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Estado de Minas

Obras do Viaduto Santa Tereza continuam sem autorização do Iepha

As intervenções começaram no início deste ano após processo de licitação em 2013, mas sem consulta ao Iepha que deveria emitir parecer, pois o viaduto é patrimônio cultural tombado


postado em 22/05/2014 13:48 / atualizado em 22/05/2014 14:04

(foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)
(foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)

As obras de revitalização do Viaduto Santa Tereza e a gestão do espaço foram discutidas nesta quinta-feira em audiência pública na Câmara Municipal de Belo Horizonte. A Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) disse que o prazo para o espaço fica pronto é outubro deste ano, mas representantes de movimentos culturais e sociais questionaram a regularidade da obra, que está sem autorização do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha/MG). Membros do Pacto Real da Rua, A Ocupação, Assembleia Popular Horizontal, Família de Rua e Duelo de MCs cobraram também um pedido antigo de execução da obra em etapas, que não é seguido pela PBH.

O trabalho no viaduto começou no início deste ano após processo de licitação em 2013. A obra foi orçada em R$ 5 milhões, na abertura do edital, com recurso disposto em parceira com prefeitura e estado. A empresa que ganhou apresentou investimento de R$ 3,4 milhões. Está prevista a reforma estrutural do viaduto e do revestimento original. Também há previsão de instalação de Circuito de Esportes Radicais Santa Tereza entre a Rua da Bahia e a Avenida dos Andradas, onde haverá pista de skate, quadra poliesportiva, anfiteatro e pistas de bicicleta.

No inicio do ano, tapumes começaram a ser instalados na região, atrapalhando os movimentos artísticos que acontecem no espaço. Responsáveis por esses eventos procuram a prefeitura pedindo a formação de uma comissão popular para acompanhar a obra, no entanto o grupo não foi criado. Pediram também que a obra fosse executada em etapas, para que os grupos artísticos se revezassem na realização de eventos, mas também não houve retorno da prefeitura. Em 8 de fevereiro, os movimentos sociais resolveram ocupar o viaduto em protesto e entregaram uma carta a PBH pedindo detalhes sobre a obra, porém não foram respondidos os questionamentos.

Entre os pontos levantados nesse documento está a regularidade da obra. Mesmo o viaduto sendo patrimônio cultural tombado, o Iepha-MG não foi consultado antes do início das intervenções. A representante do Iepha, Andréa Sasdelli Leite Praça, disse que autorização do órgão é obrigatória nesses casos. Andréa Sasdelli informou que o Iepha ficou sabendo da obra por terceiros e enviou representantes ao local para coletar informações. Depois disso, o Iepha solicitou à Sudecap o projeto e analisou detalhadamente. O instituto já preparou parecer técnico com ressalvas ao projeto, mas ainda - por uma questão burocrática interna (troca de diretoria) – não enviou a Sudecap para oficializar a regularidade da revitalização. Isso significa que a obra continua sendo executada de forma irregular.

Na audiência de hoje, com intermediação do vereador Pedro Patrus (PT), ficou firmado o compromisso de que a comissão solicitada pelos movimentos sociais vai existir. Também será requerida a abertura pública do relatório técnico elaborado pelo Iepha para que a população tenha acesso e saiba quais são as ressalvas impostas à Sudecap. O vereador encerrou a audiência com um questionamento não respondido pelo representante Sudecap, Estevão Souza Teixeira, nem mesmo pelo Iepha: como a prefeitura iniciou das obras sem autorização do instituto?

O em.com.br entrou em contato com a Sudecap. Em nota, a superintendência informou que  encaminhou ao Iepha o projeto executivo da obra e esclareceu que o fato de o projeto estar sob análise não inviabiliza o início das obras básicas de recuperação da estrutura do viaduto.


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