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Estado de Minas

Vingança por morte em tiroteio com a PM motivou caos na BR-381

Criminosos incendiaram ônibus e fecharam tráfego em Betim, provocando engarrafamento de 10 quilômetros. Ataque foi retaliação à morte de jovem em troca de tiros com policiais


postado em 26/03/2018 06:00 / atualizado em 26/03/2018 08:02

Ônibus que foi incendiado trafegava no sentido BH/São Paulo levando 20 pessoas, que foram obrigadas a descer na rodovia(foto: Sidney Lopes/EM/DA Press)
Ônibus que foi incendiado trafegava no sentido BH/São Paulo levando 20 pessoas, que foram obrigadas a descer na rodovia (foto: Sidney Lopes/EM/DA Press)


Motoristas e passageiros tiveram um domingo de caos na BR-381, a Rodovia Fernão Dias, no trecho Belo Horizonte/São Paulo. O motivo foi o ataque de criminosos, que incendiaram um ônibus metropolitano e depredaram outro, além de obrigar o motorista de uma carreta-tanque a posicionar o veículo atravessado na rodovia. A ação, ocorrida entre o fim da manhã e começo da tarde no Km 502 da estrada, no Bairro Citrolândia, em Betim, na Grande Belo Horizonte, teria sido desferida em retaliação à morte de um adolescente no bairro, no fim da noite do sábado, em troca de tiros com policiais militares.

Foram quase quatro horas de fechamento da via nos dois sentidos, com congestionamento que chegou a 10 quilômetros. De acordo com o policial rodoviário federal Adailson Silva, responsável pelo registro do boletim de ocorrência, às 11h15, um grupo, cujos integrantes usavam capuz e camisa escondendo o rosto, alguns com armas de fogo, cercou o coletivo da linha 3850 (Citrolândia/Belo Horizonte), sob a passarela de acesso ao bairro. “No ônibus viajavam cerca de 20 pessoas, que foram obrigadas a descer do veículo. O motorista ainda foi agredido pelos criminosos, que jogaram gasolina e colocaram fogo no coletivo, que trafegava no  sentido BH/SP”, explicou o policial.

Ainda de acordo com Adailson, um segundo ônibus que vinha na sequência foi parado e teve janelas destruídas por integrantes de um grupo de cerca de 30 moradores do Citrolândia, que desceram para a rodovia para um protesto que se transformou em ato de vandalismo. Os encapuzados obrigaram o carreteiro a parar e fecharam a estrada sentido SP/BH. “Acredito que colocariam fogo na carreta-tanque, o que poderia ter proporções trágicas, já que o recipiente estava vazio e, nesses casos, há uma concentração de gases que resultaria em uma grande explosão”, destacou o policial.

Segundo Adailson, a chegada de policiais militares que atuam no bairro teria impedido que os incendiários seguissem com o plano. Eles, então, depois que a carreta ficou atravessada na rodovia, retiraram o motorista à força da cabine e roubaram as chaves do veículo. Já alguns manifestantes que pretendiam colocar fogo em pneus nas pistas não tiveram tempo e deixaram o material queimando na via marginal.

Policiais rodoviários federais, com ajuda de PMs e militares do Corpo de Bombeiros, depois de contidos os manifestantes, providenciaram a liberação da pista. Por volta das 13h45 o trecho BH/SP, com oito quilômetros de congestionamento, foi desimpedido com a retirada da carcaça do ônibus queimado. Já no sentido oposto, com filas de até 10 quilômetros, o tráfego só foi normalizado às 14h30, depois que um chaveiro conseguiu fazer com que a carreta fosse retirada do meio da estrada.

Depois de liberada a pista, tráfego continuou confuso com o tombamento de uma carreta(foto: Sidney Lopes/EM/DA Press)
Depois de liberada a pista, tráfego continuou confuso com o tombamento de uma carreta (foto: Sidney Lopes/EM/DA Press)


ACIDENTE Apesar da liberação total na área da ocorrência, para quem viajava no sentido BH/SP, o trânsito confuso entrou pela noite, já que no Km 504 da estrada uma carreta carregada de açúcar tombou no canteiro central e a carga ficou sobre a pista da esquerda. “O motorista vinha em velocidade, não conseguiu parar a tempo e bateu na traseira de um dos últimos carros na fila, em decorrência do congestionamento com o fechamento das pistas no Bairro Citrolândia. O automóvel arrastado atingiu a traseira de um outro veículo, enquanto a carreta tombou no canteiro central e a carga se espalhou”, relatou o policial Adailson.

Até o começo da noite de ontem a situação era complicada para motoristas e passageiros. Por volta das 18h, teve início o transbordo do carregamento de açúcar, o que deixou apenas uma pista liberada em direção a São Paulo. O engarrafamento chegava a dois quilômetros, na região de Betim. Segundo a PRF, não houve registro de feridos ou presos. Os envolvidos no ato de vandalismo não foram identificados.

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