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Estado de Minas

Três são indiciados por morte em boate


postado em 21/04/2016 00:12

Paulo Henrique Lobato



O delegado Alexandre Oliveira da Fonseca, titular da divisão de Homicídios em Contagem, na Grande Belo Horizonte, indiciou três pessoas pelo assassinato do universitário Cristiano Guimarães do Nascimento, na madrugada de 7 de abril, na porta de uma boate no Bairro Eldorado. A vítima, morta com pontapés e pisões na cabeça e no pescoço, tinha 22 anos.

O policial sustenta a tese de homicídio duplamente qualificado (motivo fútil e sem chance de defesa para a vítima), cuja pena pode chegar a 30 anos. Dos três indiciados, dois estão detidos desde 8 de abril: os policiais militares Jonathas Elvis do Carmo, de 27, e Jonas Moreira Matias, de 28. Eles estão sob a custódia da PM, cada qual em um batalhão diferente.

A dupla trabalhava na Rotam e não estava de plantão na madrugada do crime. Ambos são investigados pela Ouvidoria da PM e podem ser exonerados. Já o terceiro investigado, um corretor de imóveis identificado como Célio, de 30 anos, é considerado foragido. O advogado dele nega que o cliente tenha participado das agressões.

O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público de Minas Gerais. Com base nos depoimentos de testemunhas e em imagens das câmeras de segurança da boate, o delegado acredita que os autores tentaram furar a fila do caixa e foram criticados pela vítima. Houve discussão no interior do estabelecimento.

O bate-boca continuou do lado de fora, onde ocorreu a briga que terminou com a morte do universitário. Imagens de uma câmera de segurança gravaram o universitário sendo pisoteado na cabeça e no pescoço. O delegado avaliou que o tempo entre a discussão na fila e a morte de Cristiano foi de aproximadamente 10 minutos.

A brutalidade com que o jovem foi morto repercutiu na imprensa e nas redes sociais. Parentes e amigos fizeram protestos na cidade. Ontem, a comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais realizou audiência pública para discutir o caso. O pai da vítima, Álvaro Nascimento, se emocionou ao falar do filho.

Indignado, ele cobrou a exoneração dos militares. “Meu filho não brigou. Ele apanhou até morrer. Eu preciso de apoio, carinho, afeto, mas é um afeto de correr atrás e defender essa causa”, reivindicou o homem, que ganha a vida como corretor de imóveis.

O irmão da vítima, Fabiano Guimarães, acompanhou o pai na audiência e clamou por justiça: “Acordar e não ver o Alexandre em casa por causa de uma brutalidade como essa me deixa sem palavras. É muita angústia e raiva. É um misto de sentimentos.” Para Fabiano, os seguranças da boate foram omissos ao não proteger o irmão.

Já o amigo da vítima Frederico Ferreira, testemunha no inquérito, disse aos deputados que tentou intervir na briga. Abalado, ele classificou o homicídio do universitário como um crime brutal e covarde. Durante a audiência na Assembleia, o rapaz pediu que os autores não fiquem impunes: “O modo como foi... A sociedade não pode aceitar de acontecer novamente”.

O presidente da comissão de Direitos Humanos, Cristiano Silveira, assegurou que o Parlamento vai acompanhar os desdobramentos do crime. “Precisamos aprimorar as leis para garantir que circunstâncias como essa não ocorram mais. Esse deve ser o nosso objetivo e compromisso.” A reportagem não conseguiu contato com os advogados dos suspeitos.


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