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Estado de Minas

Faculdade de Direito da UFJF, reitoria e DCE divulgam repúdio às manifestações preconceituosas

O Diretório Central dos Estudantes prepara um ato para esta sexta e sábado contra as manifestações


postado em 18/10/2018 19:05 / atualizado em 18/10/2018 19:11

Segundo a direção universidade, as pichações já foram apagadas(foto: Reprodução/ Redes Sociais)
Segundo a direção universidade, as pichações já foram apagadas (foto: Reprodução/ Redes Sociais)
A reitoria e a Faculdade de Direito da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) divulgaram notas repudiando as manifestações preconceituosas no ambiente da universidade. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) prepara para esta sexta-feira e sábado manifestações contra o que chamam de “violência fascista”. 

Nessa terça-feira, nos banheiros da UFJF foram pichadas frases como 'morte aos gays’ e ‘morte aos viados', com mais de um tipo de grafia e de caneta, o que indica que foram escritas por mais de uma pessoa. Além disso, desenhos da suástica, em referência ao nazismo, também foram encontradas. 

Em nota, a reitoria da UFJF afirmou que ”repudia, de forma veemente, as ações de intolerância e violência que têm sido a marca de setores da sociedade que não aceitam a igualdade, a diversidade e a racionalidade”. Destaca ainda que “as ações da UFJF se pautam pela defesa e fortalecimento dos mais profundos valores democráticos. Resistir ao retrocesso e à barbárie é uma tarefa essencial de uma instituição que tem como missão a formação cidadã e profissional e o desenvolvimento da ciência pautados no conhecimento crítico e humanista”.

Segundo a direção universidade, as pichações já foram apagadas. Entretanto, tendo em vista que os banheiros são públicos, frequentados por alunos, professores, funcionários, e outras pessoas que passam no local, a UFJF alegou “grande dificuldade de monitorar” o espaço e descobrir os autores.

A direção da Faculdade de Direito da UFJF também divulgou uma “nota em defesa dos direitos fundamentais”, repudiando as pichações. A faculdade  enfatiza que “lamenta profundamente as inúmeras manifestações de violência e de discriminação que vêm ocorrendo no nosso país, em clara ameaça à proteção dos direitos fundamentais e dos valores democráticos, especialmente a liberdade de expressão e a proteção da vida e da dignidade humana”.

“Nossa faculdade respeita a diversidade, considerando-a um valor a ser preservado numa sociedade democrática, e não aceitará qualquer forma de discriminação ou de violência”, ainda diz a mensagem.

Diretório Central dos Estudantes

Embora as  pichações não tenham sido confirmadas e ainda não foi aberta investigação para descobrir a autoria, a  coordenadora de Assistência Estudantil do DCE de Juiz de Fora, Raquel Fett, atribui as frases homofóbicas a eleitores do candidato Jair Bolsonaro. Para isso, lembra que junto aos ataques foi escrito “Bolsomito 2018”. Ela ainda considera que, embora não existem elementos que liguem os dois fatos, o atentado contra o presidenciável em Juiz de Fora pode ter favorecido   para que ocorresse as pichações registradas nos banheiros da Universidade.

“Acho que o episódio (do esfaqueamento do candidato do PSL) acirrou o clima de violência”, declarou a representante da entidade estudantil. Por outro lado, ela entende que não existem motivos para que apoiadores de Bolsonaro pratiquem atos contra estudantes e outras pessoas da UFJF com tendências de serem contrários ao deputado e capitão reformado devido ao atentado que ele sofreu em Juiz de Fora. “Pois o Adélio não tem relação com a  gente e com a universidade”, salientou a coordenadora, lembrando que, na ocasião que Bolsonaro foi esfaqueado, o DCE da UFJF divulgou uma nota de repúdio contra o ataque. “Somos contra qualquer tipo de violência”, ressaltou.

Raquel Fett ainda salienta que, embora, durante a campanha eleitoral, Jair Bolsonaro tenha tenha dito que  rejeita votos de eleitores que praticam atitudes violentas, em diversas ocasiões anteriores, o deputado do PSL fez declarações contra gays e outras minorias. “Por isso, agora, os eleitores dele tendem a cometer atitudes homofóbicas. É como se elas tivessem sido legitimadas a praticar  atos de violência contra pessoas da comunidade LGBTI”, afirma.

A reportagem do Estado de Minas tentou, nesta quinta-feira,  mas não conseguiu contato com nenhum integrante da coordenação da campanha do candidato de Jair Bolsonaro em Juiz de Fora para comentar o caso.

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