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Estado de Minas

Mesmo com obras recentes, avenida da Pampulha acumula problemas com as chuvas

Obras entregues há menos de um ano na extensão da Heráclito Mourão de Miranda parecem dissolver a cada chuva mais forte, causando apreensão nos moradores dos bairros próximos


postado em 02/02/2018 06:00 / atualizado em 02/02/2018 07:52

Há problemas também na parte em que o córrego não foi alargado(foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)
Há problemas também na parte em que o córrego não foi alargado (foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)

Asfalto estourado, árvores caídas, sujeira nas ruas.... Época de chuva em Belo Horizonte é sinônimo de transtorno, prejuízo e estragos, que muitas vezes demoram a ser reparados. Pior se for em praticamente toda a extensão de uma avenida, cujas obras começaram em 2015 e foram entregues há menos de um ano. Moradores e comerciantes que vivem e trabalham em bairros próximos à Avenida Heráclito Mourão de Miranda, na Região da Pampulha, na capital, estão apreensivos com a situação da via recém-reformada, cujas obras parecem derreter em vários pontos depois de temporais.

Depois de quase dois anos de transtornos com a segunda etapa das obras de alargamento do canal do Córrego Ressaca, um dos contribuintes da Lagoa da Pampulha, a comunidade reclama do aparecimento de problemas revelados após temporais recentes em área refeita. As intervenções para resolver o drama dos alagamentos históricos na via foram concluídas em abril do ano passado, mas problemas que se repetem preocupam vizinhos e quem usa a via com frequência. Na erosão aberta na última terça-feira, quase na junção do novo com o velho canal, no Bairro Santa Terezinha, é possível perceber que o meio-fio já havia sido refeito, indicando erosão anterior.

No mesmo lugar, camada mais nova de asfalto denuncia outros transtornos com buracos. Em frente, a barreira de concreto é nova, pois a anterior foi embora com as chuvas de 30 de dezembro. Problemas também podem ser vistos na área mais estreita do canal, que é mais antiga e não passou por obras.

Ontem, a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) iniciou os trabalhos de reparo do último problema registrado na avenida que vai desde a Lagoa da Pampulha até o Bairro Alípio de Melo. Com a chuva intensa da madrugada de terça-feira, um buraco levou praticamente uma faixa inteira de circulação em direção ao Alípio de Melo. Segundo o órgão, “os reparos necessários que têm previsão de serem concluídos em até sete dias. A parte afetada foi devidamente isolada pela Defesa Civil. Os serviços estão sendo executados sem ônus para a prefeitura, sem ônus”.

A Defesa Civil interditou o local e a BHTrans fez a sinalização, deixando uma única pista para o trânsito. Os funcionários que trabalharam ontem na solução do problema depositaram pedras de grandes proporções no buraco para iniciar o reparo. Por meio da assessoria de imprensa, a Prefeitura de Belo Horizonte informou que as causas dos problemas serão avaliadas.

César Daniel Caetano tem um restaurante às margens da via e não tem mais fé nos reparos que estão sendo executados no local(foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)
César Daniel Caetano tem um restaurante às margens da via e não tem mais fé nos reparos que estão sendo executados no local (foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)


MESMA HISTÓRIA A gerente de uma loja de bicicletas Valéria Cristina Vieira, de 50 anos, aponta que no mesmo ponto já houve outras duas erosões, todas após a obra que alargou o canal do Córrego Ressaca entre abril de 2015 e abril de 2017. “A impressão que eu tenho é que a obra não foi bem executada, principalmente pelo tempo em que nos trouxe transtornos como poeira, barro e dificuldades no trânsito”, afirma.

O dono de um restaurante às margens da avenida, César Daniel Caetano, de 59, não leva fé no reparo. “A água vai continuar penetrando por baixo se não houver uma base mais forte de concreto. A obra do canal deu muito transtorno para a população para não ficar completamente resolvida”, afirma. Para o presidente da Associação Comunitária do Bairro Santa Terezinha (Acost), William Evangelista Euleoterio, os moradores que residem nas proximidades da avenida se sentiram prejudicados e insatisfeitos desde o início da obra de ampliação do canal e continuam hoje. “Prometeram a solução do problema, porém, gerou novos transtornos, como as crateras, pavimento e o rompimento das barreiras”, afirma William. Ele considera que houve falta de planejamento da prefeitura.

A obra em questão é a segunda etapa da ampliação da capacidade do Córrego Ressaca, que custou R$ 33,7 milhões aos cofres públicos e teve em seu escopo, além do alargamento do canal, melhorias na geometria da confluência com o Córrego Flor D’Água (que chega da Avenida Presidente Tancredo Neves), com o próprio Córrego Ressaca e a substituição das duas pontes existentes sobre o canal do leito, nas interseções das avenidas Presidente Tancredo Neves e Santa Terezinha.

De acordo com a Sudecap, não houve falha na execução da obra. “As obras da córrego Ressaca têm o objetivo de diminuir as enchentes e minimizar os impactos dos alagamentos no local. Entretanto, desde o final de 2017, as chuvas estão muito acima da média num curto espaço de tempo”, diz o texto enviado pela Sudecap. A empresa responsável foi notificada para refazer as placas de concreto (parede do canal) que caíram devido às chuvas intensas de 30 de dezembro e esse serviço já foi concluído. Essa parte da obra estava na garantia e por isso não causou nenhum ônus à administração municipal. Sobre a erosão que começou a ser corrigida ontem, as causas do problema ainda estão sendo avaliadas e a previsão é de solução em sete dias. A Sudecap também afirmou que fez serviços rotineiros de tapa-buraco na Heráclito Mourão de Miranda há cerca de duas semanas, o que explica os reparos no asfalto.

(foto: Arte EM)
(foto: Arte EM)


OUTROS PONTOS
Moradores também relatam problemas no canal da mesma avenida em seu trecho fora da parte que passou por obras, nos bairros Castelo, Serrano, Alípio de Melo e Conjunto Celso Machado. Ao longo da estrutura, é possível ver pontos em que a chuva causou danos recentes, como no ponto em frente ao prédio de número 295. A força da água levou blocos de concreto do canal, conforme moradores e funcionários. Além disso, do prédio citado até o cruzamento com as avenidas Abílio Machado e Brigadeiro Eduardo Gomes, um dos extremos da Heráclito, o matagal toma conta do leito e não é possível sequer observar o Córrego Ressaca. *Estagiário sob supervisão da subeditora Regina Werneck

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