Publicidade

Estado de Minas

Funcionários ocupam prédio da Unidade Ortopédica Galba Velloso em BH

Protesto é contra fechamento da unidade que já teve maioria dos pacientes transferida nesta terça-feira. Com colchões em mãos, trabalhadores dizem que só deixam o local depois de uma solução para impasse


postado em 08/08/2017 18:35 / atualizado em 08/08/2017 22:17

Trabalhadores ocuparam prédio da unidade ortopédica no começo da noite desta terça-feira(foto: Sind-Saúde MG/Divulgação)
Trabalhadores ocuparam prédio da unidade ortopédica no começo da noite desta terça-feira (foto: Sind-Saúde MG/Divulgação)

Um grupo de profissionais da saúde ocupou no começo da noite desta terça-feira a Unidade Ortopédica Galba Velloso (UOGV), no Gameleira, Oeste de Belo Horizonte. O protesto é contra a decisão da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig) de fechar o local, o que causou surpresa e rejeição dos servidores e usuários que recebem atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A unidade atende mensalmente mais de mil pacientes de todo o estado na área ortopédica.

Os manifestantes prometem ficar no local até que uma solução seja apresentada. Com colchões na recepção, eles vão dormir no local. A inciativa do protesto surgiu depois que a gestão da Fhemig realizou o levantamento patrimonial e também a transferência dos pacientes. O rápido esvaziamento do hospital ocorre um dia depois que o Conselho Estadual de Saúde (CES-MG) denunciou que a medida de fechamento da unidade não passou por nenhuma instância do controle social do SUS, o que a torna irregular.

Depois da ação da Fhemig, ficaram no local apenas três pacientes internados. A unidade apresenta dados de referência no atendimento ortopédico no estado e, segundo os manifestantes, a fundação não apresentou nenhum estudo da incorporação dos pacientes ao serviço de saúde. Em Minas Gerais, de acordo com sindicato da categoria, a fila por cirurgia ortopédica chega a 15 mil pessoas.

Nesta terça-feira, deputados da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa (ALMG) estiveram na Unidade Ortopédica do Galba Velloso e se manifestaram contra o fechamento do serviço pelo governo estadual. Durante a visita, segundo os integrantes da comissão, o fechamento do setor especializado foi confirmado por seu diretor, Sílvio Grandinetti Júnior.

Aos parlamentares, ele informou que os pacientes e novos atendimentos já estão sendo encaminhados para o próprio Hospital João XXIII e para o Hospital Maria Amélia Lins. Essas duas unidades, segundo ele, também receberão os cerca de 200 servidores da unidade ortopédica do Galba.

A medida, segundo admitiu Grandinetti aos deputados, vai sobrecarregar o atendimento das demais unidades, mas se deve a uma decisão judicial tomada com base em laudos da Vigilância Sanitária sobre a necessidade de melhorias nas condições do Galba Ortopédico.

A unidade funciona há 17 anos como um braço ortopédico do Hospital de Pronto Socorro João XXIII, realizando em média 280 cirurgias e mil atendimentos por mês. Foi criada, sobretudo, para dar continuidade ao tratamento de traumas que chegam primeiramente ao maior pronto socorro do estado, liberando leitos e estrutura para novas emergências.

Fhemig diz que vai cumprir ordem judicial

 

Representantes da Fhemig foram procurados para falar sobre a ocupação, mas não atenderam as ligações da reportagem. Na semana passada, por meio de nota, o presidente da fundação, Tarcisio Dayrell Neiva, informou que cumprirá a decisão judicial, transitada em julgado, de fechamento da Unidade Ortopédica, sob pena de incorrer em crime de descumprimento de ordem judicial e ato de improbidade administrativa.

No mesmo comunicado, a Fhemig informou que será pedido à Secretaria de Estado de Saúde (SES) apoio na viabilização de recursos “para uma rápida adequação dos hospitais recebedores". "Será criada uma comissão com o objetivo de realocar os servidores para os hospitais João XXIII, Maria Amélia Lins e outras unidades da Rede Fhemig, que absorverão os atendimentos e as cirurgias realizadas na Unidade Ortopédica", destacou a nota.

 

(RG) 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade