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Estado de Minas

"Será algo surpreendente", diz Kalil sobre resultado de auditoria do transporte público de BH

Kalil voltou a falar sobre a 'caixa-preta da BHTrans', que deve ser apresentada ainda nesta semana e criticou estudo divulgado ontem


postado em 19/12/2018 12:48 / atualizado em 19/12/2018 17:09

Kalil falou do transporte coletivo após a apresentação do projeto de obras contra as enchentes na Avenida Vilarinho(foto: Mateus Parreiras/EM/DA Press)
Kalil falou do transporte coletivo após a apresentação do projeto de obras contra as enchentes na Avenida Vilarinho (foto: Mateus Parreiras/EM/DA Press)


O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, voltou a falar sobre a auditoria das contas das empresas de ônibus da capital, que deve ser anunciada ainda nesta semana. A abertura da “caixa-preta” da BHTrans foi uma das promessas de campanha do prefeito. 

Durante entrevista coletiva após a apresentação das obras para contenção de enchentes na Avenida Vilarinho, Kalil foi questionado sobre a ausência de cobradores em grande parte das linhas da capital. “O que a gente pode fazer, a BHTrans é multar (as empresas), não podemos botar um cobrador dentro dos ônibus. Agora, quando a caixa-preta sair, e será algo surpreendente e em uma audiência pública, aí as coisas vão ser diferentes”, afirmou na manhã desta quarta-feira. 

As 8.726 multas aplicadas neste ano pelos ônibus circulando sem cobrador fora do horário permitido são aproximadamente 41 vezes mais do que as 210 computadas nos doze meses de 2017 pelo mesmo motivo. A ausência dos profissionais foi motivo de protestos recentes em Belo Horizonte e inclusive da ação de vereadores, que em visita técnica às estações Barreiro e Diamante, no fim de novembro, disseram ter confirmado denúncias de usuários, identificando a ausência de trocadores em grande número de ônibus em circulação. 

Kalil confirmou na semana passada que a auditoria já estava pronta e que seria anunciada nesta semana. Na segunda-feira, logo pela manhã, o prefeito mandou um recado para as empresas de ônibus em seu perfil no Twitter. Ele escreveu: “Se as empresas de ônibus fazem o que querem, vão receber o troco. Belo Horizonte tem governo”. 

O prefeito também criticou o Tarifa Zero e seu estudo, divulgado ontem, mas sem citar diretamente o movimento. “Não adianta virem com 'estudozinho', achando que conseguem entender como uma coisa complexa como a tarifa do transporte público funciona. A nossa auditoria da caixa-preta é séria, feita por gente gabaritada, que tem currículo e é do ramo” disse.

Por meio de nota, o Movimento Tarifa Zero BH rebateu as declarações do prefeito. “O documento foi elaborado por um corpo técnico competente, com economistas, administradores e um técnico de transporte com experiência no cálculo da tarifa de outras cidades, como Natal e Montes Claros. Além disso, o estudo contou com a supervisão e validação de João Luiz da Silva Dias, ex-presidente da BHTrans, da Metrobel e da CBTU”, afirmou o grupo.

O estudo do Tarifa Zero foi feito ao longo de 2018 com dados obtidos junto à prefeitura via Lei de Acesso à Informação. Ele teve como base a chamada planilha Geipot, com atualizações conforme recomendações da Agência Nacional de Transportes Públicos (ANTT). Esse sistema de cálculo tarifário foi usada em BH de 1982 até 2007. No ano seguinte, entrou em vigor o atual contrato de concessão, cuja validade se estende até 2028, e por meio do qual os reajustes passaram a ser feitos pela aplicação de uma fórmula sobre o preço da passagem do ano anterior, que leva em conta apenas a inflação de cinco insumos de produção, conforme explicou o Tarifa Zero, que há cinco anos está engajado em mudanças no sistema de transporte na capital.

O resultado mostra que a tarifa dos coletivos na capital está supervalorizada em aproximadamente 15% em relação ao valor atual. Logo, a passagem deveria custar R$ 3,45. Por contrato, o valor atual de R$ 4,05 vai até 30 de dezembro, podendo aumentar a partir de 1º de janeiro. Na tarde passada, o movimento disse não aceitar qualquer reajuste e estar disposto a acionar a Justiça para barrar novos aumentos. (Com informações de Junia Oliveira e Cristiane Silva) 

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