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Estado de Minas

Sebastião Salgado vem a BH discutir recuperação do Rio Doce

Fotógrafo, que é vice-presidente da ONG Instituto Terra, disse aos governadores Fernando Pimentel e Paulo Hartung, na manhã desta sexta-feira, que é preciso ter um fundo exclusivo para recuperar o rio


postado em 20/11/2015 12:04 / atualizado em 21/11/2015 14:51

Sebastião Salgado após a reunião com os governadores Fernando Pimentel e Paulo Hartung, no Palácio da Liberdade, nesta sexta-feira(foto: Cristina Horta/EM/D.A Press)
Sebastião Salgado após a reunião com os governadores Fernando Pimentel e Paulo Hartung, no Palácio da Liberdade, nesta sexta-feira (foto: Cristina Horta/EM/D.A Press)

Os governadores de Minas, Fernando Pimentel (PT), e do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), estiveram reunidos na manhã desta sexta-feira, no Palácio da Liberdade, com o fotógrafo Sebastião Salgado. Eles discutiram a criação de um comitê de governança para administrar um fundo a ser criado pela Samarco para ressarcir os prejuízos causados pelo rompimento da barragem do Fundão, no último dia 5, em Bento Rodrigues, distrito de Mariana, na Região Central do estado. Os recursos reivindicados são para a recuperação do Rio Doce e ressarcimento aos moradores de mais de 20 cidades já atingidas pela lama de rejeitos.

Salgado e Hartung não estimaram valores para esse fundo, pois há a possibilidade de ser criado mais de um, diante dos prejuízos socioambientais causados pela tragédia de Mariana,  conforme destacou o governador do Espírito Santo. Hartung disse acreditar que a Samarco tem interesse em ressarcir os danos provocados, por meio de um acordo entre governos de Mariana, estaduais e  da União. Mas não descartou uma judicialização, caso haja um impasse em torno dos valores a serem fixados, segundo Hartung, por perícias técnicas.

Sebastião Salgado, que veio a Belo Horizonte só para esta reunião com Pimentel e Hartung, disse que a sua maior preocupação é que não se "atomize" os recursos oriundos de multas e indenizações imputadas à Samarco, empresa controlada pelas gigantes da mineiração no mundo, Vale e BHP Billinton. Salgado afirmou temer que os recursos entrem para os cofres públicos das três esferas de poder (muncipal estadual e federal) e acabem sendo destinados a outros fins que não sejam o de recuperação da bacia hidrográfica do Rio Doce e indenizações às vítimas do rompimento da barragem. 

Problemas jurídicos

Também participaram da reunião nesta sexta-feira, no Palácio da Liberdade, representantes do Ministério Público de Minas Gerais e do Espírito Santo. "Desastre dessa dimensão precisa que governos tenham um nível de cooordenação significativo. Têm problemas jurídicos enormes nessa questão. Por isso, a relevância de ter a participação do ministério dos dois estados", justificou Hartung.

Na semana que vem, em data e horário sem agendamento,  deve acontecer uma outra reunião dos governadores Pimentel e Hartung, Dessa vez com a ministra do Meio Ambiente, IzabellaTeixeira, para levar o plano para aval do governo federal, já que o Rio Doce está sob jurisdição da União. "Saimos daqui ( Palácio da Liberdade) com esse compromisso", disse Hartung. Salgado não deverá participar dessa reunião em Brasília. Ele informou que retorna neste sábado a Paris, cidade onde reside.


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