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Estado de Minas

Poluição da lagoa e anexo de clube são desafios para Pampulha virar patrimônio da humanidade

Consultora aponta problemas que autoridades precisam solucionar para que BH receba título da Unesco


postado em 30/09/2015 06:00 / atualizado em 30/09/2015 08:28

María Eugenia Bacci, em visita à Casa Kubitschek: despoluição da lagoa e intervenção no Iate Tênis Clube são desafios da região avaliada(foto: FOTOS: LEANDRO COURI/EM/D.A PRESS)
María Eugenia Bacci, em visita à Casa Kubitschek: despoluição da lagoa e intervenção no Iate Tênis Clube são desafios da região avaliada (foto: FOTOS: LEANDRO COURI/EM/D.A PRESS)

No segundo dia de visita à Pampulha, em Belo Horizonte, a consultora venezuelana María Eugenia Bacci, do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos), conheceu os dois maiores desafios da região-monumento candidata ao título de Patrimônio Cultural da Humanidade, concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Segundo integrante da equipe que a acompanhou ontem, ela ressaltou que a poluição da lagoa e o Iate Tênis Clube, dono de um anexo que alterou o desenho original, são problemas a serem vencidos pelas autoridades. Para conhecer melhor os projetos na área de despoluição do espelho d’água, María Eugenia vai se reunir, possivelmente hoje, com representantes da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e da Copasa.

Além do clube, a arquiteta conheceu, na manhã e tarde de ontem, outras obras construídas nas décadas de 1940 – Igreja São Francisco de Assis, Museu de Arte da Pampulha (MAP) e Casa Kubitschek –, saídas da prancheta do arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012). A avaliação dela é a prova final da Pampulha, único sítio do país concorrendo este ano ao título, já que Paraty (RJ) ficou fora do páreo. O resultado será divulgado em junho de 2016 em Istambul, Turquia, e, se tiver êxito, BH estará ao lado de Ouro Preto, que recebeu o título em 1980, Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas (1985), ambos na Região Central, e Diamantina (1999), no Vale do Jequitinhonha.
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Mesmo com a situação das águas e do Iate, mostrados no dossiê de 500 páginas enviado à Unesco no ano passado, María Eugenia elogiou o trabalho desenvolvido, informou o presidente da Fundação Municipal de Cultura (FMC), Leônidas Oliveira. “Ela se mostrou muito impressionada com o modelo de gestão do projeto turístico implementado pela prefeitura e com o plano de matriz de responsabilidades, que inclui todos os demais projetos. Está satisfeita com o que está vendo”, afirmou Leônidas, ressaltando que a PBH dispõe de R$ 150 milhões em caixa para cuidar do patrimônio cultural e ecológico da região.

CONFIANÇA “Estou muito confiante na conquista desse título, pois a Pampulha é reconhecida internacionalmente pelo conjunto moderno. Na época, significou algo novo”, afirmou Leônidas. Ele explicou que as obras de despoluição estão em andamento, principalmente as referentes ao lançamento de esgotos. No caso do Iate, o presidente da FMC, disse que há disposição da prefeitura e do Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em ajudar o clube a abuscar recursos, embora sejam necessários os projetos executivos. A estimativa é de que a restauração fique em torno de R$ 7 milhões. Desde que foi entregue o dossiê, autoridades municipais e federais vêm informando que a situação do lago, que futuramente poderá receber esportes náuticos, não é empecilho ao título.

À tarde, durante a visita à Casa Kubitschek, antiga residência particular do presidente Juscelino Kubitschek (1902-1976), a dirigente do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha), Michele Arroyo, integrante da comitiva, disse que María Eugenia é “apaixonada” pela Pampulha pela obra de Niemeyer, já tendo feito, também, um estudo baseado em trabalhos do paisagista Roberto Burle Marx (1909-1994), autor de 12 projetos de jardins na Pampulha, incluindo os do MAP e da Casa do Baile.

O certo mesmo é que a visita da consultora enche de ânimo os admiradores do cartão-postal mais famoso da capital. “É meu lugar preferido, daqui vejo a Igreja de São Francisco de Assis iluminada. Niemeyer deixou sua marca em várias cidades, mas não tão fortes como na Pampulha”, afirmou o auxiliar administrativo e estudante de direito Lucas Filipe Rocha, de 23 anos, que curtia na orla duas semanas de namoro com Fernanda Izabella Rocha, de 22. Pedalando, as amigas Rafaela Souza, de 24, estudante de administração, e Lanna Couto, de 19, design de interiores, também elegeram a igrejinha como monumento mais bonito. “É um privilégio ter este patrimônio”, disse Lanna.
Pedalando, as amigas Rafaela e Lanna elegeram a igrejinha como o monumento mais bonito
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