Publicidade

Estado de Minas

Casos de febre amarela se concentram na Região Metropolitana de Belo Horizonte

Escalada da enfermidade ganha força na região metropolitana, que acumula 59% dos óbitos e casos confirmados este ano estado, que ainda investiga outras 46 notificações


postado em 18/01/2018 06:00 / atualizado em 18/01/2018 06:57

A vacinação vem sendo intensificada nas cidades onde há mortes de macacos ou casos suspeitos de febre amarela em humanos em Minas (foto: Leandro Couri/EM/DA Press)
A vacinação vem sendo intensificada nas cidades onde há mortes de macacos ou casos suspeitos de febre amarela em humanos em Minas (foto: Leandro Couri/EM/DA Press)

A febre amarela se espalha cada dia mais por Minas Gerais e ganha força na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Já são 15 mortes em decorrência da doença e 22 casos confirmados, sendo 59% deles no entorno da capital (veja quadro), de acordo com boletim epidemiológico divulgado ontem pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). Os números podem ser ainda maiores, já que a Prefeitura de Viçosa, na Zona da Mata, também confirmou a morte de um morador da cidade. O estado investiga ao todo 46 notificações, sendo que dessas, oito resultaram em óbitos ainda não apurados. Na Fundação Ezequiel Dias (Funed), trabalhos de identificação do vírus estão a todo vapor.

Além de BH, que registrou dois casos, sendo um óbito, Brumadinho, Caeté, Nova Lima, Rio Acima, Itabirito e Mariana confirmaram a doença em moradores. As duas últimas cidades estão na Região Central de Minas Gerais, mas respondem à Regional de Saúde de Belo Horizonte. Em Caeté, a vacinação já foi intensificada depois que um morador, de 47 anos, morreu devido à doença. O óbito foi no sábado, mas os resultados só foram divulgados anteontem. Segundo a Secretaria de Saúde do município, o homem morava no Bairro Vila das Flores e frequentava localidades rurais distintas. Na cidade são investigados outros quatro casos suspeitos.

Os dados da SES mostram que a maioria dos casos confirmados são de homens que não se vacinaram contra a doença. As vítimas têm entre 31 e 69 anos. O que impressiona é a letalidade da doença, que chegou a 68,2%. O primeiro caso do período 2017/2018, que começou em julho e vai até junho, ocorreu em 23 de dezembro. Desde o início da temporada, foram constatadas mortes de primatas (epizootias) em 161 municípios mineiros. Em 30 cidades, o vírus foi confirmado – nove somente em janeiro. Dessas, quatro foram na Grande BH. Em 87 não houve coleta de amostra do animal e por isso a causa da morte é indeterminada. Ainda estão sendo investigados os casos de óbitos de macacos em 44 comunidades.

(foto: Arte EM)
(foto: Arte EM)
A vacinação está sendo intensificada em 248 municípios mineiros. A cobertura vacinal em Minas Gerais estava em 82% no início do período, mas a meta é imunizar 95% da população. As vacinas estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). Devem se vacinar pessoas acima de nove meses e até 59 anos. Pessoas acima dessa idade, grávidas e mulheres que estão amamentando bebês menores de seis meses só devem se imunizar se forem se deslocar para áreas com transmissão ativa da doença. Mulheres que estão amamentando devem suspender o aleitamento materno por 10 dias. Quem tem mais de 60 anos deve procurar avaliação médica antes de tomar a dose. A vacina é contraindicada para quem tem alergia a ovo.

O morador de Viçosa que morreu em decorrência da febre amarela, de acordo com a prefeitura da cidade, estava internado em Belo Horizonte. A morte não consta no boletim divulgado ontem pela SES. A Secretaria de Saúde do município da Zona da Mata ampliou o público-alvo da vacina contra a doença. Agora, todas as pessoas acima de 9 meses de idade serão vacinadas. Gestantes, idosos e puérperas passarão pela triagem da equipe de enfermagem das unidades antes de tomar a vacina. De acordo com o secretário Municipal de Saúde, Marcus Schitini, a cidade passou a trabalhar com a provável circulação do vírus. A meta agora é aumentar a cobertura vacinal de 74% para 85% até sábado.

A vítima, de 61 anos, era produtor rural e morava próximo ao município de Estiva. Ele deu entrada no domingo no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital São Sebastião, ainda em Viçosa, mas o quadro se agravou e ele foi transferido para o Hospital Eduardo Menezes, considerado referência. O homem tinha dor na barriga, febre, sinais hemorrágicos e disfunção renal, sintomas de febre amarela.

(foto: Rafael Motta/ Divulgação)
(foto: Rafael Motta/ Divulgação)

Saúde confirma infecção de músico


O Hospital Mater Dei confirmou ontem que o músico e compositor Flávio Henrique Alves de Oliveira, de 49 anos, deu entrada no Centro de Terapia Intensiva (CTI), com diagnóstico de febre amarela. Segundo informações extraoficiais, o paciente apresentou complicações hepáticas, sendo necessário um transplante de fígado, com previsão de se estender até a madrugada de hoje. Amigos de Flávio, que preside a Empresa Mineira de Comunicação, à qual estão vinculadas a Rede Minas e a Rádio Inconfidência, fizeram campanha de doação de sangue e pedidos de orações nas redes sociais. Por meio de nota, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) esclareceu que a investigação epidemiológica apontou que a contaminação ocorreu na Grande BH. Disse ainda que o paciente não foi vacinado. A PBH informou que fez vistorias para a retirada de focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da forma urbana da doença, próximo à residência dele.

 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade