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Estado de Minas

Jovens de cidades históricas fazem curso para proteger patrimônio

Curso forma e capacita profissionalmente moradores de cidades históricas da Grande BH para conhecer e defender relíquias de suas comunidades. Primeira turma tem aulas em Sabará


postado em 07/10/2018 06:00 / atualizado em 07/10/2018 08:53

Como parte do programa, alunos de 15 a 25 anos visitaram a Matriz de Nossa Senhora da Conceição e a Igreja de Nossa Senhora do Ó, em Sabará (foto: Arquidiocese de BH/Divulgação)
Como parte do programa, alunos de 15 a 25 anos visitaram a Matriz de Nossa Senhora da Conceição e a Igreja de Nossa Senhora do Ó, em Sabará (foto: Arquidiocese de BH/Divulgação)


Um projeto com as bênçãos do papa Francisco começou a florescer, ontem, em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Um grupo formado por 31 jovens, na faixa dos 15 aos 25 anos, do município e de Santa Luzia, Raposos e Caeté, participou das atividades inaugurais do curso Guardiões do Patrimônio Cultural, iniciativa da Arquidiocese de Belo Horizonte. Segundo o coordenador-geral, Josimar Azevedo, o objetivo do serviço-aprendizagem é a “formação cidadã”, conforme preconiza o sumo pontífice, e a capacitação profissional da turma visando à geração de emprego e renda. O foco está também no empreendedorismo, desenvolvimento econômico sustentável e nas múltiplas possibilidades que o patrimônio cultural oferece.

Com duração de um ano e atividades sempre aos sábados, o curso inclui aulas, visitas guiadas e ações práticas para a defesa dos recursos naturais, históricos e culturais das cidades onde moram os participantes. Tudo é gratuito e os jovens foram previamente selecionados pelas paróquias locais, conforme modelo já adotado em outras comunidades da América Latina. “É importante exercer a cidadania dentro da cultura de paz, de encontro e harmonia com a Mãe Terra”, afirma Josimar, professor de cultura religiosa da PUC Minas. Programado para começar na manhã de ontem, o curso em Brumadinho foi adiado para o ano que vem.

Na tarde de ontem, durante quatro horas, com início às 14h, rapazes e moças fizeram uma imersão cultural em Sabará, com atividades divididas em quatro módulos. Primeiro houve a apresentação de cada um, seguindo-se a visita a dois monumentos dos tempos coloniais: a Matriz de Nossa Senhora da Conceição e a Igreja de Nossa Senhora do Ó, ambas do século 18. “Essa parte é fundamental para fortalecimento do sentimento de pertencimento e de valorização do patrimônio cultural”, disse o professor.

PRESERVAÇÃO No terceiro módulo, os jovens tiveram a oportunidade de conversar com pessoas da comunidade, que falaram sobre a importância da preservação dos monumentos, e, na etapa final, houve a preparação da turma para um trabalho na comunidade. Na semana que vem, devido ao feriadão, não haverá aula presencial, mas os jovens terão atividades em suas cidades, como verificar os acervos e o que merece cuidado e atenção. O serviço-aprendizagem se desenvolve em parceria com o bispo auxiliar, dom Vicente de Paula Ferreira, a coordenadora-geral do Memorial da Arquidiocese de BH, Maria Goretti Gabrich, e o vigário episcopal do Vicariato para Ação Pastoral, padre Joel Maria.

No curso, os jovens vão conhecer mais sobre o patrimônio ambiental e histórico-cultural de seus municípios, e a importância de preservá-los ao lado do empreendedorismo e desenvolvimento econômico sustentável. Em nota, a arquidiocese informa que, “com esse trabalho, busca contribuir para que os jovens, reconhecendo todo o patrimônio de suas cidades, estejam capacitados a atuar como guias e profissionais ligados à área do turismo. Ao mesmo tempo, a formação permitirá que a juventude se dedique à preservação dos bens de suas regiões”.

Moradora de Sabará e integrante da turma, a engenheira- agrônoma Fernanda Lopes Porto vai “apresentar” aos colegas as igrejas, já que trabalhou antes como guia de turismo. “Espero que o conhecimento que vamos adquirir seja multiplicado nas cidades de cada um. Temos aqui bens religiosos, que também são bens culturais e devem ser valorizados por todos, independentemente da crença”, observou Fernanda. Da vizinha Santa Luzia participam Rodrigo Martins e Wellington Rodrigo Moreira Corrêa. “É fundamental que a juventude aprenda a preservar e valorizar a história, ainda mais depois do incêndio no Museu Nacional, no Rio de Janeiro (RJ)”, destaca Rodrigo, de 17 anos, que pretende fazer o curso superior de conservação-restauração. Já Wellington vê agora a oportunidade de ampliar conhecimentos técnicos, trocar experiências e, depois, difundir os ensinamentos na comunidade.

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