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Estado de Minas

Bombeiros mineiros retornam de Moçambique, a 1ª missão internacional da corporação

Governador Romeu Zema (Novo) classificou a volta dos militares como o dia "mais gratificante" do seu mandato. Operação durou 40 dias e prestou ajuda humanitária ao país africano destruído por dois ciclones só neste ano


postado em 07/05/2019 22:16 / atualizado em 07/05/2019 22:43

Ver galeria . 10 Fotos Esta foi a primeira missão internacional da corporação Marcos Vieira/EM/D.A press
Esta foi a primeira missão internacional da corporação (foto: Marcos Vieira/EM/D.A press )
Um ano que começou com a tragédia de Brumadinho e os desafios da primeira missão internacional. O primeiro semestre de 2019 se mostra como um período de testes para o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), que recepcionou nesta terça-feira (7), no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na Grande BH, os 20 militares que atuaram em Moçambique.
 
Durante 40 dias, eles enfrentaram as limitações apresentadas no país africano inundado pelos ciclones Idai e Kenneth, que somados mataram cerca de 650 pessoas e deixaram milhares de feridos e desabrigados."Estamos honrados pelo nosso trabalho, por cada criança e idoso salvos e por cada estrada desobstruída, por onde os remédios e águas necessárias à população", comemorou o comandante da operação, major Rafael Cosendey.
 
  
 
Como momento mais marcante dos trabalhos na África, Consendey ressaltou o salvamento de duas pessoas ilhadas em um ponto de difícil acesso. "Era um local que realmente não conhecíamos. Nossos homens entraram nas águas cercadas de crocodilos e hipopótamos para salvar dois homens que estavam ilhados num local onde não tínhamos condições de colocar o barco. A única opção era o salvamento a nado e os militares estavam preparados", disse tomado pela emoção.
 
Pouco antes da chegada dos bombeiros, familiares aguardavam, com muita ansiedade, o retorno dos militares. Christiany Martins, de 25 anos, relatou as dificuldades de comunicar com o marido, o sargento Leonardo Costa, um dos convocados para a operação Moçambique. "Só consegui falar com ele depois que arrumaram um roteador lá, mas mesmo assim por mensagem. Por ligação, nenhum dia eu consegui", contou. 
 
Segundo ela, as desigualdades econômicas entre o Brasil e o país arrasado pelos ciclones Idai e Kenneth se tornaram os maiores desafios para Leonardo durante a força-tarefa. "Ele ficou muito comovido com a miséria do povo africano. Por vezes, ele doava a única comida que ele tinha, aquela ração dos bombeiros, para as crianças africanas. Isso tudo pouco tempo depois de viver tudo em Brumadinho", explicou.
 
Familiares aguardavam, com muita ansiedade, o retorno dos militares(foto: Marcos Vieira/EM/D.A press)
Familiares aguardavam, com muita ansiedade, o retorno dos militares (foto: Marcos Vieira/EM/D.A press)
 
 
Ao lado de Christiany, o pai do oficial, Luciano Fernandes, militar da reserva, disse como o filho se tornou motivo de orgulho para a família. "Ele sempre foi muito respeitoso comigo e quis entrar para os bombeiros desde cedo. Até hoje, a gente continua muito satisfeito com as atuações dele", ressaltou.
 
Membro da operação, cabo Vinícius de Brito Silva está há 10 anos na corporação, completados na África, e trabalhou nos desastres de Brumadinho e Mariana. "Foram dias de renascimento. É tudo diferente. A cada dia, diante de cada dificuldade, o povo moçambicano nos recebeu muito bem. Cada sorriso representava uma força pra gente. Foi um divisor de águas na minha carreira militar", contou ao lado da esposa e dos filhos. 
 
Presente à ocasião, o governador Romeu Zema (Novo) classificou o momento "mais gratificante" depois que assumiu Minas Gerais. Ele também cumprimentou os esforços do coronel Edgard Estevo, comandante-geral do CBMMG, e da embaixadora Maria Auxiliadora Figueiredo, chefe do Escritório de Representação do Ministério das Relações Exteriores em Minas Gerais (Ereminas).
 


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