha estava dentro da unidade, a alimentação começava a ser feita às 5h, 7h30. E assim mesmo, em dias quentes havia alguns casos de alimentos que azedavam. Hoje, essa comida acaba sendo preparada mais cedo ainda. Ela é feita fora, trasportada em veículos. Então, demora para chegar até os agentes e os presos. A comida tem estragado mais. Estão até encontrando varejeiras (moscas) nas marmitas”, denuncia.

A reportagem teve acesso a uma das denúncias feitas pelos agentes penitenciários. Em um vídeo, divulgado nas redes sociais, um agente mostra um prato que teria sido entregue na Penitenciária Professor Jason Soares Albergaria, em Betim. Quando parte do prato é elevada, um líquido amarelo cai no chão. O homem afirma que junto à comida estaria uma mistura de água e óleo e que os alimentos tinham mau cheiro.

A insatisfação também ocorre entre parte de detentos. Em um áudio, que também circula nas redes sociais, um familiar de um preso diz que os alimentos estão sendo entregues com bichos e estragados. “Parece que trocaram as marmitas em que colocam a comida, e algumas chegam abertas. Isso é uma falta de respeito”, disse. Outra reclamação é sobre a quantidade de alimentos que as famílias podem levar, que foi diminuída de oito para quatro quilos, segundo a denúncia.

Por meio de nota, a Seap informou que vai investigar os casos denunciados. “Sobre a possível presença alimentos estragados nas marmitas, a direção da unidade prisional vai apurar e, uma vez comprovada alguma irregularidade, as providências administrativas serão tomadas por meio da Diretoria de Gestão e Apoio Alimentar da Seap”, informou. Já em relação aos alimentos levados por familiares, a Seap afirmou que “a diminuição do volume entregue se deve à adequação da unidade ao Regulamento de Normas e Procedimentos do Sistema Prisional (ReNP)”.


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