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Estado de Minas

Caseiro foi morto ao descobrir que invasores estavam com furadeira em vez de arma

O crime aconteceu em outubro do ano passado em Santa Luzia, na Grande BH. Criminosos tamparam a furadeira com uma camisa e acabaram descobertos. Por causa disso, deram uma facada no pescoço da vítima


postado em 16/03/2018 14:34 / atualizado em 16/03/2018 14:45

Os dois homens foram indicados por latrocínio - roubo seguido de morte(foto: Reprodução/TV Alterosa)
Os dois homens foram indicados por latrocínio - roubo seguido de morte (foto: Reprodução/TV Alterosa)

A reação do caseiro José Pinto dos Reis, de 62 anos, ao descobrir que assaltantes usavam uma furadeira para tentar assaltar a casa dele, foi o motivo para a vítima ser morta. O crime aconteceu em outubro de 2017 em um sítio de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Os criminosos,  Rander Henrique Vieira, conhecido como 'Randão', de 25, e Leandro Henrique Amorim, o 'Leleu', de 22, confessaram o crime e informaram que o homem gritou, por isso o atingiram com golpe de faca. Os dois foram indiciados por latrocínio – roubo seguido de morte. Se condenados podem pegar até 30 anos de prisão.

As investigações dão conta que os criminosos chegaram na propriedade entre 22h e 23h de 3 de outubro. Segundo a delegada Adriana Rosa, responsável pelo caso, os dois homens já conheciam a casa onde aconteceu o crime. “Na data, se dirigiram até o sítio, pularam uma cerca lateral, aguardaram por cerca de 20 minutos alguém chegar para ter acesso a residência, pois tinham ciência de um circuito de alarme”, disse.

Quando José chegou ao local, Leandro o abordou com uma furadeira, escondida com uma blusa de cor escura, simulando uma arma de fogo. “De fato, a noite daria para confundir com uma arma”, afirmou a delegada. O homem foi levado para dentro do imóvel e lá teria percebido que se tratava de um simulacro. “Segundo os dois homens, depois que percebeu, teria reagido. Neste momento, Rander o imobilizou e os dois caíram. Imaginando que estava fazendo barulho para chamar a atenção do que estava acontecendo, ele resolveu executar a vítima”, contou Adriana Rosa.

O caseiro foi atingido por uma facada no pescoço que provocou um corte profundo. Logo após o crime, os dois homens fugiram sem levar nenhum objeto da casa. O corpo de José foi encontrado no dia seguinte, quando as investigações tiveram início. Equipes da Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP) iniciaram os levantamentos e conseguiram imagens de câmeras de segurança que flagraram a movimentação dos dois homens.

“Colhemos algumas imagens nas proximidades da região. Identificamos os dois suspeitos em movimentação suspeita e indo em direção ao sítio por duas vezes. Depois, retornando correndo, já ficando claro que seria os dois suspeitos. Com as imagens, a equipe procedeu algumas diligências nas imediações e conseguiu identificar dois”, explicou a delegada.

Foi pedida à Justiça a prisão dos dois homens, o que aconteceu em 31 de janeiro. Leandro já estava preso por outro crime. Ele tinha sido detido em flagrante durante um roubo a ônibus. Foi por meio da reconstituição do assassinato do caseiro que os detalhes do homicídio foram esclarecidos. “Marcamos a reconstituição que, à princípio, seria da movimentação do vídeo. Nesta ação, indicou-se a participação do Leandro. Em entrevista preliminar, confessou a participação no crime, e que de fato teria cometido em conjunto com o Rander”, finalizou Adriana Rosa.

O inquérito que investiga o crime foi finalizado e remetido à Justiça nessa quinta-feira. Os dois homens vão responder por latrocínio. A pena varia entre 20 e 30 anos.

Negativa

Ao serem apresentados pela Polícia Civil nesta sexta-feira, os dois homens não entraram em consenso. Eles confessaram que invadiram a residência para roubar, mas jogam um para o outro a autoria do assassinato. “A gente não sabia o que tinha na casa. Fomos roubar coisa barata que poderia virar dinheiro. Não estávamos na cabeça o que iria levar. Levaríamos o que desce mesmo”, afirmou Rander. “Eu assumi o crime, pois um tem que tomar a atitude e segurar a barra. Mas não fui eu que matei”, disse.

Leandro também negou. “Eu estava com a furadeira, certo. A todo momento. Minha participação foi essa. Cheguei e abordei o cara. Aconteceu esse desacerto. Tentou gritar só. Se assustou”, afirmou. Para a Polícia, foi Rander que desferiu os golpes de facão no pescoço da vítima.

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