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Estado de Minas

Fechamento de bloco cirúrgico em hospital da Região Metropolitana de BH é alvo de protesto

Moradores de Sabará e servidores temem que suspensão de cirurgias no Hospital Cristiano Machado se torne definitiva


postado em 04/03/2019 06:00 / atualizado em 04/03/2019 10:49

Hospital Cristiano Machado, em Sabará: Fhemig informa que cirurgias serão suspensas por apenas 30 dias(foto: Beto Novaes/EM/D.A Press - 12/8/15)
Hospital Cristiano Machado, em Sabará: Fhemig informa que cirurgias serão suspensas por apenas 30 dias (foto: Beto Novaes/EM/D.A Press - 12/8/15)


Servidores da saúde fazem na quinta-feira, às 9h, assembleia conjugada com protestos de moradores na entrada do Hospital Cristiano Machado, no distrito de Roça Grande, em Sabará, único a realizar cirurgias de média complexidade na cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte. O atendimento é 100% pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O propósito é cobrar da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig) um posicionamento claro sobre a possibilidade de fechamento definitivo da unidade. O Sindsaúde teme que se repita o procedimento da unidade ortopédica do Hospital Galba Veloso, no Gameleira, Região Oeste de BH, fechado em novembro de 2017.

No bloco cirúrgico do Cristiano Machado faz em média quatro cirurgias eletivas por dia, mas tem capacidade para 10, segundo Luciana Silva, diretora do Sindsaúde e técnica de enfermagem no hospital. A servidora disse que essa “história é velha conhecida. Começa com fechamento temporário e não reabre mais”. Ela aponta “má gestão” pela direção da Fhemig. “São problemas fáceis de resolver.”

Segundo a sindicalista, a Fundação Hospitalar alega não haver Central de Material e Esterilização (CME) no hospital, entretanto, ela diz que no local é apenas feita uma pré-lavagem dos instrumentos, que são levados para esterilização na unidade cirúrgica do Galba Veloso. “Esse argumento não condiz com a realidade vivenciada por quem trabalha lá”, afirma. Ainda de acordo com Luciana, isso não compromete o controle de infeção dos pacientes e que a central já poderia estar pronta se houvesse “interesse do estado”.

Em nota publicada no site da Fhemig, a direção da fundação informou que a medida visa garantir a segurança dos usuários e a qualidade da assistência e estabelece um prazo de 30 dias “para regularização das inconformidades estruturais do bloco cirúrgico da unidade”.

Segundo a Fhemig os procedimentos já agendados serão realizados em duas unidades do estado: as cirurgias de videolaparoscopia, demandadas pela Secretaria Municipal de Saúde de Sabará, ocorrerão no Hospital Alberto Cavalcanti, no Bairro Padre Eustáquio, e as cirurgias ginecológicas, na Maternidade Odete Valadares, no Prado, ambos na capital. “O fluxo de encaminhamento de transporte de pacientes será organizado pela Secretaria Municipal de Saúde de Sabará”, diz a nota.

Os médicos lotados no bloco cirúrgico do Hospital Cristiano Machado serão alocados em outras unidades da Fhemig: Hospital João XXIII (anestesistas e cirurgiões), Maternidade Odete Valadares, Hospital Júlia Kubitschek e Hospital Alberto Cavalcanti (cirurgiões). O Cristiano Machado manterá um cirurgião para atendimento ambulatorial, e a residência médica será realizada “de acordo com as definições da Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG) e conforme estágios já previstos em grade curricular”.

O Hospital Cristiano Machado foi fundado em 1944 com o nome de Sanatório Roça Grande. Na época, tinha a função de atender pacientes portadores de hanseníase. Pertencia a Fundação Estadual de Assistência Leprocomial (Feal)) até 1977, quando passou a integrar a Fhemig. A transformação de sanatório para hospital teve início na década de 1980. Atualmente, a unidade funciona como retaguarda para o Hospital João XXIII para casos crônicos neurológicos e ortopédicos que necessitem de internações de longa permanência. O bloco cirúrgico foi inaugurado em 2010.

 

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