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Estado de Minas

Tatuadoras lançam cartilha para evitar assédio sexual em estúdios do ramo

Criado após a abertura de inquérito contra profissional de Belo Horizonte por violação sexual mediante fraude, material reúne orientações para identificar e evitar condutas criminosas de tatuadores. Confira algumas das dicas que estão no manual


postado em 09/05/2019 06:00 / atualizado em 09/05/2019 11:36

Com a cartilha, clientes poderão identificar as condutas que são consideradas adequadas durante o processo de aplicação da tatuagem(foto: Beto Novaes/EM/D.A. Press - 4/5/18)
Com a cartilha, clientes poderão identificar as condutas que são consideradas adequadas durante o processo de aplicação da tatuagem (foto: Beto Novaes/EM/D.A. Press - 4/5/18)

Não precisa se despir, ter atenção ao excesso de toque e tirar fotografias somente com consentimento. Essas são algumas das dicas que compõem cartilha feita por um grupo de tatuadoras de Belo Horizonte com orientações para evitar o assédio durante sessões de tatuagem. O manual surge depois de um tatuador que trabalhava em um estúdio na Savassi, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, ter sido indiciado por violação sexual mediante fraude contra pelo menos 19 mulheres, caso que fomentou a discussão no ramo. A cartilha “Minha tatu, minhas regras” vai ser distribuída gratuitamente.

No mês passado, tatuadoras se reuniram a convite da ativista e professora de literatura Duda Salabert para discutir a questão. Ao analisar os relatos das vítimas, elas perceberam que faltam informações sobre as condutas nos estúdios de tatuagens e decidiram criar a cartilha. O pré-lançamento será aberto – com retirada de ingresso – e contará com uma roda de conversa sobre tatuagem, na qual será apresentada o material. O lançamento oficial será na terça-feira em encontro com mulheres djs. 


Por enquanto, as organizadoras não vão divulgar todo o conteúdo, mas alguns pontos já foram adiantados (veja quadro). A cartilha orienta sobre os limites entre o que é uma conduta adequada de um profissional de tatuagem e o que pode ser considerado assédio ou algo mais grave. Há também informações sobre as condutas que podem caracterizar crime de violência contra a mulher, com explicações de como as vítimas devem agir nesses casos.

“Há muitas dicas sobre o preparo para fazer uma tatuagem, a importância de conhecer o tatuador, de sentir-se segura e de saber que a qualquer momento em que houver desconforto o trabalho pode ser interrompido”, conta Luiza Alana, do coletivo “Não é Não”, que contribuiu para a produção da cartilha. A intenção é que o manual seja distribuído em alguns estúdios e em eventos, além de estar disponível online para consulta e impressão. “O objetivo é que a cartilha alcance grande número de mulheres”, diz Luiza.

(foto: Arte/EM)
(foto: Arte/EM)


Quem quiser imprimir ou apoiar a impressão de mais cartilhas, pode entrar em contato pelo email: apoieminhatatu@gmail.com.

DENÚNCIAS O tatuador Leandro Caldeira Alves Pereira, de 44 anos, foi preso no fim de março, na casa de amigos em Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, sob suspeita de assédio sexual a clientes. As histórias vieram à tona depois que Duda Salabert, que foi candidata ao Senado nas últimas eleições, usou o Instagram para falar sobre sua preferência em se tatuar com profissionais mulheres. Depois da publicação, recebeu diversas mensagens de mulheres relatando casos de abusos, entre eles, os praticados na empresa da capital mineira.

Até o início do mês passado, 19 vítimas prestaram depoimento. Dessas, duas eram menores de idade na época dos acontecimentos. Ao todo, há 40 denúncias contra o tatuador. O registro mais antigo é de 2008, mas a maioria dos casos ocorreu a partir de 2013.

Outro tatuador também está na mira da Polícia Civil. Além das investigações que resultaram na prisão de Leandro, um segundo inquérito foi aberto na semana passada para apurar denúncias contra um profissional, que também atua na Savassi. O homem, que não teve a identidade revelada, já foi intimado e deve prestar depoimento nos próximos dias na Divisão Especializada em Atendimento à Mulher, ao Idoso e a Pessoa com Deficiência e Vítimas de Intolerância (Demid). Duas mulheres que denunciaram o tatuador foram ouvidas. As vítimas passaram por situação semelhante, ou seja, tiveram de tirar peças íntimas para fazer tatuagens.

De acordo com a Polícia Civil, o inquérito sobre o tatuador Leandro Caldeira está na Justiça. Outras denúncias além das 19 vítimas já confirmadas estão em apuração na delegacia. O inquérito do segundo tatuador já foi encaminhado ao Poder Judiciário e está sob sigilo.


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