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Estado de Minas

Barão de Cocais: 'A situação é de apreensão, angústia e tristeza', afirma tenente-coronel Godinho

Coordenador-adjunto da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) deu detalhes sobre a programação do treinamento que será realizado neste sábado a partir das 15h


postado em 17/05/2019 20:32

Simulados e muita apreensão marca a população de Barão de Cocais desde as primeiras evacuações ocorridas em fevereiro(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Simulados e muita apreensão marca a população de Barão de Cocais desde as primeiras evacuações ocorridas em fevereiro (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)

 

O clima é de apreensão em Barão de Cocais, na Região Central do estado, diante da possibilidade de desmoronamento do talude norte da Mina de Gongo Soco, da Vale. O fato pode desencadear o rompimento da Barragem Sul Superior.


“As pessoas estão bem apreensivas. A situação da cidade é de apreensão, de angústia e de tristeza. A gente também é solidário com essas pessoas. A gente sofre tanto quanto eles. Só que eles têm um ingrediente a mais: eles moram aqui, a terra é deles”, afirmou o tenente-coronel Flávio Godinho, coordenador-adjunto da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec).


Com objetivo de dar maior segurança à população, o órgão do governo de Minas, em parceria com a Polícia Militar (PM), o Corpo de Bombeiros e a prefeitura local, realiza um treinamento neste sábado. São esperadas 6 mil pessoas para a atividade marcada para as 15h.


Pela manhã, a força-tarefa montada pelos órgãos públicos vai visitar 26 residências de Barão de Cocais, onde moram 15 pessoas com deficiência física e 11 acamadas.

 

Ver galeria . 15 Fotos Moradores de três comunidades de Barão de Cocais tiveram que deixar suas casas durante a madrugada e foram levados para o ginásio poliesportivo da cidade após alerta em barragem da ValePaulo Filgueiras/EM/DA Press
Moradores de três comunidades de Barão de Cocais tiveram que deixar suas casas durante a madrugada e foram levados para o ginásio poliesportivo da cidade após alerta em barragem da Vale (foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press )
 

 

O objetivo é perguntar se essas pessoas gostariam de se mudar para outra casa alugada, tudo custeado pela Vale. O direito também se estende aos familiares dessas pessoas.


Ainda no início do dia, estão programadas reuniões com os moradores para passar detalhes do simulado. A meta é a conclusão da atividade em até uma hora.


A Defesa Civil também planeja atrair mais moradores neste sábado do que no evento ocorrido em 25 de março. Naquela data, 60% do público-alvo, cerca de 3,6 mil moradores participaram da ação.


O ponto positivo naquela ocasião foi o tempo máximo de chegada, marcado em 32 minutos. O dado está bem abaixo dos 72 minutos estimados até que a lama atinja a primeira casa da Zona de Segurança Secundária (ZSS).


Água


Um plano de contingência para entrega de água, em caso de rompimento da barragem e posterior contaminação do Rio São João, também está no cronograma da Defesa Civil.


Contudo, a Cedec ressaltou captação de água poderá ser feita em outro local na possibilidade do desastre.


Animais


Nesta sexta-feira (17), a Vale firmou compromisso com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para recolher, a pedido de tutores, os animais domésticos e silvestres ainda remanescentes nas zonas de autossalvamento (ZAS) e de segurança secundária (ZSS) da Barragem Sul Superior.


Para o recolhimento, o interessado deve acionar a empresa pelo telefone 0800 031 0831. Foi determinado ainda que a empresa forneça provisão de alimento, água e cuidados veterinários aos animais que aguardam resgate.


Monitoramento


A Vale informou que a cava da Mina de Gongo Soco vem sendo monitorada 24 horas por dia de forma remota, com o uso de radar e estação robótica capazes de detectar movimentações milimétricas da estrutura, além de sobrevoos com drone.


O videomonitoramento é feito em tempo real pela sala de controle em Gongo Soco e no Centro de Monitoramento Geotécnico (CMG). Quatro equipamentos estão localizados na sala de controle em Gongo Soco e outros dois no CMG.


De acordo com a empresa, dados atuais de monitoramento pelo radar instalado na cava mostram a possibilidade de deslizamento do talude norte da cava, que está localizada a 1,5 km da Barragem Sul Superior.


Mas, o monitoramento via radar e estação robótica nesta estrutura não traz evidência de processo de deformações na barragem. A mineradora acrescentou que não há elementos técnicos, até o momento, para se afirmar que, com o eventual escorregamento do talude, a Barragem Sul Superior possa se romper.


A estrutura está em nível 3 da escala de rompimento – que significa risco iminente de rompimento – desde 22 de março.

 

(Com informações de Junia Olveira) 

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