Publicidade

Estado de Minas

Mortes de detentos e fugas expõem fragilidade do sistema em Minas

O número de agente penitenciários reduzidos nos últimos meses vem sendo apontado como um dos fatores para casos desse tipo, fugas e tentativas, entre outros


postado em 22/05/2018 06:00 / atualizado em 22/05/2018 08:56


A morte de cinco presos por enforcamento desde a semana passada dentro de uma penitenciária em Uberaba, no Triângulo Mineiro, está sendo investigada administrativamente pela Secretaria de Administração Prisional de Minas Gerais (Seap/MG). Além de Uberaba, há um óbito de um interno do Ceresp Gameleira, inicialmente por causas naturais, ocorrida no período. O número de agentes penitenciários reduzidos nos últimos meses vem sendo apontado como um dos fatores para casos desse tipo, fugas e tentativas, entre outros.

As ocorrências fatais no Triângulo foram na Penitenciária Professor Aluízo Ignácio de Oliveira. A morte mais recente, registrada na madrugada de ontem, foi do detento Edmar Aparecido de Oliveira, de 49 anos. O interno, que estava preso desde março de 2017, foi encontrado dentro de uma cela coletiva com uma corda de lençol amarrada ao pescoço.

Os outros registros foram no dia 14, quando quatro presos foram encontrados nas mesmas condições em uma ala do presídio. Possível causa para as mortes seria um confronto entre diferentes facções, além da superlotação.

A Seap informou que apura as quatro mortes administrativamente. Conforme a pasta, não houve nenhum pedido dos presos para serem encaminhados ao “seguro”, uma cela em que ficam os presos ameaçados. O Ministério Público e o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, de acordo com a secretaria, também estão acompanhando as investigações sobre os registros de mortes.

Na madrugada de domingo, mais uma tentativa de fuga no Complexo Penitenciário Nelson Hungria (CPNH), na Região Metropolitana de Belo Horizonte, expôs a atual fragilidade do sistema que, segundo o presidente da Comissão de Assuntos Carcerários da OAB-MG, Fábio Piló, é consequente do número insuficientes de agentes penitenciários. “Só esta semana foram duas fugas no estado e agora mais essa tentativa. A comissão está cansada de denunciar ao governado estadual as condições atuais”, afirmou Piló, no domingo.

Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap) informou que agentes de segurança penitenciários impediram a fuga de sete presos do anexo II do Complexo Penitenciário Nelson Hungria, por volta das 3h de ontem. “A equipe de plantão interceptou durante a ronda os sete indivíduos descendo do telhado para alcançar a muralha. A Seap ressalta que os trabalhos de inteligência e monitoramento somados ao desempenho dos agentes são os responsáveis pelo impedimento de nova fuga no complexo”, diz o comunicado.

Depois de impedida a fuga, segundo a secretaria, foi feita a contagem dos detentos e a unidade passou por revista nas celas. “Em razão dos danos à estrutura, como grades serradas, os presos do pavilhão 11 e do anexo II não receberam visitas no domingo. A unidade abriu um procedimento interno e apura as circunstâncias da fuga”, informou a nota da Seap.

De acordo com Fábio Piló, esta seria a sexta tentativa de fuga desde dezembro na Nelson Hungria e a terceira no mês. No dia 9, também sete presos tentaram escapar do pavilhão 1. Na quarta-feira passada, foi a vez de detentos do pavilhão 7 serem impedidos de fugir. Porém, na mesma semana, dois internos fugiram do presídio de Ponte Nova, na Zona da Mata, e quatro em Pouso Alegre, Sul de Minas, além do investigador que saiu da Casa de Custódia da Polícia Civil e matou três mulheres, duas das quais ele havia estuprado e sido condenado pelo crime.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade