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Estado de Minas

Reabertura da Basílica do Senhor Bom Jesus, em Congonhas, atrai dezenas de fiéis

Cerimônia contou com peça teatral, coral, orações e dobra dos sinos da basílica. Evento marca os 80 anos de emancipação política do município


postado em 28/06/2018 16:31 / atualizado em 29/06/2018 08:21

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(foto: Beto Novaes/EM/D.A. Press )


Congonhas – Um dos mais expressivos conjuntos arquitetônicos, artísticos e religiosos de Minas Gerais está novamente completo. Depois de cinco anos de projetos e restauro, foi reaberta nesta quinta-feira a Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, na Região Central do estado. O templo foi erigido em 1732 e integra a colina histórica do município, contando ainda com os 12 profetas da escadaria (1800 e 1805), esculpidos por Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, o jardim e as cinco capelas com os passos do martírio de Jesus Cristo. Os trabalhos de restauração da basílica revelaram pinturas antigas que tinham sido encobertas ao longo dos anos no teto e nas laterais. Até detalhes de ouro no altar e em peças como os relicário acabaram sendo pintados e agora estão novamente expostos. Só no jubileu de Congonhas, comemoração que se dá entre 7 e 14 de setembro, o público estimado chega a 120 mil pessoas por dia. Não há estimativas anuais de quantas pessoas visitam o conjunto, que é tombado como patrimônio da humanidade.

A restauração da basílica foi financiada em parte pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das cidades históricas, que injetou R$ 2,270 milhões, contando também com recursos de R$ 470 mil advindos de um Termo de Ajustamento de Condutas (TAC) intermediado pelo Ministério Público Federal (MPF) e a mineradora Anglo Gold Ashanti. “O patrimônio pode transformar cidades e transformar vidas também. Só em Minas Gerais, o PAC das Cidades Históricas abrange 95 municípios com recursos da ordem de R$ 250 milhões. São obras em Belo Horizonte, Ouro Preto, Mariana, Serro, São João del-Rei e Sabará, entre outros”, disse o diretor de projetos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artísticos Nacional (Iphan), Robson Antônio de Almeida.

O secretário de Estado de Cultura, Ângelo Oswaldo, destacou a importância de se manter o patrimônio de Congonhas não apenas para os mineiros, mas também para os brasileiros e turistas de todo o mundo. “Há registros de viajantes maravilhados com o santuário de Bom Jesus do Matosinhos desde o século 19. A própria adoração ao Bom Jesus de Matosinhos está presente em mais de 30 cidades mineiras”, disse. Como gesto de colaboração com o museu de Congonhas, um dos acervos mais completos sobre o barroco, o secretário doou um livro de fotografias da década de 1940, publicado na Argentina.

“O santuário é uma joia barroca, que nos legou a fé e a devoção, fazendo de Congonhas a capital mineira da fé”, afirmou o prefeito de Congonhas, José de Freitas Cordeiro. “Houve uma santa coesão do MPF, em Brasília, e do Iphan, que neste momento puderam presentar a casa de Deus restaurada para quem a frequenta, quem passa por aqui, para os turistas e sobretudo os fiéis que vêm a este templo para reverenciar o Bom Jesus”, disse o cônego Geraldo Leocádio, pároco e reitor do santuário de Bom Jesus de Matosinhos.

A reabertura do santuário trouxe artistas para encenar sua fundação, que se deu em 1732, impulsionada pela gratidão do português dono de lavras de ouro às margens do Rio Maranhão, Feliciano Mendes. Depois de ter contraído grave doença, ele prometeu erguer um santuário na colina de Congonhas do Campo caso fosse curado. Após a peça teatral, um coral entoou cânticos religiosos e os sinos dobraram para comemorar o restauro desse monumento de beleza, história e fé.

(foto: Beto Novaes/EM/D.A. Press)
(foto: Beto Novaes/EM/D.A. Press)

 

ARTE E FÉ

» 1757 – Minerador português Feliciano Mendes chega à região, é curado de grave enfermidade e começa a esmolar para a construção de templo dedicado ao Bom Jesus

» 1800 a 1805 – Antonio Francisco Lisboa esculpe os 12 profetas para o adro do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas

» 1939 – Em 8 de setembro, o conjunto do santuário é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)

» 1985 –
Em 3 de dezembro, ocorre o reconhecimento como patrimônio cultural mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco)

» 2015 – Iniciada a restauração dos elementos artísticos da basílica com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas

» 2015 – Em 15 de dezembro, é inaugurado o Museu de Congonhas, fruto da parceria entre a Unesco, o Iphan e a Prefeitura de Congonhas. Fica no entorno da basílica

» 2018 –
Em 28 de junho, reabertura da Basílica do Bom Jesus de Matozinhos, após mais de dois anos de restauração

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