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Estado de Minas

Bombeiro acredita que Francês poderia se salvar se andasse mais 300 metros

O corpo de Gilbert Eric Weterlín, que desapareceu em 17 de abril na Serra da Mantiqueira, foi encontrado nesse sábado próximo a uma cachoeira. Segundo o capitão Paulo Roberto Reis, um dos responsáveis pela busca, o atleta estava próximo a um pasto onde poderia conseguir ajuda


postado em 06/05/2018 18:58 / atualizado em 06/05/2018 19:34

Corpo do francês foi encontrado próximo a uma cachoeira nesse sábado(foto: Reprodução/Facebook)
Corpo do francês foi encontrado próximo a uma cachoeira nesse sábado (foto: Reprodução/Facebook)

Aproximadamente 300 metros. Essa era a distância que poderia salvar o francês Gilbert Eric Weterlín, encontrado morto nesse sábado depois de ficar desaparecido na Serra da Mantiqueira por 17 dias. O corpo do atleta estava próximo a uma cachoeira já no lado de São Paulo, no município de Piquete, e foi visto pelo funcionário de uma fazenda que cuidava de gados na região. Segundo o Corpo de Bombeiros, próximo dali tinha um pasto, onde o alpinista poderia conseguir ajuda.


“Foi encontrado bem na base da montanha, totalmente fora das trilhas existentes (na Serra da Mantiqueira). Por mais um pouco ele saía. Acredito que mais uns 300 metros já estaria em um pasto, onde há gados. Teria que andar um pouco para encontrar a civilização, mas estaria mais próximo”, explicou o capitão Paulo Roberto Reis Teixeira de Souza, do 11º Grupamento de Bombeiros da Região do Vale do Paraíba, um dos responsáveis pelas buscas.


O capitão acredita que o francês possa ter chegado no local onde o corpo foi encontrado durante a noite e parou para descansar. “Estava deitado com a perna cruzada e com a mão no peito, encostado em uma pedra. Acredito que tenha chegado de noite, porque se fosse de dia iria ver o pasto”, disse. Uma das hipóteses para a morte é a hipotermia, mas somente a perícia vai indicar o que aconteceu.

Local onde o corpo foi encontrado é de difícil acesso(foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação)
Local onde o corpo foi encontrado é de difícil acesso (foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação)


Gilbert Eric desapareceu na terça-feira 17 de abril. Contudo, o registro só foi formalizado na quarta-feira pela família e as buscas começaram na manhã de quinta-feira. Welterlin estava acostumado a participar de competições de corrida em montanhas fora do Brasil. No dia do desaparecimento, segundo informações de familiares, ele teria saído para treinar com equipamentos mínimos de sobrevivência: uma jaqueta impermeável, um cobertor de emergência e uma head-lamp (dispositivo de luz na cabeça). Mas, não voltou. Ele é morador de Itajubá, no Sul de Minas, e casado com uma brasileira.


Uma grande operação foi montada por militares da PM e do Corpo de Bombeiros de Minas e São Paulo na tentativa de encontrar o francês. Na manhã de sábado, por volta de 11h50, o corpo do atleta foi encontrado por um funcionário de uma fazenda no município de Piquete, no interior de São Paulo. O homem cuidava de gados na região, quando sentiu um forte odor. Ele se aproximou da cachoeira e avistou Gilbert Eric caído. Em seguida, ligou para um bombeiro de São Paulo. Os militares conseguiram chegar até o cadáver depois de duas horas de caminhada. A área é de difícil acesso, fora e longe de trilhas.

Buscas


A operação para encontrar o atleta durou 18 dias. Desde o início, aproximadamente 500 militares percorreram centenas de quilômetros na tentativa de encontrar vestígios que pudessem levar até o francês. A ação teve três fases. “A gente estava na terceira fase das buscas, que era trabalhar com as adjacências da montanha com atenção aos odores. Na primeira fase, trabalhamos com as principais trilhas, tomando por base as informações de que o carro dele estava na base e também com a informação da mulher dele de que o atleta iria subir o pico dos Marins. Também tivemos acesso ao programa do computador que tinha os dados da última trilha que tinha feito”, explicou o capitão.


Durante as buscas, as estratégias foram mudando e já tinha sido cogitada a morte de Gilbert. “Durante oito dias, fizemos a varredura de uma forma bem detalhada de toda área. Na segunda etapa, adentramos nas grutas, fendas e penhascos. Na terceira abrimos esse leque e trabalhando com a possibilidade da morte, sempre acreditando que ele poderia estar com vida”, disse Souza. O militar, responsável pelas buscas, ressaltou o trabalho conjunto entre os dois estados. “Foi um trabalho muito bacana feito em conjunto pelos militares dos Bombeiros e da Polícia Militar de São Paulo e Minas Gerais, já que foi na divisa de área entre os dois estados”, finalizou.

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