Publicidade

Estado de Minas

Polícia aguarda representação para investigar denúncia de estupro de universitário em Uberaba

Estudante de 23 anos registrou boletim de ocorrência denunciando violência sexual no domingo. 'Parabéns, você salvou uma mulher hoje', disse o criminoso, segundo postagem da vítima no Facebook


postado em 23/08/2017 06:00 / atualizado em 23/08/2017 08:12


A Polícia Civil aguarda, para poder abrir inquérito, a representação formal de um jovem de 23 anos que denunciou na internet ter sido vítima de estupro em Uberaba, no Triângulo Mineiro. O relato está em uma  rede social que, até o início da noite de ontem, tinha 3,2 mil curtidas, 602 comentários e 1,9 mil compartilhamentos. A brutalidade  consta também em boletim de ocorrência feito pela Polícia Militar. “Me sinto humilhado, envergonhado, assustado. Cada lembrança é um pesadelo. Eu olho pro meu corpo agora e só penso que cada corte, cada ferimento e cada dor vão se transformar em força, em esperança, em renascimento”, afirma o texto.

Mateus Henrique da Silva disse que fazia caminhada por volta das 7h de domingo quando foi abordado por um homem armado numa caminhonete preta. “Não foi sequestro, não foi assalto e, mesmo que pareça, não foi homofobia. Foi estupro. Eu não daria conta de reproduzir aqui o meu depoimento, e tampouco sei se algum dia darei”, escreveu. “Em resumo, um sujeito para de carro do meu lado, aponta uma arma na minha cara e me faz escolher entre entrar no veículo ou levar um tiro ali mesmo. E não, não tinha ninguém na rua, e também não, não tinha como correr. Ele roda um tempo, entra na mata, e o ato com paus, pedras e arame farpado começa”, contou, no Facebook.

“Caso eu quisesse gritar, a arma na minha boca não deixaria. (...) Não foi sexo, foi tortura”, diz, num dos pontos mais dramáticos do relato. “Mas como eu saí vivo? Segundo o cidadão, ele queria uma menina que provavelmente ia matar depois; já que encontrou só um garoto, esse ia salvar a vida dela. ‘Parabéns, você salvou uma mulher hoje’, disse ele depois de me amordaçar, amarrar e mandar correr descalço no asfalto quente antes que ele voltasse com outra ideia.”

Mateus afirma que, durante o percurso de quase uma hora e meia, mais de 20 pessoas passaram por ele e todas negaram ajuda. “Acharam que eu era drogado, assaltante... Tudo bem, eu entendo, mas não custava chamar a polícia que era a única coisa que eu conseguia gritar. Eu estava sozinho. Com medo. Por fim, um motoqueiro me faz esse grande favor e depois de meia hora chega a bendita polícia”, relata.

No boletim de ocorrência, a polícia relata que encontrou Mateus sentado na beira da estrada com as mãos e pés amarrados, de calça jeans e sem camisa, bastante abalado. A vítima tinha riscos no corpo todo e pedaços de galho seco introduzidos no lóbulo da orelha esquerda. Os militares afirmam ter levado o jovem ao Hospital São José, onde ele foi medicado pela plantonista, que constatou a violência sexual. A direção do hospital disse que precisava de tempo para confirmar informações.

DESABAFO Em seu texto, Mateus criticou o atendimento, dizendo que nem os policiais nem a equipe médica estavam preparados para um caso semelhante. “Mas você conhecia o agressor? Por que você não correu? Ele não titubeou nenhum momento pra você se aproveitar? e ‘o indivíduo alega’ foram as melhores pérolas que ouvi. Como sempre a culpa é da vítima.”

A assessoria da Polícia Civil informou que Mateus foi orientado por telefone sobre quais procedimentos tomar. Em caso de estupro masculino, a vítima deve comparecer à delegacia para fazer a representação  e só a partir daí as investigações são instauradas – diferentemente do crime envolvendo mulheres, cujo procedimento é automático. O Estado de Minas tentou falar com Mateus , mas, até o fechamento desta edição, não obteve sucesso.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade