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Estado de Minas

Procura pela vacina da febre amarela resulta em longas filas nos postos de BH

Procura por imunização cresce nos postos de saúde de Belo Horizonte com o aumento de mortes pela doença em Minas. Unidades ficarão abertas amanhã para vacinar a população


postado em 19/01/2018 06:00 / atualizado em 19/01/2018 07:49

Centro de Saúde Carlos Chagas, no Bairro Santa Efigênia, foi um dos locais com grande procura de pessoas por uma dose contra a febre amarela (foto: Leandro Couri/EM/DA Press)
Centro de Saúde Carlos Chagas, no Bairro Santa Efigênia, foi um dos locais com grande procura de pessoas por uma dose contra a febre amarela (foto: Leandro Couri/EM/DA Press)

A confirmação da morte de dois moradores de Belo Horizonte em decorrência da febre amarela e a preocupação com a circulação do vírus pela cidade levaram a uma corrida pela vacinação. Ontem, postos de saúde da capital mineira estavam lotados durante todo o dia. Nas filas, muita reclamação pela espera do atendimento, que durou horas em alguns locais, e desinformação sobre quem poderia se imunizar. Funcionários afirmam que a demanda estava bem acima do normal. Tudo isso às vésperas da primeira ação deste ano da Prefeitura de Belo Horizonte para intensificar a vacinação. Amanhã, todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) do Sistema Único de Saúde (SUS) estarão abertas para receber a população. A mesma atividade ocorrerá em Casa Branca, distrito de Brumadinho, e local mais provável onde o músico e presidente da Empresa Mineira de Comunicação, Flávio Henrique, contraiu a doença.

A preocupação com a febre amarela levou a população a encher os postos de saúde à procura da vacinação. O resultado foi a longa espera por atendimento. No centro de saúde Cidade Ozanan, no Bairro Ipiranga, na Região Nordeste de BH, longas filas se formaram logo de manhã. Os moradores foram divididos em dois grupos, um para fazer o cadastro e receber senha, e outro para receber a vacina. Algumas pessoas quase ficaram sem a imunização, depois da recusa de alguns funcionários. “A enfermeira fazia a triagem olhando o cartão de vacinação e informando que não poderia tomar duas doses. Chegou a dizer que quem fizesse isso desenvolveria a doença. Como não levei o meu cartão de vacinação e não tinha certeza se tinha tomado, ela chegou a discutir comigo afirmando que eu já tinha me imunizado. Mas, depois, consegui tomar a vacina”, contou a estudante Luisa Duarte Campos, de 20 anos.

No Centro de Saúde Carlos Chagas, no Bairro Santa Efigênia, na Região Centro-Sul, a demanda também foi superior. A decoradora Amaziles Cantagalli, de 62, não tomaria a vacina, mas resolveu se imunizar depois da repercussão da doença. “Agora veio um volume maior (de pessoas), porque estão com medo. Eu mesma, não iria e nem queria me vacinar porque não vou a lugares infestados”, disse. Ela ficou horas na fila até ser atendida. “Acho que eles deveriam disponibilizar mais profissionais neste momento. Como morreu uma pessoa importante, todos querem se vacinar ao mesmo tempo”, finalizou.

Com o objetivo de garantir a imunização da população diante dos casos registrados em municípios da Grande BH, a avaliação dos idosos poderá ser realizada por qualquer profissional de saúde, inclusive os que atuam nas unidades básicas. A determinação foi feita pelo Ministério da Saúde. Atualmente, a cobertura vacinal contra a febre amarela em BH está em 86%. A meta é atingir 95%. BH ainda não registrou nenhum caso de febre amarela com contágio dentro do município. Dois moradores da cidade morreram em decorrência pela doença, mas foram contaminados em áreas rurais de municípios da região metropolitana.

Fila à espera da dose no Centro Osvaldo Cruz, no Barro Preto (foto: Leandro Couri/EM/DA Press)
Fila à espera da dose no Centro Osvaldo Cruz, no Barro Preto (foto: Leandro Couri/EM/DA Press)


SENHAS O bancário Fabiano Nakaguma, de 42 anos, também buscou o centro de atendimento e culpou a burocracia para a demora. “As pessoas preenchem formulários antes de serem vacinadas. Acredito que se fosse feito esse preenchimento de maneira prévia, agilizaria”, comentou. Para ele, a divulgação de novos casos e mortes pela doença, levou a uma maior procura pela vacina. Nakaguma contou que chegou no posto de saúde por volta das 15h30 e pegou uma das últimas senhas que eram distribuídas. “Mesmo assim, muitas pessoas continuaram vindo para tentar a imunização”.

A vacina pode ser encontrada ao longo de todo ano nos 152 centros de saúde da capital mineira.A Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) afirmou que atrasos podem ocorrer por causa da alta demanda da população. “Devido à grande procura nos últimos dias, podem ocorrer esperas e faltas pontuais, com rápida reposição. A capital conta com estoque de vacinas para atender a população que ainda não foi vacinada”, afirmou. Sobre as pessoas que não estão com o cartão de vacinação, a pasta informou que elas são atendidas e que podem haver atrasos, pois “é necessário fazer o cadastro do usuário no sistema, de forma a gerar um prontuário, com as informações do paciente (data em que recebeu a vacina, lote da vacina, dentre outras)”.

Unidade de saúde no Centro da capital: imunização em BH está em 86%. Meta é 95% (foto: Leandro Couri/EM/DA Press)
Unidade de saúde no Centro da capital: imunização em BH está em 86%. Meta é 95% (foto: Leandro Couri/EM/DA Press)


PROTEÇÃO A vacinação está sendo intensificada em 248 municípios mineiros. Amanhã, os centros de saúde de BH estarão abertos para receber a população. Eles vão funcionar das 8h às 17h. Muitas dúvidas a respeito da vacinação ainda persistem na cabeça dos moradores. Uma delas é sobre a dose única. O Ministério da Saúde mudou a estratégia de vacinação contra a febre amarela em abril de 2016, seguindo as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Com isso, a dose única foi adotada. Isso significa que apenas uma dose é capaz de imunizar por toda a vida, não havendo mais a necessidade de reforço. As pessoas que já receberem duas doses da vacina ao longo da vida não precisam se preocupar. Elas estão consideradas imunizadas e não vão precisar do reforço feito de 10 em 10 anos.

Minas não alterou a dosagem da vacinação, como ocorreu em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Nesses estados, a dose recebida pela população é de 0,1ml, que é chamada de fracionada. Ela é recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em locais onde há grande risco de a doença se expandir. Essa dosagem protege o morador por até oito anos. Em Minas, a dose é completa. Com isso, o morador recebe 0,5ml da vacina. Essa dosagem protege o cidadão pela vida toda.

As pessoas devem se programar se forem fazer alguma viagem, principalmente aos locais onde há a comprovação da circulação do vírus. A dose da vacina demora 10 dias para fazer efeito. Caso não lembre se já recebeu alguma dose da vacina contra a febre amarela, a recomendação da Secretaria de Estado de Saúde (SES/MG) é de procurar os profissionais de saúde em qualquer Unidade Básica de Saúde (UBS) do sistema Único de Saúde (SUS) para uma avaliação e verificação da necessidade de se vacinar. (Colaborou Leandro Couri)

 

FIQUE ATENTO


Quem deve se vacinar


» A vacina está disponível em todos os postos do Sistema Único de Saúde (SUS) para pessoas acima de 9 meses e até 59 anos


Ressalvas

» Quem tem mais de 60 anos precisa passar pela avaliação de um profissional da saúde antes de tomar a vacina
» Pessoas acima de 60 anos, gestantes e mulheres que estão amamentando crianças menores de 6 meses devem se vacinar se forem deslocar para locais com transmissão ativa da febre amarela
» Mulheres que estão amamentando devem suspender o aleitamento materno por 10 dias após receber a vacina

 

Quem não pode se vacinar

» Crianças com menos de 6 meses
» Indivíduos com histórico de reação anafilática a substâncias presentes na vacina (ovo de galinha e seus derivados, gelatina e outros produtos que contêm proteína animal bovina)
» Pacientes com histórico de doenças do timo (miastenia grave, timona, casos de ausência de timo ou remoção cirúrgica), também devem buscar orientação de um profissional de saúde
» Pacientes com imunossupressão de qualquer natureza
» Pacientes infectados pelo HIV com
imunossupressão grave
» Pacientes em tratamento com drogas imunossupressoras (corticosteroides, quimioterapia, radioterapia, imunomoduladores)
» Pacientes submetidos a transplante de órgãos
» Pacientes com imunodeficiência primária
» Pacientes com neoplasias

Inhotim vai exigir cartão


A visitação no Inhotim, um dos mais importantes centros de arte contemporânea do mundo, localizado em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, só poderá ser feita por pessoas que já receberam a vacina contra a febre amarela. A medida foi anunciada ontem pela assessoria de imprensa do local turístico e passa a valer na próxima terça-feira. Os visitantes já estavam recebendo repelentes ao irem à área verde por causa dos casos da doença que já tinha sido confirmados na cidade no início deste ano. No entanto, nenhum caso da enfermidade foi identificado dentro da unidade.

De acordo com o Inhotim, o cartão de vacinação deve ser apresentado pelos visitantes para comprovar a imunização. A dose terá de ter sido ministrada 10 dias antes. “A medida é mais uma ação preventiva que o Instituto adota, em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, para conscientizar os visitantes sobre a importância de se vacinar contra a doença. O Inhotim já oferece aos visitantes repelentes, dispostos em locais estratégicos do museu, como recepção, estação educativa e pontos de alimentação”, explicou por meio de um comunicado. A conferência do cartão de vacinação será realizada no estacionamento do parque.

Os responsáveis pelo local afirmam que já vêm realizando ações de prevenção contra a doença desde o ano passado. “O Instituto informa que não foi identificado nenhum caso de febre amarela no Inhotim e que continua tomando todas as medidas preventivas necessárias para combater a doença”, completou.

Devido a circulação do vírus da febre amarela em Minas, ao menos cinco parques estão fechados ou com restrição de visitação no estado. Entre eles, o Parque das Mangabeiras e da Serra do Curral, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Na capital, ainda há alerta em três áreas verdes devido a proximidade com locais onde tiveram mortes de primatas: Estação Ecológica do Cercadinho, entre BH e Nova Lima; Parque Estadual Serra Verde, na Região Norte, e Parque Estadual da Baleia, na Região Leste. 

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