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Estado de Minas

Fechado, Parque das Mangabeiras vai passar por pente-fino contra febre amarela

Após a morte de três macacos, parque e mirante são fechados. Temor é de que eles tenham contraído febre amarela. Técnicos trabalham para eliminar focos do Aedes aegypti


postado em 01/12/2017 06:00 / atualizado em 01/12/2017 07:48

Comunicados de fechamento no portão do parque: medida é adotada pela segunda vez neste ano devido ao risco de transmissão da doença(foto: Ramon Lisboa/EM/DA Press)
Comunicados de fechamento no portão do parque: medida é adotada pela segunda vez neste ano devido ao risco de transmissão da doença (foto: Ramon Lisboa/EM/DA Press)
O alerta das autoridades de saúde foi ligado novamente para a transmissão da febre amarela em Belo Horizonte, devido à morte de macacos no Parque das Mangabeiras, na Região Centro-Sul da cidade. Foram encontrados os corpos de três primatas nesta semana na área verde. As causas dos óbitos estão sendo investigados. Por precaução, um dos espaços mais famosos da capital mineira foi interditado por tempo indeterminado pela segunda vez no ano. O Mirante das Mangabeiras, que faz parte do perímetro do parque, também foi fechado. O mesmo pode ocorrer com o Parque da Serra do Curral nos próximos dias. Na primeira vez em que houve o fechamento, ele também foi impedido de receber visitantes. Enquanto isso, uma operação pente-fino está sendo realizada na região para controlar o Aedes aegypti, vetor da doença em sua forma urbana.

A morte dos primatas é um alerta que aponta para a circulação do vírus transmissor da febre amarela em determinada área e, em geral, precede a infecção em humanos. Por isso, como forma de prevenção, a Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica (FPMZB) acatou a recomendação da SMSA e fechou o Parque das Mangabeiras por tempo indeterminado. A medida vai valer até que as análises nos animais, que vão determinar as causas das mortes, sejam concluídas.

Neste ano, a febre amarela, em sua forma silvestre, transmitida pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes, teve o seu pior surto no país desde 1980, segundo o Ministério da Saúde. Não foram registrados casos urbanos da doença desde 1942. Mesmo assim, algumas medidas têm que ser tomadas para evitar a infecção dentro da cidade. A Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) já iniciou uma operação pente-fino nas proximidades do Parque das Mangabeiras para eliminar os focos do mosquito Aedes aegypti.

Diante desse cenário, a Secretaria de Saúde faz um alerta aos moradores que ainda não se vacinaram contra a febre amarela para que procurem um dos 152 centros de saúde da cidade, independentemente se frequentam a área verde ou não. Somente neste ano, foram aplicadas 700 mil doses da vacina.  Com a mudança para dose única do medicamento, que ocorreu em abril pelo Ministério da Saúde, quase toda a população de BH está imunizada contra a doença, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.

Esta é a segunda vez que o parque é fechado neste ano por causa da febre amarela. A área verde ficou sem visitação por 120 dias depois que macacos foram encontrados mortos no local. O longo período de fechamento teve início em 23 de fevereiro e foi motivado pelo risco de transmissão da doença durante surto em Minas Gerais.

Como o Estado de Minas mostrou na quinta-feira da semana passada, mesmo sem novos casos em humanos desde julho, há registros de óbitos de primatas em 97 municípios mineiros. Deste total, oito foram confirmados com a enfermidade. Ainda estão sendo investigadas ocorrências em 18 cidades. Em outras 30 a causa da morte ainda é indeterminada, pois não houve a coleta de amostra de material genético. Somente em Belo Horizonte, de janeiro a setembro, foram encontrados 64 macacos mortos. Eles passaram por exames em laboratórios e quatro deram positivos para febre amarela. Os animais foram apreendidos nas regiões de Venda Nova, Centro-Sul, Oeste e Norte.

SURTO Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES/MG), o último paciente que contraiu febre amarela  no estado começou a sentir os sintomas em 9 de junho. Desde dezembro de 2016, foram registrados 475 casos da doença e 162 mortes. Dois moradores de Belo Horizonte contraíram a enfermidade fora do município. No país, a

enfermidade, em sua forma silvestre, teve o seu pior surto no país desde 1980, segundo o Ministério da Saúde. Foram mais 261 pessoas mortas em decorrência da moléstia e mais de 770 infectadas desde dezembro do ano passado. Minas registrou o correspondente a 62% do total de óbitos do país.


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