Publicidade

Estado de Minas

'Não é insensibilidade': legista fala sobre demora para identificação de vítimas de Brumadinho

Co­bran­ça jus­ti­fi­ca­da dos pa­ren­tes das ví­ti­mas da tra­gé­dia en­con­tra eco na equi­pe do IML. Superintendente explica que o procedimento é complexo. Após protesto, polícia informou que vai passar relatório diário às famílias dos desaparecidos


postado em 13/03/2019 06:00 / atualizado em 13/03/2019 08:37

Familiares dos desaparecidos protestaram ontem, na porta do IML; profissionais do órgão trabalham em esquema especial para atender a maior demanda de sua história(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
Familiares dos desaparecidos protestaram ontem, na porta do IML; profissionais do órgão trabalham em esquema especial para atender a maior demanda de sua história (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)


Ain­da à es­pe­ra de no­tí­ci­as dos fa­mi­li­a­res de­sa­pa­re­ci­dos na tra­gé­dia da Mi­na Cór­re­go do Fei­jão, da Va­le, em Bru­ma­di­nho, cer­ca de 60 pes­so­as pro­tes­ta­ram on­tem di­an­te da se­de do Ins­ti­tu­to Mé­di­co-Le­gal (IML), em Be­lo Horizonte. En­tre os ma­ni­fes­tan­tes, Jés­si­ca Eve­lyn So­a­res Sil­va, que con­ti­nua à pro­cu­ra do ir­mão, Fran­cis Eric So­a­res Sil­va, de 31 anos, e co­bra agi­li­da­de do órgão. “Pe­di­mos trans­pa­rên­cia no pro­ces­so de iden­ti­fi­ca­ção, que­re­mos sa­ber o que ain­da es­tá pen­den­te, in­for­ma­çõ­es so­bre os exa­mQs de DNA, com qual fre­quên­cia são fei­tos”, dis­se ela. “São 47 di­as de lu­to sem cor­po”, lamentou Andresa Rocha Rodrigues, outra manifestante.

Em no­ta, a Po­lí­cia Ci­vil deu ex­pli­ca­çõ­es so­bre o pro­ces­so de iden­ti­fi­ca­ção das ví­ti­mas no IML. “Atu­al­men­te, a equi­pe con­ta­bi­li­za a aná­li­se de 420 ca­sos de frag­men­tos, en­tre cor­pos in­tei­ros e segmentos. Des­ses, 173 es­tão pen­den­tes de identificação. Os ca­sos que ne­ces­si­tam de exa­me de DNA são mais com­ple­xos e têm su­as especificidades. Ca­da ca­so é ana­li­sa­do in­di­vi­du­al­men­te, e al­guns de­man­dam mai­or tra­ba­lho e tem­po pa­ra iden­ti­fi­ca­ção do que ou­tros”, in­for­mou o texto.

"É im­portan­tís­si­mo que a po­pu­la­ção sai­ba que es­ta­mos fa­zen­do de tu­do pa­ra en­tre­gar os cor­pos iden­ti­fi­ca­dos pa­ra as fa­mí­li­as o quan­to antes. Mas é um pro­ces­so com­ple­xo, que de­man­da pro­ce­di­men­tos pau­ta­dos nas bo­as téc­ni­cas"

Tha­les Bit­ten­court de Bar­ce­los, su­pe­rin­ten­den­te de Po­lí­cia Téc­ni­co-Ci­en­tí­fi­ca da Po­lí­cia Ci­vil de Mi­nas Ge­rais



Se­gun­do Jés­si­ca, em reu­ni­ão com os ma­ni­fes­tan­tes, a cor­po­ra­ção con­cor­dou em re­pas­sar um re­la­tó­rio pa­ra que re­pre­sen­tan­tes dos pa­ren­tes de ví­ti­mas com­par­ti­lhem com os demais. “Fi­ca­ram de di­vul­gar to­dos os di­as, pra gen­te o nú­me­ro de seg­men­tos que es­tão em pro­ces­so de iden­ti­fi­ca­ção, quan­tos exa­mes fo­ram con­cluí­dos, quan­tas pes­so­as fo­ram iden­ti­fi­ca­das e o nú­me­ro de seg­men­tos que vi­e­rem do Cor­po de Bom­bei­ro”, comentou.

A co­bran­ça jus­ti­fi­ca­da dos pa­ren­tes das ví­ti­mas da tra­gé­dia en­con­tra eco na equi­pe do IML. O Es­ta­do de Mi­nas con­ver­sou com o su­pe­rin­ten­den­te de Po­lí­cia Téc­ni­co-Ci­en­tí­fi­ca da Po­lí­cia Ci­vil de Mi­nas Ge­rais (PCMG), mé­di­co-le­gis­ta Tha­les Bit­ten­court de Bar­ce­los, so­bre os bas­ti­do­res do tra­ba­lho no órgão. Ser­vi­dor da Po­lí­cia Ci­vil há 17 anos, ele foi no­me­a­do pa­ra o car­go no iní­cio de janeiro. Pou­cos di­as de­pois, na sex­ta-fei­ra, 25, ha­via aca­ba­do de acom­pa­nhar o pai em uma ci­rur­gia car­dí­a­ca e ima­gi­na­va pas­sar o fim de se­ma­na com ele quan­do o te­le­fo­ne tocou. Do ou­tro la­do da li­nha, o de­le­ga­do-ge­ral da cor­po­ra­ção, Wag­ner Pin­to de Sou­za, anun­ci­a­va a tra­gé­dia de Brumadinho. Aler­ta geral. “Ime­di­a­ta­men­te, ele aci­o­nou o que cha­ma­mos de Con­se­lho Su­pe­ri­or da Po­lí­cia Ci­vil, que reú­ne os re­pre­sen­tan­tes de car­gos de su­pe­rin­ten­dên­ci­as e di­re­to­ri­as”, des­cre­ve, em seu ga­bi­ne­te, uma sa­la sim­ples no pri­mei­ro pi­so do pré­dio lo­ca­li­za­do no Bair­ro Gameleira.

Com for­ma­ção em psi­qui­a­tria e atu­a­ção tam­bém co­mo mé­di­co do tra­ba­lho, Tha­les con­ta que co­me­ça­va ali o mai­or de­sa­fio de sua carreira.

CON­VO­CA­Ç­ÃO GE­RAL
Tha­les Bit­ten­court pre­ci­sou agir com ra­pi­dez e con­vo­car os 247 ser­vi­do­res que tra­ba­lham no Ins­ti­tu­to Mé­di­co-Le­gal pa­ra aju­dar na or­ga­ni­za­ção da lo­gís­ti­ca de trans­por­te de cor­pos e seg­men­tos de corpos. “Não pre­ci­sei cha­mar nin­guém du­as ve­zes”, dis­se o su­pe­rin­ten­den­te, so­bre a pron­ti­dão com que os ser­vi­do­res lo­ta­dos no IML se apre­sen­ta­ram ao tra­ba­lho, em to­dos os setores.

“É im­portan­tís­si­mo que a po­pu­la­ção sai­ba que es­ta­mos fa­zen­do de tu­do pa­ra en­tre­gar os cor­pos iden­ti­fi­ca­dos pa­ra as fa­mí­li­as o quan­to antes. Mas é um pro­ces­so com­ple­xo, que de­man­da pro­ce­di­men­tos pau­ta­dos nas bo­as téc­ni­cas, que, por sua vez, de­man­dam tempo. Não é in­sen­si­bi­li­da­de, mas uma ne­ces­si­da­de que te­nha­mos es­se tem­po”, explica. (Com Cristiane Silva)

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade