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Estado de Minas

CSN volta atrás e aceita negociar com o MPMG saída de moradores de Congonhas

A medida está na recomendação da promotoria da cidade devido ao medo de rompimento da Barragem Casa de Pedra. Nessa terça-feira, MPMG ameaçou entrar com ação na Justiça por causa das negativas da empresa


postado em 27/03/2019 17:04 / atualizado em 27/03/2019 17:16

Barragem Casa de Pedra fica próxima a casas de Congonhas(foto: Tulio Santos/EM/D.A Press)
Barragem Casa de Pedra fica próxima a casas de Congonhas (foto: Tulio Santos/EM/D.A Press)

Depois que o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) afirmou que iria entrar com uma ação civil pública na Justiça contra a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN)  para determinar medidas de segurança em Congonhas, na Região Central de Minas Gerais, a empresa voltou atrás e aceitou negociar a retiradas de moradores que vivem próximo a barragem Casa de Pedra. A determinação faz parte da recomendação da promotoria da cidade que solicitou que várias medidas de segurança devem ser tomadas devido aos riscos no reservatório.

Nesta quarta-feira, um representante da CSN e advogados foram até a 1ª Promotoria de Justiça de Congonhas para uma reunião como MPMG. Os representantes solicitaram que um novo encontro seja marcado para continuar as conversas em relação a recomendação. Consta na ata, que a mineradora esclareceu que “fica aberta a avaliação e possibilidade, ou não, de acordo quanto aos itens constantes na mencionada recomendação, bem como a busca a eventuais outras soluções que se mostrarem pertinentes”.

A recomendação foi assinada pelo promotor Vinícius Galvão, em 12 de março. O prazo para a mineradora assinar o documento era de dez dias, que venceu nessa terça-feira. Segundo ele, “agora, encerradas as negociações, o MPMG buscará nas vias judiciais a afirmação dos direitos negligenciados”. “O MPMG aguardou até o último dia a manifestação da empresa. A resposta foi contrária à Recomendação, e resumiu-se, basicamente, à afirmação de que a barragem possui laudo atual de estabilidade”, destaca. O promotor ressaltou que em 2013, 2014 e 2017, a barragem mostrou vulnerabilidade.

No documento, ao qual o Estado de Minas teve acesso, a promotoria de Congonhas recomenda que a CSN retire os moradores dos bairros Cristo Rei e Residencial Gualter Monteiro, “que assim desejarem”, forneça aluguel no valor de R$ 1,5 mil para cada núcleo familiar, além de arcar com todas as despesas das mudanças.

A mineradora deverá ter um plano para remoção voluntária dos moradores dos dois bairros, “seja por meio da compra de imóveis em Congonhas/ou outra cidade; ou mediante a criação de bairros, com toda infraestrutura prevista em lei, e/ou mediante a indenização dos proprietários”. Na avaliação dos imóveis, a promotoria também recomenda que não seja considerado a desvalorização devido aos rompimentos das barragens em Mariana e Brumadinho.

A empresa terá, ainda, que apresentar, em caráter emergencial, solução para o fechamento da Creche Dom Luciano, e a transferência da Escola Municipal Conceição Lima Guimarães. A recomendação é que imóveis que comportem as instalações destas unidades sejam alugados. Além disso, deverá “arcar com todas as despesas de mudança e ajustes dos prédios aos enquadramentos técnicos necessários”.

A Barragem Casa de Pedra está localizada praticamente dentro da cidade. A estrutura fica a 250 metros de casas e a 2,5 quilômetros do Santuário do Bom Jesus de Matozinhos, patrimônio cultural da humanidade. A estrutura tem o método de construção: a jusante. Por ele, a barragem é amparada por terreno que vai sendo erguido ao lado dela e preparado para receber a estrutura. À medida que a estrutura vai sendo ampliada, ele vai crescendo. É uma técnica mais cara que a montante (método usado nas barragens de Fundão, em Mariana, e do Córrego do Feijão, em Brumadinho, que se romperam), cuja ampliação se faz em cima do próprio rejeito.

A capacidade da estrutura, segundo a CSN, é de 21 milhões de metros cúbicos de rejeitos. Porém, a prefeitura contesta a informação dizendo que o total chega a 50 milhões de metros cúbicos de rejeitos.

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