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Estado de Minas

Após palestra nos Estados Unidos, mineira é alvo de ataques racistas

De Manga, no Norte de Minas, Alline Parreira proferiu uma palestra na Universidade da Cidade de Nova York onde falou sobre trajetória dela


postado em 20/06/2018 06:00 / atualizado em 20/06/2018 08:52

De acordo com Alinne, os ataques partiram de integrantes de um grupo que postou mensagens discriminatórias e agressivas(foto: Brado NYC/Divulgação)
De acordo com Alinne, os ataques partiram de integrantes de um grupo que postou mensagens discriminatórias e agressivas (foto: Brado NYC/Divulgação)

A mineira Alinne Parreira, de 27 anos, que ganhou notoriedade ao ser convidada a proferir uma palestra sobre sua história de superação para professores doutores da Universidade da Cidade de Nova York, nos Estados Unidos, sexta-feira passada, não conseguiu barrar o preconceito de pessoas do próprio país. Vítima de ataques racistas na internet, ela própria denunciou a situação, divulgando em redes sociais uma nota de repúdio em que manifesta sua indignação contra as mensagens ofensivas.

Nascida de pais pobres em Manga, às margens do Rio São Francisco, no Norte de Minas, Alline, que é negra, passou por duas famílias adotivas. Logo cedo aprendeu a lutar contra o racismo e o preconceito, além de superar os obstáculos da vida. Como ela mesmo relata, para sobreviver, já catou latinhas e vendeu cigarros e velas em porta de cemitério. Com 18 anos, deixou a cidade natal e morou em Brasília e em outras cidades brasileiras. Também viveu uma experiência na África. Há dois anos, mudou-se para Nova York, onde trabalha como faxineira.


De acordo com Alinne, os ataques partiram de integrantes de um grupo intitulado “Brasileiros em Nova York”, que postou mensagens discriminatórias e agressivas. “O racismo é causa de violência, exclusão, discriminação, além do extermínio da juventude negra. As mulheres negras sofrem duplamente o preconceito causador do ódio da burguesia contra as que ocupam posições de ativista, como é o meu caso”, escreveu a mineira, que também recebeu mensagens de apoio. “Tenho claro que a principal ferramenta para superar o racismo é a partir do empoderamento que ocorre por meio da resistência negra, reconhecimento de sua história, memórias, raízes e identidade. Meu cabelo não é ‘balaio’, ele é minha identidade, minha ancestralidade, ele cresce pra cima porque tem raízes e vai crescer pra onde quiser”, disse, em referência a uma das ofensas que recebeu.

Brado NYC/Divulgação(foto: Convite para a palestra da mineira, que teve transmissão em português e inglês pela internet )
Brado NYC/Divulgação (foto: Convite para a palestra da mineira, que teve transmissão em português e inglês pela internet )


“Fiz a nota de repúdio, porque pessoas como eu, que recebem esses ataques, precisam saber como reagir a esse tipo de agressão”, afirmou Alinne. Ainda na publicação, ela solicita às pessoas que souberem de outros comentários racistas que lhe comuniquem pela internet, “para que todas as providências legais sejam tomadas”.

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