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Estado de Minas

Família de fisiculturista morto em boate de BH usa outdoors para cobrar justiça

Estratégia da família de Allan Pontelo, morto no ano passado, é semelhante à usada pela protagonista do filme 'Três anúncios para um crime', vencedor de dois Oscars


postado em 09/05/2018 06:00 / atualizado em 09/05/2018 08:34

Dênio Pontelo, pai do fisiculturista que morreu na boate em setembro, diante de um dos painéis em Contagem: 'Niguém foi punido e é isso que revolta a gente' (foto: Edésio Ferreira/EM/DA Press)
Dênio Pontelo, pai do fisiculturista que morreu na boate em setembro, diante de um dos painéis em Contagem: 'Niguém foi punido e é isso que revolta a gente' (foto: Edésio Ferreira/EM/DA Press)

Justiça e celeridade. É o que cobra a família do fisiculturista Allan Guimarães Pontelo, morto por seguranças da boate Hangar 677, em Belo Horizonte, em 2 de setembro. Dênio Pontelo, pai do fisiculturista, afixou outdoors em duas avenidas de Contagem para dar voz à causa. A estratégia de cobrar publicamente punição para os culpados, semelhante à abordada no premiado filme Três anúncios para um crime, já havia sido usada pela família semanas após Allan ser morto por asfixia.

Na ficção, a personagem interpretada pela vencedora do Oscar de melhor atriz, Frances McDormand, espalha três painéis cobrando da polícia a investigação do brutal assassinato da filha. Na Grande BH, desta vez, as placas foram colocadas nas Avenidas Babita Camargos e José Faria da Rocha para denunciar a impunidade dos assassinos do fisiculturista.

“Está tudo parado, ninguém está preso, ninguém foi punido e é isso que revolta a gente. Estou colocando as placas para ver se o processo caminha. É muita indignação, muita revolta, por nada acontecer com esses canalhas que mataram meu filho”, desabafou o técnico em eletrônica, de 47 anos. Passados oito meses do crime, cujo inquérito foi enviado ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) como homicídio qualificado, nenhum dos cinco seguranças acusados está preso. Um, inclusive, está foragido.

O processo tramita na Comarca de Belo Horizonte e está na fase da apresentação das versões da defesa dos cinco seguranças da boate que foram indiciados pela Polícia Civil como autores do crime por homicídio qualificado. Após isto, os depoimentos serão anexados aos autos do processo para apreciação do juiz e marcação de uma audiência de instrução. Entre os acusados do crime há um homem que se passava por policial civil e um cabo da Polícia Militar. Segundo as investigações, o segurança que se passava por policial civil pediria propina para a vítima, sob ameaça de prisão, tendo em vista que uma quantidade de drogas foi encontrada com Allan Pontelo.

"Quero ver a justiça, doa a quem doer. Para que nenhuma outra família passe o que eu passei e nenhum segurança faça isso novamente"

Dênio Pontelo, pai de Allan



Sobre os entorpecentes, a família do fisiculturista afirma que houve “alterações na cena do crime”. Os exames toxicológicos realizados pela Polícia Civil também apresentaram resultado negativo ao uso de drogas por parte de Allan. Respondem ao processo no banco dos réus: Delmir Araújo Dutra, Carlos Felipe Soares, Paulo Henrique Pardim de Oliveira, que se passava por policial civil, Willian da Cruz Lea e Fabiano de Araújo Leite, cabo da Polícia Militar.

Em 24 de outubro foram presos preventivamente Delmir de Araújo Dutra, Carlos Felipe Soares e Paulo Henrique Pardin de Oliveira, ambos seguranças contratadas pela Cy Security, empresa terceirizada para os serviços de vigilância na noite da morte do fisiculturista. Conforme o TJMG, Delmir Araújo foi o único que apresentou suas versões ao tribunal. Paulo Henrique – que estaria com uma arma no dia do crime, conforme as investigações – ainda não se manifestou, assim como Carlos Felipe.

Willian da Cruz, por sua vez, está foragido desde o ano passado e também não deu sua versão dos fatos à Justiça. Em despacho datado de 18 de março, Ricardo Sávio de Oliveira, Juiz do 1º Tribunal do Júri, diz que “esgotadas todas as tentativas de citação do réu nos endereços constantes dos autos, procede-se à Secretaria a consulta no sistema Infoseg, em busca de novos endereços do acusado”, diz o texto.

A situação de Fabiano de Araújo não foi informada no andamento processual. Entretanto, de acordo com Geraldo Magela, advogado que defende a família de Allan Pontelo, ele recebeu medidas cautelares e teria perdido o porte e posse de arma, além de usar tornozeleira eletrônica. As informações, no entanto, não foram confirmadas pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

“A preocupação do Dênio é porque os réus estão soltos. E se estão soltos dá a entender que o processo não corre com a agilidade que deveria. A intenção da família é de ver o processo caminhar dentro do prazo razoável e há uma preocupação grande com o envolvimento de policiais”, disse Geraldo Magela. “Quero ver a justiça, doa a quem doer. Para que nenhuma outra família passe o que eu passei e nenhum segurança faça isso novamente”, ressaltou Dênio Pontelo.

Projeto de Lei

Está em tramitação no plenário da Câmara Municipal de Belo Horizonte um projeto de lei  sobre a atuação dos seguranças em boates e casas noturnas da capital mineira. De autoria do vereador Pedro Bueno (Podemos), a proposição prevê “que a atividade de segurança das casas de shows, boates e congêneres deverá ser exercida pelo profissional vigilante, devidamente credenciado junto à Polícia Federal”. O projeto já recebeu parecer favorável à aprovação em quatro comissões.

*Estagiário sob supervisão do editor Roney Garcia

 

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