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Estado de Minas

Moradores relatam medo e prejuízos após incêndio em subestação em BH

As causas do incêndio ainda estão sendo analisadas pela Cemig, mas, em uma avaliação inicial, foi constatada falha no sistema de proteção


postado em 02/02/2017 06:00 / atualizado em 02/02/2017 08:13

Técnicos retiram fios que caíram perto da subestação: 90 mil pontos de consumo ficaram sem energia(foto: Beto Novaes/EM/DA Press)
Técnicos retiram fios que caíram perto da subestação: 90 mil pontos de consumo ficaram sem energia (foto: Beto Novaes/EM/DA Press)
Moradores de Venda Nova, da Pampulha e de alguns bairros da Região Norte viveram um dia de transtornos, medo e até prejuízos financeiros. Um incêndio na Subestação Pampulha, no Bairro Vila Clóris, deixou 90 mil pontos de consumo sem energia elétrica. Uma nuvem de fumaça laranja tomou conta de ruas próximas ao local, enquanto fios de alta-tensão estouravam como se fossem foguetes. Vizinhos informaram que ao menos quatro explosões foram ouvidas. Dezenas de famílias tiveram que ser retiradas de casas por precaução. As causas do incêndio ainda estão sendo analisadas pela Cemig, mas, em uma avaliação inicial, foi constatada falha no sistema de proteção.

O fogo teve início por volta das 11h30. Moradores relatam que viram fumaça de cor laranja saindo da estação. Em seguida, a chama se iniciou em um aparelho que fica no meio da subestação, que atende a Região de Venda Nova e Pampulha, e foi se espalhando. “Eu estava descendo a rua quando ouvi a explosão. O fogo passou para outras torres. Depois, foram mais três ou quatro explosões”, contou Wilton Von Dollingem, de 56 anos, que mora na região. “Já ocorreram pequenos curtos-circuitos que deixaram algumas ruas no escuro, mas deste jeito é a primeira vez”, completou.

A entrada principal da subestação fica em um quarteirão da Avenida Doutor Cristiano Guimarães. Mas, os maiores danos foram sentidos na Rua Stella Navarro de Miranda. Com as seguidas explosões, fios energizados caíram na rua e provocaram pânico entre os moradores. “Todos saíram de dentro das casas e foram para a rua ver o que estava acontecendo. Os cabos estavam estourando como se fossem fogos de artifício”, disse o funcionário público Wescley de Oliveira, de 47.
Ver galeria . 7 Fotos Defeito em uma subestação da Cemig provocou incêndio no Bairro PlanaltoReprodução/Whatsapp
Defeito em uma subestação da Cemig provocou incêndio no Bairro Planalto (foto: Reprodução/Whatsapp )

Pouco tempo depois que os moradores saíram, a fumaça laranja tomou conta da rua. “Nessa hora, todos correram com medo. Em seguida, a PM passou e retirou as famílias que ainda estavam em casa, por precaução”, contou. Os moradores ficaram na rua até a situação ser controlada, o que não demorou 30 minutos.

O estudante José Pedro, de 19, que mora na esquina ao lado da subestação, dormia no momento do incêndio. “Estava deitado quando minha mãe começou a gritar. Fui para a janela e vi um monte de pessoas correndo desesperadas na rua e o pessoal da padaria fechando as portas com medo de algo queimar lá dentro. Desliguei a chave de força da minha casa e desci”, contou.

A falta de informação para o horário de retorno da energia preocupou comerciantes da região como a sócia da padaria que fica ao lado da subestação, Elizângela Henrique. “Se não voltar hoje, vamos ter que fechar as portas. Conseguimos segurar até a noite, mas tem muitos produtos que podem estragar. Já estamos com prejuízos, pois a massa (de pão) estava pronta e tivemos que jogar fora”, afirmou.



ANÁLISE
Uma fonte ouvida pelo Estado de Minas contou que o problema ocorreu logo depois de um transformador estourar em uma rua próxima. “O sistema de proteção não atuou. Por isso, a energia voltou e danificou alguns materiais”, contou. Foram estragados oito disjuntores e alguns barramentos. Outros equipamentos maiores passariam por testes, mas não tinham danos visíveis.

De acordo com a Cemig, uma subestação móvel foi enviada para restabelecer o fornecimento de energia para os clientes das regiões Pampulha e Venda Nova durante a tarde. Dos 90 mil clientes que ficaram sem energia elétrica, 36 mil tiveram o fornecimento normalizado no início da tarde. O religamento já alcançava 99% dos clientes por volta das 19h. A Cemig disse que está apurando as causas da falha e que contou com o Corpo de Bombeiros para controlar as chamas.
O secretário-geral do Sindieletro, Vicente Ferreira, disse que há risco de novos incêndios. “O sistema está totalmente sobrecarregado e precisa de investimentos. Essa situação pode ter contribuído para o incidente que aconteceu aqui hoje (ontem)”, afirmou.


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