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Estado de Minas

Quinze meses após o crime, Justiça começa a julgar seguranças por morte em boate

Seis testemunhas foram ouvidas sobre a morte do fisiculturista Allan Pontelo. Réus respondem por homicídio doloso. Advogado sustenta que a vítima foi abordada por estar vendendo e usando drogas na Hangar 677


postado em 10/12/2018 20:46 / atualizado em 10/12/2018 22:57

O fisiculturista Allan Pontelo foi espancado antes de morrer por asfixia, segundo o Ministério Público(foto: Reprodução/Facebook)
O fisiculturista Allan Pontelo foi espancado antes de morrer por asfixia, segundo o Ministério Público (foto: Reprodução/Facebook)

 

Depois de mais de um ano e três meses da morte do fisiculturista Allan Guimãres Portelo, de 25 anos, em uma boate da região do Barreiro, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) realizou, nesta segunda-feira (10), a primeira audiência do julgamento dos três seguranças contratos pelo estabelecimento acusados de homicídio doloso.  A sessão de instrução ocorreu no Fórum Lafayette, no Barro Preto, e tem como objetivo dar início à ação, com a presença e participação das partes, advogados, testemunhas e auxiliares da Justiça.

 

O fisiculturista foi espancado e morto em 2 de setembro de 2017, no interior da boate Hangar 677, Bairro Olhos D’água, na Região do Barreiro da capital mineira.O processo denuncia cinco pessoas: o coordenador da segurança da boate, Delmir Araújo Dutra, e os seguranças Carlos Felipe Soares, William da Cruz Leal, Paulo Henrique Pardim de Oliveira e Fabiano de Araújo Leite.


Os três primeiros eram funcionários da empresa Cy, terceirizada pela boate, e são representados pelo advogado Ércio Quaresma. Segundo ele, seis testemunhas foram ouvidas no Fórum Lafayette. “Entendemos (a defesa) que, se houver uma condenação penal, que ela seja por homicídio culposo (sem intenção de matar)”, afirmou o advogado. Ainda de acordo com Quaresma, Fabiano e Paulo Henrique não têm relação alguma com o crime.

 

Dênio Pontelo, pai de Allan, espalhou cartazes cobrando a punição dos envolvidos por, pelo menos, duas vezes(foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press - 8/5/18)
Dênio Pontelo, pai de Allan, espalhou cartazes cobrando a punição dos envolvidos por, pelo menos, duas vezes (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press - 8/5/18)
 


Conforme a denúncia apresentada pelo Ministério Público (MP) à Justiça, os quatro seguranças denunciados, agindo com dolo (intencionalmente), tiraram a vida do fisiculturista mediante asfixia. Ainda segundo a denúncia, o jovem havia ido até o banheiro da boate e lá foi abordado pelos seguranças Carlos Felipe Soares e William da Cruz Leal, que o levaram contra sua vontade para uma área restrita onde ele passou por uma revista. Como Allan resistiu, a dupla o espancou violentamente, com empurrões, socos e chutes, imobilizando-o e o estrangulando até a morte.

 

Além dos quatro, também foi denunciado Delmir Araújo Dutra, que seria coordenador da segurança, mas os relatos da polícia que foram anexados ao processo dão conta de que ele chegou no local das agressões junto com os socorristas e sua conduta precisa ser melhor explicitada na instrução do processo.


O laudo de necrópsia aponta como causa da morte “asfixia mecânica por constrição extrínseca do pescoço”. No relato do juiz que aceitou a denúncia contra os acusados, consta que a dupla de seguranças agiu com o apoio de Paulo Henrique Pardim de Oliveira e Fabiano de Araújo Leite, que asseguraram a continuidade da agressão e impediram que terceiros se aproximassem para socorrer a vítima. Os dois estariam trabalhando na retirada de dinheiro dos caixas da boate.


A reportagem procurou o pai do fisiculturista, Dênio Pontelo, e sua namorada na época, a fotógrafa e empresária Marcella Paiva, mas não obteve resposta.


Drogas

 

Defensor de empregados da firma responsável pela segurança, o advogado Ércio Quaresma afirma que Allan abrigava o anestésico quetamina no corpo(foto: Paulo Filgueiras/M/D.A Press - 25/10/2017)
Defensor de empregados da firma responsável pela segurança, o advogado Ércio Quaresma afirma que Allan abrigava o anestésico quetamina no corpo (foto: Paulo Filgueiras/M/D.A Press - 25/10/2017)
 


Responsável pela defesa dos denunciados Delmir, Carlos e William, Ércio Quaresma sustenta que a vítima foi abordada pelos seguranças por estar vendendo e consumindo drogas na boate. “Ele tinha uma substância chamada quetamina no corpo, que é um anestésico potente, com efeitos alucinógenos. O próprio amigo dele disse à polícia que Allan já havia vendido drogas e anabolizantes”, afirmou o advogado.

 

Procurado pela reportagem, o amigo em questão, que não quis ser identificado, negou a versão de Quaresma. Ele estava com Allan no dia da morte e disse que a vítima não estava de posse de qualquer entorpecente.


À reportagem do EM, ele disse ainda que o que informou à polícia foi que Allan já havia vendido um comprimido de uso pessoal tempos antes da noite do crime. Contuto, negou que o fisiculturista fosse traficante de drogas ou de anabolizantes. O amigo do rapaz morto disse ainda que Ércio Quaresma tenta usar seu depoimento para acobertar o homicídio cometido pelos seguranças.

 




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