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Estado de Minas

Em alerta por barragem, moradores de Macacos ficam sem transporte público

Com o acesso principal pela BR-040 fechado, os ônibus que atendem a região não estão rodando, o que impacta diretamente a vida de quem trabalha e estuda


postado em 18/02/2019 11:12 / atualizado em 18/02/2019 11:17

(foto: Edésio Ferreira/EM/DA Press)
(foto: Edésio Ferreira/EM/DA Press)


No primeiro dia útil depois que a mineradora Vale acionou o plano de evacuação de famílias moradoras da zona de autossalvamento referente à barragem de rejeitos B3/B4, em São Sebastião das Águas Claras, distrito de Nova Lima, a comunidade do vilarejo conhecido como Macacos acordou paralisada em meio à falta de transporte público. 

Com o acesso principal pela BR-040 fechado, os ônibus que atendem a região não estão rodando, o que impacta diretamente a vida de quem trabalha e também de estudantes que precisam se deslocar para escolas fora da vila. O impacto também atinge as aulas da Escola Municipal Rubem Costa, que fica dentro de Macacos, já que os professores não conseguem chegar e por isso as aulas não estão acontecendo. 

As reclamações de falta de informações que tomaram conta do fim de semana desde o sábado a noite, quando sirenes soaram o alarme que indicava a necessidade de evacuação pelo risco de rompimento da barragem da Mina Mar Azul, se repetem nesta segunda-feira. 

Moradora de Macacos e moderadora de um grupo que reúne moradores no aplicativo de mensagens WhatsApp, a arte educadora Tatiana Santana, de 36 anos, disse que a comunidade está parada pela falta de transporte. "Nesse momento estamos procurando representante da Vale para que ele defina como vai ficar o transporte da cidade, porque os Ônibus não estão rodando", afirma.

Uma das questões que estão sendo discutidas é a possibilidade de a empresa de ônibus Santa Fé, que atende a região, disponibilizar os coletivos para levar as pessoas de Belo Horizonte até a entrada de Macacos pela BR-040, para que depois vans disponibilizada pela Vale possam fazer o restante do transporte. 

Outro problema apontado por Tatiana é a questão dos cadastros de moradores da chamada área de autossalvamento. Segundo ela, Vale não realiza cadastro de quem não esteja diretamente na área afetada, mas com as dificuldades de acesso ao povoado a população teme que saia para trabalhar e não consiga voltar para casa. "Se na hora de voltar eu não conseguir entrar, como vou fazer para dormir com um bebê de nove meses?", questiona. Por isso, mesmo pessoas que não estejam na mancha de inundação de um possível rompimento estão procurando o centro comunitário em busca de informações. 

O risco de rompimento da barragem B3/B4 foi levantado no sábado, depois que a Vale informou à Defesa Civil estadual a mudança do fator de segurança de 1 para 2, o que enseja a retirada das famílias das áreas de risco. A mesma situação ocorreu com a Barragem Sul Superior, da Mina Gongo Soco, em Barão de Cocais, na Região Central de MInas, também de responsabilidade da Vale, e na barragem da empresa Arcelor Mittal da Mina Serra Azul em Itatiaiuçu, na Grande BH. A mudança do fator de segurança de 1 para 2 nesses lugares também motivou a saída de dezenas de famílias de suas casas.

É possível que a Defesa Civil estadual dê uma entrevista coletiva por volta do meio-dia para informar sobre a evolução da situação de Macacos. Segundo o tenente-coronel Flávio Godinho, que é coordenador adjunto do órgão, nesse momento os servidores estão reunidos com membros da comunidade para levantar todas as demandas pendentes.

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